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Para comemorar a primeira década de muita música, o Grupo Água Viva lança “O louco”. Este segundo disco independente da trupe carioca foi gravado entre 2011 e 2014 e revela a maturidade dos músicos em unir instrumentais e canções num mesmo universo sonoro, uma forte marca do conjunto desde a sua gênese. A ternura e a leveza de “Vigília” e “Leve”, que são cantadas, se misturam e complementam a densidade e o vigor de temas como “Dr. Cornelius” e “Trem Bala”. Esta coleção sonora de nova faixas convida o ouvinte a mergulhar numa inesgotável e surpreendente fonte de sensações. O show de lançamento será na sexta-feira, dia 27 de maio, às 20h, no Teatro Ipanema, com ingressos a R$ 30.

Grupo Água Viva

[Foto de Erick Dau]

“Carta do tarot, ‘O Louco’ é um jovem que anda tocando flauta, distraído com uma borboleta. Carrega uma trouxa, o que sugere a figura de um nômade. À sua frente, está um abismo. O Louco anda em sua direção, mas não o vê. Um cachorro lhe morde a perna, tentando, sem sucesso, avisá-lo”, explicam os músicos, por e-mail. “Neste disco somos todos “O Louco”: a nossa música é nômade, a nossa realidade é feita de abismo e os nossos sonhos são borboletas e flautas. E, por mais que o cachorro da realidade nos alerte, seguimos movidos pelo risco e pela paixão”.

A sonoridade contemporânea do Água Viva tem base fincada na música brasileira, explorando gêneros como baião, maracatu, frevo e samba, com influências da música latino-americana, do jazz e da música de concerto. A maioria de seus integrantes é multi-instrumentista, o que proporciona a criação de texturas  sonoras e variado colorido de timbres. Formado por Aline Gonçalves (flautas e clarineta), Felipe Cotta (percussão e bateria), João Bittencourt (piano, teclado e acordeon), Luciano Câmara (violão e guitarra), Marcela Velon (voz), Mayo Pamplona (contrabaixo) e Yuri Villar (flautas, saxofones e teclado), o Grupo concentra as energias num trabalho de cunho autoral.

O septeto já se apresentou em festivais nacionais e internacionais e conquistou prêmios como Melhor Execução Instrumental no IV Festival das Rádios MEC e Nacional (2012) e Melhor Grupo no XIX Festival Tápias de Artes Integradas (2007). O álbum de estreia, “Mundo ao Revés” (Bolacha, 2011), reservou dois trunfos para o público que acompanha os músicos nestes dez anos de estrada: a participação da cantora Bibi Ferreira e do músico Itiberê Zwarg, integrante chave da banda de Hermeto Pascoal e líder da Orquestra Itiberê.

Que os sons do Água Viva nos dêem asas!

Grupo Água Viva lança “O Louco”

QUANDO: 27 de maio, sexta-feira, às 20h

ONDE: Teatro Ipanema – Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema. Informações:. (21) 2523.9794.

QUANTO: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

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ellen olériaO novo ciclo de Ellen Oléria já começou – tem a ver com a mudança para São Paulo, prestes a completar um ano e, principalmente, com a chegada do aguardado “Afrofuturista” (independente). Aos poucos, a metrópole vai cabendo na palma da sua mão e escancarando as suas trilhas urbanas e sonoras. Das 20 músicas gravadas, 13 foram escolhidas para o álbum, terceiro solo que, contando com os discos das bandas Soatá e Pret.utu, vira o quinto da carreira desta artista de 33 anos que canta, compõe, toca violão e guitarra e ainda é atriz formada pela Universidade de Brasília (UnB).

O público baiano terá quatro noites para conhecer o novo show de Ellen Oléria: entre os dias 26 e 29 de maio (de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h), ela cantará na CAIXA Cultural Salvador, com ingressos a populares R$ 8. No dia 25 de maio, Ellen e Poliana Martins estarão à frente da oficina de rimas e poemas “Vou aprender a ler pra ensinar meus camaradas”, gratuita, com número limitado de vagas, a fim de desenvolver o tema do espetáculo em conexão com expressões da oralidade, como o hip hop e os cancioneiros populares brasileiros. A realização é da produtora Janela do Mundo, em parceria com a Carne Dura Produções, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

Quando Ellen fala sobre o álbum, são nomes de músicxs, produtorxs, arranjadorxs e compositorxs que aparecem primeiro. Vaidade ela só tem ao escolher o figurino sempre exuberante e o que vai no prato. Vegetariana, assim como a produtora Poliana Martins (sua esposa e autora dos versos da faixa “Eu posso ser mais”), Ellen vem entrando em forma desde que venceu a primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do cuidado com a alimentação, ela agora faz exercícios regulares e até investe numas corridas pelo Ibirapuera ou pelo Minhocão. Um dos seus talentos é a simpatia genuína. Bobeou e lá está Ellen trocando uma ideia com um alguém que a reconhece. Antes mesmo de dizer o nome do disco, Ellen dá o crédito às amizades que ajudaram a trazer esse “Afrofuturista” para o presente. E que presente!

A estética da nova bolacha tem muito a ver com a leveza da produção de Felipe Viegas e o toque certeiro de alabê do baiano Gabi Guedes, percussionista da Orkestra Rumpilezz; nasceu junto com os versos afiados de Roberta Estrela D’Alva e o vozeirão da cubana Yusa; traz a sonoridade das alfaias de Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro e a plasticidade dos arranjos de Pedro Martins. O disco foi todo gravado em Brasília, onde a cantora viveu até outro dia e que aplaude a sua música desde o bê-a-bá. “A nave”, por exemplo, fala de uma cidade em movimento e remete ao avião que dá forma ao Plano Piloto, com as suas asas Norte e Sul. Ellen está fixando o microfone no concreto paulistano, mas sabe que, a qualquer momento, pode voltar. “Quero viajar mais uma vez pilotando a nave”, avisa o refrão.

“A gente tá falando de rotas e raízes, identidade, pertencimento. Por isso, o nome do disco não é qualquer futurismo, é um afrofuturismo. Não bélico, soror e solidário, mas baseado no conceito mais revolucionário que conheci na vida: o amor”, diz. Esperançosa, cita um texto de Mateus Aleluia, cantor integrante do legendário grupo Os Tincoãs e pesquisador incansável, para explicar o que narra em ritmo de samba, afoxé, maracatu, carimbo e um forró caribenho: “Nós somos a descendência e nós somos também a ancestralidade. Somos a herança e também a promessa. É a verdadeira volta, uma espiral-ouróboros, porque é como se fosse a cobra mordendo a própria cauda. Quando fala no ancestral, a gente fala também em quem há de vir. Aquilo que é e que já foi. Essa é a nossa forma ancestral de existir”.

Antigamente, as músicas ganhavam fama e caíam nas graças do público que batia ponto nos saraus para, só então, serem gravadas. “Afrofuturista” tem mais esse trunfo. Ellen vem testando (“Alô, alô, som!”) essa coleção há algum tempo e selecionou para a bolacha exatamente o que queria, o que provou e sabe que funciona ao vivo, o que está com muita vontade de espalhar pelo planeta. “É muito gostoso ver nos shows que o povo já decorou esse repertório. Agora temos o disco e chegou a hora de mais gente, muito mais gente (risos), conhecer o trabalho”, fala, com brilho nos olhos e o timbre macio que o Brasil já conhece tão bem.

 

A CAIXA Cultural Salvador fica na Rua Carlos Gomes, 57, no Centro.

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13

Em comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. Primeira dos três artistas selecionados por edital para levar os seus trabalhos ao Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), a cantora Ilessi receberá o sanfoneiro Kiko Horta, fundador do Cordão do Boitatá, para mostrar ‘As parcerias de Manduka e Dominguinhos’ na terça, 17 de maio, às 19h, com ingressos a R$ 30. No roteiro, “Nem santo, nem ouro”, “O trinado do trovão” e “Quem me levará sou eu” (Manduka e Dominguinhos), mais algumas que a dupla gravou num álbum ainda inédito, entre elas “Própria luz” (de Manduka e Abel Silva) e “Gentileza” (só de Manduka). “Chamei o Kiko para estar comigo neste show porque ele é um dos melhores sanfoneiros do Brasil e tem a sofisticação que esse repertório pede”, explica a cantora.

ilessi

A obra de Manduka chegou para Ilessi pelo programa Rádio Chama, abastecido na web pelo grupo de compositores que se intitula Coletivo Chama e transmitido pela Rádio Roquette Pinto. O mundo escapou sob os seus pés quando ouviu “Viagem de barco”. Ligou para outro Thiago, o Amud, e perguntou quem era o autor daquela canção que a arrebatou, acreditando que o autor estivesse vivo. Amud explicou que Manduka já havia falecido, o que surpreendeu a cantora, que sentiu a sua música tão viva e atual. Ilessi procurou imediatamente Thiago de Mello a fim de conhecer o repertório singular do seu irmão, Alexandre Manuel Thiago de Mello, o Manduka, que viveu entre fevereiro de 1952 e outubro de 2004.

“Essa cantora de tanta personalidade veio aqui em casa e garimpou um material farto do Manduka. Em apenas dois meses, voltou com muita certeza do que queria cantar. Fiquei feliz porque estamos precisando ouvir mensagens como ‘Viagem de barco’, que é um ‘Bye bye Brasil’ amazônico. Sofisticada e irônica, nos devolve um Brasil que há muito não existe”, diz Thiago, um incansável pesquisador das famosas fitas cassetes que o compositor espalhou pelos lugares onde viveu. A essência do disco de Ilessi é o K7 “O desmantelo”. Ela escolheu 14 canções desta coleção, mais a faixa-título, “Quem me levará sou eu”, e duas que nasceram no México, onde ele morou por seis anos. Cinco faixas já estão gravadas para o álbum, que sai no final de 2016, com o canto de Ilessi e as cordas de Diogo Sili, parceiro na empreitada. No disco e no show, ela vai apostar no formato voz e violão, o favorito de Manduka.

Completamente apaixonada por esse repertório, Ilessi conta que mergulhou em composições como “Conseguiram parabéns” e “Com os pés no futuro”, ambas disponíveis em vídeo no YouTube, em registros da jovem cantora. “Foi um impacto muito grande a chegada da música do Manduka na minha vida. Ouvia sem parar como se só houvesse esses áudios no mundo (risos). É um privilégio ser uma das cantoras que dá voz ao Manduka hoje, quando o que mais precisamos é ser encantados por uma criação artística que nos enriqueça”, filosofa Ilessi, que estreou em disco no elogiado “Brigador”, de 2009, com parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro.

Vem aí!
No dia 12 de julho, será a vez de Thiago Thiago de Mello levar o seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Em breve, mais informações sobre ambos os shows!

Por Monica Ramalho
Foto de Marcelo Fedrá

Ilessi e Diogo Sili interpretam Manduka no CCJF, serviço

QUANDO: 17 e 31 de maio, terças-feiras, às 19h

ONDE: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) – Av. Rio Branco, 241, no Centro. A bilheteria funciona de terça a domingo, das 12h às 19h, e atende no: (21) 3261.2565

QUANTO: Ingressos a R$ 30 (inteira), com meia-entrada (R$ 15)

PLUS: No dia 17, o convidado será o sanfoneiro Kiko Horta e, o dia 31, as participações especiais serão Thiago Thiago de Mello e Luiza Borges

ETCÉTERA: A casa dispões de 141 lugares e a censura é de 16 anos

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05

Pressa não é palavra de ordem no vocabulário dos quatro garotos do Baltazar, banda carioca que vem colecionando admiradores na cena independente. Disponível nas plataformas digitais, o EP “Pressa” foi gravado em dezembro de 2015, no estúdio Maravilha 8, com produção musical de Daniel Carvalho e auxílio luxuoso de Berna Ceppas, em um raro gravador de fita dos anos 80 para deixar o processo meio analógico e soar antigo, alinhado à estética musical da banda.

baltazar laranja

Pedro Mib (voz e guitarra), Eric Camargo (guitarra e voz), Jota Costa (baixo) e Pedro Tentilhão (bateria), amigos desde os bancos da escola, caminham agora juntos para a maturidade musical com o lançamento deste EP e suas cinco faixas autorais e inéditas. O primeiro show com a bolacha na mão (que chega da fábrica no próprio dia!) será nesta quarta, dia 11 de maio, no Espaço Cultural Sérgio Porto.

A levada setentista de “Desafinar” abre o EP, que emenda com “São Salvador”, sambalanço inspirado na praça homônima, em Laranjeiras. A sonzeira continua com a rebeldia suave de “Eu não volto mais pra casa”, a dançante “Por quê” – Leo (filho de George) Israel toca os teclados –, e, para fechar, a faixa-título. “Pressa” ganhou um reforço e tanto: as participações de José Ibarra e Lucas Nunes, respectivamente, vocalista e guitarrista da Dônica, banda amiga e incentivadora do Baltazar.

Para o show do Sérgio Porto estão previstas outras músicas, que aguardam a vez de serem registradas em estúdio, como “Impressão”, “Inócua” e “Ninguém”.

Os músicos se juntaram para escrever esse faixa a faixa:

  1. “Desafinar” (Eric Camargo e Jota Costa)

Fizemos em Laranjeiras, em uma noite comum, quando o Jota pegou o violão que estava desafinado, e quase que instantaneamente, surgiram a melodia, a ideia e um esboço de letra. O violão, completamente fora do tom, acabou gerando a metáfora central da música, que, de certa forma, tenta homenagear aquele outro “Desafinado”, bem mais conhecido de todos.

  1. São Salvador” (Jota Costa)

Dependendo da época do ano, se você estiver sentado em um dos bancos que cercam o chafariz da Praça São Salvador, verá exatamente a cena que cantamos nos versos iniciais. A melodia da canção surgiu lá mesmo, junto com a maior parte da letra. Jota avisou à namorada da época e aos amigos que precisava correr para casa para registrar o sambalanço, algo absolutamente novo para nós. Daniel e Berna disseram que precisávamos de sopros nessa música e o maestro Felipe Pinaud foi convocado para fazer o lindo arranjo, que deu à canção todo esse carisma que você pode comprovar.

  1. Eu não volto mais para casa” (Eric Camargo)

É uma música simples, que faz reflexões simples sobre como lidar com as diferentes formas de sofrer. Simplicidade também é profundidade. Essa foi uma das músicas na qual o nosso produtor, Daniel Carvalho, mais nos ajudou no arranjo.

  1. “Por quê” (Eric Camargo, Jota Costa e Pedro Mib)

Fala sobre estar perdido, sobre como é se perder, sobre como procurar o caminho de volta, e sobre o que é de fato se perder. Eric escreveu a canção enquanto estudava na biblioteca de sua antiga faculdade – refletindo exatamente sobre estar ali. A música, com uma pegada mais “funkeada”, conta com participação especial de nosso amigo, Leo Israel, no Wurlitzer e em seu teclado.

  1. “Pressa” (Jota Costa)

É um pedido de demissão musicado em cima de um diálogo que Jota e a sua mãe travaram quando ele decidiu pedir as contas. Essa música foi feita antes de existir o Baltazar, mas todos se identificaram e ela virou a queridinha da banda – por isso escolhida para nomear o EP. Sempre imaginamos essa música num formato mais épico, e acabamos nos dedicando de maneira peculiar à sua gravação. E ainda chamamos os nossos talentosíssimos amigos Lucas e Zé, da banda Dônica, para gravarem as teclas.

Corre lá para ouvir “Pressa”!

Baltazar lança o EP “Pressa”, serviço

QUANDO: Quarta, dia 11 de maio, às 21h

ONDE: Espaço Cultural Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163, no Humaitá. Informações: (21) 2535.3846

QUANTO: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

ETCÉTERA: 130 lugares

 

abr
25

Em comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. Os cantores Ilessi, Thiago Thiago de Mello e Luiza Borges (nesta ordem por uma questão de agenda de shows a serem realizados, de maio a novembro, no Centro Cultural Justiça Federal, Centro do Rio) estão mais ligados do que nunca por conta de algumas interseções que permeiam os seus trabalhos sonoros. A paixão por compositores ainda pouco conhecidos, embora com um baú de preciosidades – caso do Manduka, que vem a ser irmão de Thiago, gravado por Ilessi e por Luiza –, é um deles. A busca por uma música que faça o ouvinte olhar para dentro de si, em tempos de tanta exposição, também.

Thiago, Luiza e Ilessi

Ilessi será a primeira do trio a cantar no CCJF. Nos dias 3, 7 e 31 de maio, a jovem de Jacarepaguá, moradora de Copacabana, vai desfiar cerca de 17 músicas de Manduka no show “Quem me levará sou eu”, homônimo a uma das canções dele que ganharam notoriedade em vida. Feita em parceria com Dominguinhos, foi defendida por Fagner num festival em 1979. A obra de Manduka chegou para Ilessi pelo programa Rádio Chama, abastecido na web pelo grupo de compositores que se intitula Coletivo Chama e transmitido pela Rádio Roquette Pinto. O mundo escapou sob os seus pés quando ouviu “Viagem de barco”. Ligou para outro Thiago, o Amud, e perguntou quem era o autor daquela canção que a arrebatou, acreditando que o autor estivesse vivo. Amud explicou que Manduka já havia falecido, o que surpreendeu a cantora, que sentiu a sua música tão viva e atual. Ilessi procurou imediatamente para o outro Thiago e a fim de conhecer o repertório singular de Alexandre Manuel Thiago de Mello, o Manduka, que viveu entre fevereiro de 1952 e outubro de 2004.

“Essa cantora de tanta personalidade veio aqui em casa e garimpou um material farto do Manduka. Em apenas dois meses, voltou com muita certeza do que queria cantar. Fiquei feliz porque estamos precisando ouvir mensagens como ‘Viagem de barco’, que é um ‘Bye bye Brasil’ amazônico. Sofisticada e irônica, nos devolve um Brasil que há muito não existe”, diz Thiago, um incansável pesquisador das famosas fitas cassetes que o irmão mais velho espalhou pelos lugares onde viveu. A essência do disco de Ilessi é o K7 “O desmantelo”. Ela escolheu 14 canções desta coleção, mais a faixa-título, “Quem me levará sou eu”, e duas que nasceram no México, onde o compositor morou por seis anos. Cinco faixas já estão gravadas para o álbum, que sai no final de 2016, com o canto de Ilessi e as cordas de Diogo Sili, parceiro na empreitada. No disco e no show, ela vai apostar no formato voz e violão, o favorito de Manduka.

“Bala de vento”, por exemplo, foi escrita nessa fase mexicana. Thiago foi atrás de vestígios do “hermano” (abaixo, em foto de junho de 1978), e encontrou algumas dessas fitas. Uma estava na Rádio Nacional, onde havia um disco inteiro com músicas que ninguém da família sabia da existência. Outras, guardadas com amigos. Thiago resgatou um significativo material inédito. “De vez em quando isso ainda acontece”, comenta. Há uns dois anos, o pai, o poeta Thiago de Mello, apareceu na casa dele com a gravação de um show que fez com o filho no Teatro Amazonas, em 1982. “Fiquei encantado porque era tudo muito artesanal, com música e poesia entremeados numa costura quase medieval”, atesta ele.

mandukaCompletamente apaixonada por esse repertório, Ilessi conta que mergulhou em composições como “Conseguiram parabéns” e “Com os pés no futuro”, ambas disponíveis em vídeo no YouTube, em registros da jovem cantora. “Foi um impacto muito grande a chegada da música do Manduka na minha vida. Ouvia sem parar como se só houvesse esses áudios no mundo (risos). É um privilégio ser uma das cantoras que dá voz ao Manduka hoje, quando o que mais precisamos é ser encantados por uma criação artística que nos enriqueça”, filosofa Ilessi, que estreou em disco no elogiado “Brigador”, de 2009, com parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro.

A floresta do Thiago de Mello
No dia 12 de julho, será a vez de Thiago Thiago de Mello levar o seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. É um projeto para além do disco, que Thiago espera gravar ainda este ano – ele tem dois álbuns com a banda Escambo: “Flúor” (2009) e “Neón” (2013). Nascido no Leblon, cidadão do Humaitá, o professor investe tempo, pesquisa e criatividade nesta coleção há cerca de três anos e meio. “Comecei a compor de maneira mais consciente sobre a Amazônia, onde morei na infância e para onde retorno todos os anos. Passei a ouvir mais sistematicamente outros compositores de lá, enchi a minha casa de plantas… Mexer com a floresta é sintonizar com a espiritualidade e a gente muda no processo”, avalia.

Ele conta que fez mais de 40 músicas em 2014, uma produção incomum. “Abri um canal e, entrando na Amazônia, entrei na história da minha família. Fui na casa do meu pai e encontrei pastas com documentos. Comecei a ler cartas da minha avó para o meu pai, que está agora com 90 anos, do meu bisavô para o meu avô. São cartas escritas em 1904! Abria e pulavam traças e eu lia cada vez mais interessado naqueles assuntos todos, dos quais sou herdeiro. Virei madrugadas devorando esses registros e descobri, por exemplo, que muitos antepassados tiveram inclinações musicais. Foi o que me deu fôlego para aprimorar essa pesquisa”, diz, lembrando que “o Brasil não conhece o Brasil”, como cantava Elis Regina, e a Amazônia, pulmão do mundo, riqueza do nosso país, é desconhecida para a maioria dos brasileiros.

A música de Thiago se ocupa de dar possíveis respostas para questões elementares (e fundamentais), como: Quem somos nós? E para que estamos aqui? “Já existe uma geração trabalhando com esse tipo de música que a gente faz, na contramão do mercado. É puro investimento, sem retorno financeiro. Tem um edital aqui, um elogio acolá, um convite para fazer um show, mas ainda é muito desproporcional”, pontua. Talvez por isso, a vontade de imprimir um certo ritmo na propagação da sua música pelas redes, através da Rádio Chama – ele é integrante do Coletivo Chama –, e dos vídeos que vem publicando, desde janeiro, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, nas suas páginas no YouTube e no Facebook. “A ideia veio dos meus alunos, que assistem a milhares de vídeos curtos por dia, e, ao mesmo tempo, prestigiam os meus shows, prestam atenção nos artistas que indico. Já temos vídeos prontos para subir até setembro e estou adorando fazer isso”.

Para o show no CCJF, o artista separou 15 composições, entre elas “Vingança de cunhã”, gravada pela banda Pietá e por André Muato, “Certezas inacreditáveis”, que nomeará o segundo disco da Luiza Borges, a ser lançado ainda este (o primeiro, “Romanceiro”, é de 2012) e “Que nem Japiim”, as duas últimas, em parceria com Edu Kneip. Japiim tem um conceito interessante: É um pássaro que imita os sons de outros pássaros, cobras e onças, porque ele mesmo não tem um som original. Faz parte desse processo de buscar a própria voz que aproxima os três jovens artistas. Neste show, Thiago Thiago de Mello será acompanhado por Bernardo Aguiar na percussão eletrônica (que também participa do show da Ilessi e do disco da Luiza) e Diogo Sili na guitarra elétrica (que toca violão no show da Ilessi).

E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Além de cantar, ela escreve e compõe. Adianta que gravará “Se, será, seria”, que faz parte do livro de poesias “Silêncio absoluto”, a ser lançado esse ano pela Editora LiteraCidade. O prefácio será do letrista Mauro Aguiar. Professora de canto desde 2009, ela revela que se viu diante da mesma questão que vem movendo a fé de Ilessi e Thiago nos últimos anos. “Passei a refletir de forma cada vez mais madura sobre o porquê de continuar dizendo algo para as pessoas através do canto. A voz é um instrumento que veicula conteúdos. Serve para a troca, soa para comunicar. E a serviço de que troca eu quero sustentar a minha voz cantada?”, pergunta.

Os três artistas concordam que essa ideia de fazer canções sobre o autocontato esteja no ar. “Venho pensando que isso é tudo o que precisamos: Nos ouvirmos, nos colocarmos, e assim podermos ter um espaço real para nos alimentarmos também da expressão do outro. Escutar. Absorver. Devolver. A vida está muito corrida, os relacionamentos robotizados. Estamos todos sem tempo para isso. Como pode ser possível se identificar com o trabalho de um novo artista, buscar num show desconhecido a tal da troca, se não há espaço sequer para nos notarmos e nos expressarmos? É com essa lacuna que eu gostaria de colaborar”, sentencia a moradora de Laranjeiras.

“Percebi que existe uma geração que, sem combinar, está dividindo os mesmos pensamentos”, afirma. Luiza Borges vai mostrar que pensamentos são esses no CCFJ, onde cantará músicas como “Fardo” (Thiago Amud), “Canto e trabalho” (Thiago Thiago de Mello e Marcelo Fedrá), “A fama e a fome” (Pedro Ivo e Mauro Aguiar) e “Irada” (João Nabuco e Mauro Aguiar). Ao todo, 14 músicas serão interpretadas por Luiza e André Siqueira no violão, com participações especiais. Por falar nisso, vale lembrar: Ilessi, Thiago e Luiza vão cantar dos shows uns dos outros. E, assim, com encontros verdadeiros e repletos de propósito, essa rede se fortalece cada vez mais.

abr
15

“Proponho aos ouvidos atentos prestarem bastante atenção ao trabalho musical de Túlio Borges (em foto de Vitor Schietti). Depois a gente conversa”. A assertiva é do musicólogo e crítico de música Zuza Homem de Mello, a respeito da produção musical do cantor e compositor brasiliense. Pianista por formação, Túlio já foi premiado em diversos festivais do país por sua criação musical poética e híbrida.

O seu álbum de estreia, “Eu venho vagando no ar” (2010), é festejado pela crítica especializada pela profundidade, delicadeza e poesia calorosa, o perfeito domínio de textos e ideias, a cuidadosa feitura e, de acordo com o jornalista musical, escritor e pesquisador Tárik de Souza, por ser um manifesto de um novo e singular artista. O disco foi nomeado como um dos 50 melhores do ano pela Revista Manuscrita, indicado para o Prêmio da Música Brasileira e rendeu ao autor o prêmio de Melhor Cantor Independente de 2010, concedido pela Rádio Cultura de São Paulo.

Túlio por Vitor Schietti
Os shows do seu novo disco, “Batente de Pau de Casarão” (2015) chegam, finalmente, ao Rio de Janeiro, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF e realização da Padê Produções. Túlio se apresenta no Bar Semente, na Lapa (quarta, dia 20, às 20h, com ingressos a R$ 30), no Eco Som Studios, em Botafogo (quinta, dia 21, às 20h, com ingressos a R$ 20) e na Casa Porto, na Saúde (sexta, dia 22, às 20h, com entrada gratuita).

Para mostrar ao vivo músicas como “Coco de pé de manga” (Jessier Quirino), “Sertão de almas”, “Canção do Piauí unido” e “Baú de guardados” (parcerias de Túlio Borges com Climério Ferreira) e “Adorável trovador”(Túlio Borges e Toty), Túlio chamou Rafael dos Anjos (violão), Júnior Ferreira (acordeom), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Fernando César (violão de sete), Valério Xavier e Afonso Gadelha (percussões).

O lançamento foi eleito o segundo melhor disco nacional de 2015 pelo site Os Melhores da Música Brasileira. Neste trabalho, Túlio alia a reconhecida singular musicalidade brasiliense às suas raízes nordestinas. A história do disco perfaz o caminho de São José do Egito, em Pernambuco, terra dos maravilhosos vates do repente, dos nomes quase sagrados na poesia popular nordestina, como o de Louro do Pajeú, Rogacioano Leite e Antonio Marinho, até a capital do país, Brasília.

O álbum traz parcerias de Túlio com poetas nordestinos, como o Jessier Quirino, da Paraíba, e Climério Ferreira, do Piauí, que se constituem em entoações contemporâneas e citadinas e um novo perfil sonoro para a poética do sertão. Dedicado à cidade de São José do Egito, a capital nordestina da poesia, o disco reúne excelentes instrumentistas brasilienses e brasileiros, para celebrar a admiração do compositor pelos poetas e cantadores nordestinos.

“Batente de Pau de Casarão” está disponível para streaming e download gratuitos em: www.tulioborges.com

Shows no Rio de Janeiro, serviço:

20/4 (quarta), às 20h
BAR SEMENTE
Evaristo da Veiga, 149, na Lapa
R$ 30
Classificação: 16 anos

21/4 (quinta), às 20h
ECO SOM STUDIOS
Real Grandeza, 170, em Botafogo
R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)
Classificação: 12 anos 

22/4 (sexta), às 20h
CASA PORTO
Largo São Francisco da Prainha, 4, na Saúde
Entrada gratuita
Classificação: 12 anos

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Vinte artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados com uma série de shows, entre março e dezembro deste ano olímpico. Essa programação especial já começou a ocupar o palco do Beco das Garrafas, legendário reduto musical carioca, com patrocínio da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura. Simoninha receberá o Troféu Beco das Garrafas em nome do pai, Wilson Simonal, no domingo, 17 de abril, às 20h, com ingressos a R$ 40.

Simoninha promete esquentar o Beco das Garrafas com o repertório de Wilson Simonal, que se apresentava na casa em meados dos anos 60. “Balanço Zona Sul”, por exemplo, foi o seu primeiro hit nas rádios, em 1963, quando Simoninha já estava na barriga da mãe. O sucesso dessa música fez com que a dupla Miéle e Bôscoli o convidasse para cantar regularmente no Beco. “Nanã” e “Lobo bobo”, também no set list, foram gravados no mesmo compacto que tocou muito no país, abrindo os caminhos para que o cantor gravasse o seu segundo elepê, “A nova dimensão do samba”, considerado um de seus melhores discos. Os mega sucessos “Sá Marina”, “Zazueira” e “Nem vem que não tem” também estão no roteiro da noite.

Simoninha
Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto (e leva a assinatura do designer ilustrador Marcus Wagner), como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas já estão confirmados: Paulo Jobim vai relembrar a obra majestosa do pai, Tom Jobim; Miúcha cantará as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado da neta Georgiana de Moraes; os sucessos de Elis Regina serão interpretados na voz de Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro; o repertório de Nara Leão terá releitura de Cris Dellano; e a cantora Wanda Sá trará a aura mágica da dupla Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Miéle, mais uma vez, para o palco do Beco das Garrafas.

“O Troféu Beco das Garrafas é uma adaptação do projeto que o meu pai concebeu em 2002, chamado Troféu Bossa Nova. Escrevemos juntos e não conseguimos realizar antes de sua partida, em 2007. Uma forma de homenageá-lo será fazer uma noite dedicada a ele, quando entregaremos o Troféu Durval Ferreira para a garotada que está despontando na cena carioca e têm se apresentado com regularidade nas duas casas que revitalizamos em 2014, a Little Club e o Bottle’s Bar”, diz Amanda. “O Beco continua sendo berço de música de vanguarda desde os anos 50!”, exulta ela, que recebe, ainda, o apoio do Instituto João Donato.

Sobre o próximo homenageado, o jornalista e escritor Ruy Castro escreveu em seu clássico “Chega de saudade: A história e as histórias da bossa nova”, lançado pela Companhia das Letras em 1990, época em que o país redescobriu o gênero carioca: “Quando surgiu o cantor no Beco das Garrafas, Simonal era o máximo para seu tempo: grande voz, um senso de divisão igual ao dos melhores cantores americanos e uma capacidade de fazer gato e sapato do ritmo, sem se afastar da melodia ou apelar para os scats fáceis”.

mar
29

Na batida LaranjaNo domingo, dia 3 de abril, a partir das 16h, a Carino Produções vai lançar o livro infantojuvenil “Na Batida do Hino” (Editora Muriqui Cultural), com tarde de autógrafos e atividade para os pequenos, na Livraria da Travessa de Botafogo. A entrada e a contação de histórias são gratuitas e o livro custará R$ 35.

Escrito por André Diniz e Juliana Lins e ilustrado por Axel Sande, o livro conta a história de Rafael, um adolescente apaixonado por esportes, mas que não entende a emoção na hora do pódio: o silêncio, a mão no peito, o hino nacional dos vencedores. Com a ajuda de sua família, incluindo um pai emprestado que faz de tudo para conquistar o garoto e um primo músico, aos poucos decifra a letra que fala de um Brasil ‘gigante pela própria natureza’.

“Pensamos na realidade da garotada de hoje para falar sobre esse símbolo da identidade do nosso país. E foi prazeroso transformar o hino nacional em uma batida de funk, quebrando tabus e valorizando as coisas do Brasil”, comenta André Diniz. Para Juliana Lins, “a letra do hino nacional é um mistério para crianças e muitos adultos. O livro é um convite para que todos o desvendem. Queremos que o nosso hino seja também a batida de cada um”.

No lançamento, haverá contação de histórias gratuita com Janine Rodrigues em duas sessões: às 16h30 e às 18h. Autora de livros infantis, artista educadora e produtora cultural, Janine é fundadora da Piraporiando (www.piraporiando.com) e uma das referências no assunto.

OS AUTORES

André Diniz – Pesquisador, professor e escritor. André é historiador da música popular brasileira e lançou cerca de 20 livros sobre autores e gêneros da MPB, dentre os quais se destacam “Almanaque do choro”, “Almanaque do samba”, “Almanaque do carnaval” e a biografia “Noel Rosa, o poeta do samba e da cidade”.

Juliana Lins – Escritora e roteirista de TV e cinema, atualmente contratada da Rede Globo. Juliana é coroteirista do longa-metragem “Desenrola” (com Rosane Svartman) e autora de diversos livros publicados, como “Sinceramente grávida”, “Ariano Suassuna: Um perfil biográfico” e as biografias infantojuvenis “Pixinguinha”, “Adoniran Barbosa”, “Paulinho da Viola”, “Braguinha” e “Noel Rosa”, todas da coleção Mestres da Música no Brasil, da Editora Moderna, e escritos a quatro mãos com André Diniz.

“Na Batida do Hino”, lançamento

QUANDO: 3 de abril, às 16h

ONDE: Livraria da Travessa de Botafogo – Rua Voluntários da Pátria, 97. Telefone: (21) 3195-0200

QUANTO: Grátis

Preço sugerido para o livro: R$ 35

 

mar
16

ellenDona de uma voz inesquecível, a cantora, compositora e instrumentista Ellen Oléria fará uma apresentação gratuita neste sábado, dia 19, às 19h30, no projeto Vagão Cor de Rosa, realizado pela Escola SESC de Ensino Médio, em Jacarepaguá. Ellen vai relembrar sucessos do seu repertório, clássicos do cancioneiro nacional, de mestres como Milton Nascimento e Alceu Valença, e adiantar algumas músicas do próximo disco, “Afrofuturista”, com lançamento previsto para este semestre.

Com a master na fábrica, “Afrofuturista” faz uma combinação de samba, forró, carimbó, afoxé e maracatu, com timbres e arranjos contemporâneos que apontam para um encontro urbano de identidades. Da poética das ruas, pela linguagem do hip-hop, às performances jazzísticas da banda em cena, o ambiente acústico de Ellen converge modernidade e ancestralidade em arranjos bem esculpidos pelo tempo de dedicação à música.

Radicada em São Paulo, a artista brasiliense vai cantar e tocar guitarra para a plateia carioca da Escola Sesc, acompanhada por Raphael Dantop nos teclados, Douglas Couto no baixo, Valentino Menezes nas percussões e Fernando Chocô na bateria.

QUANDO: 19 de março, sábado, às 19h30

ONDE: Escola Sesc – Av. Ayrton Senna, 5.677, em Jacarepaguá. Informações pelo (21) 3214.7402

QUANTO: A entrada é gratuita, mediante a retirada de senha uma hora antes do espetáculo

ETCÉTERA: 600 lugares

 

mar
14

No próximo dia 17 de março, às 20h, o Roda Bar, recém-inaugurado no Planetário da Gávea, vai estrear as Quintas Musicais no Teatro Maria Clara Machado, com um show em homenagem ao samba e à cidade onde ele nasceu, o Rio de Janeiro. Com Adriana B (voz e percussão), Igor Eça (violão, baixo e vocais), Nando Duarte (violões, bandolim e guitarra) e Fábio Luna (percussão, bateria, flauta e vocais), o show “E o enredo virou MPB” ressaltará toda a musicalidade e a poesia que fica um pouco escondida no andamento (cada vez mais) acelerado dos sambas enredo na Marquês de Sapucaí. Ingressos a R$ 40.

adriana b 650

“O samba enredo narra uma história, muitas vezes com letras primorosas que, com o ritmo das baterias e a plasticidade das alegorias, acabam não sendo as únicas estrelas do desfile. Quero que sejam cantadas e tocadas mais lentamente e com arranjos que destacam as palavras, jogando o foco na poesia dessa história”, explica Igor, idealizador, diretor musical e arranjador do espetáculo.

Ele é filho de um dos gênios do piano brasileiro, o grande Luiz Eça, e está feliz com a receptividade do dono da casa e dos músicos à sua proposta. Adriana B, por exemplo, virá do Recife exclusivamente para participar do show inaugural do Roda Bar. Nando Duarte e Fábio Luna são dois dos melhores e mais requisitados instrumentistas da cena carioca. A coordenação de produção é de Dulce Lobo.

O roteiro traz sambas emblemáticos que todo mundo sabe cantar, como “Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite”, de Davi Correia e Jorge Macedo (Portela, 1981), “Sonhar não custa nada”, de Paulinho Mocidade, Rico da Viola e Moleque Silveira (Mocidade, 1992), “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira tem,” de Ivo Meireles, Paulinho e Lula (Mangueira, 1986) e “Domingo”, de Aurinho da Ilha, Ione do nascimento, Adhemar Vinhaes e Waldir da Vala (União da Ilha, 1977).

“Inaugurar essa série com o Igor Eça e a Adriana B é um imenso prazer pra nós do Roda Bar, que somos produtores de música, sobretudo. A ideia inovadora de reler os sambas enredo numa versão MPB é sensacional, inspiradora e de resultado surpreendente. Sejam bem vindos ao nosso projeto e degustem o melhor da musica brasileira”, diz o produtor artístico David Miguel, sócio da Roda de Produção Ilimitada.

Para além de preservar a memória do gênero carioca, um dos objetivos deste show é mostrar como os sambas enredos podem soar bonitos e encantar o público fora do período da folia, mostrando toda a beleza destas tramas que nos emocionam na Avenida há tantos Carnavais.

QUANDO: 17 de março, às 20h

ONDE: Teatro Maria Clara Machado (Padre Leonel Franca, 240, no Planetário da Gávea). Telefone: 3005.4104

QUANTO: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

ETCÉTERA: São 130 lugares e a censura é livre

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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