Lições para a vitória
Como jogador de voleibol, Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, conquistou oito títulos entre 1981 e 1985. Desde que se tornou técnico, há duas décadas, os prêmios se multiplicaram: até agora são quase quarenta medalhas e troféus, colecionados pelas seleções feminina e masculina. “Costumo dizer que a única coisa que os feitos passados garantem para o futuro são expectativas mais elevadas”. Conhecido pelo rigor no treinamento e pelo nervosismo que deixa transparecer quando sua equipe está em ação, o líder também é referência no quesito humano: quem trabalhou com ele expressa a maior gratidão pelo cuidado que dedica a cada um dentro e fora das quadras.
A paixão pelo esporte e toda a experiência que vem acumulando desde 1979, quando começou a jogar profissionalmente, estão impressas em dois livros, entre eles o best-seller ‘Transformando suor em ouro’, de 2006, e em obras de autores norte-americanos, nas quais colaborou nas edições brasileiras: ‘Nunca deixe de tentar’, publicado em 2009, do jorgador de basquete Michael Jordan, e ‘Treinador’, de Michael Lewis (todos foram lançados pela Editora Sextante). Tanta leitura e escrita sobre o esporte costumam render palestras interessantes sobre motivação que Bernardinho, prestes a completar 51 anos, ministra pelo país inteiro a públicos distintos. Nesta entrevista a seguir, o treinador fala sobre liderança, coletividade e paixão:
OAS EMPREENDIMENTOS – Na hora de motivar uma equipe vale o mesmo processo para atletas e vendedores?
BERNARDO ROCHA DE REZENDE – O processo de motivação é baseado nos mesmos pilares: a necessidade e a paixão. Motivar tem a ver com conscientizar as pessoas da importância da busca dos objetivos e o pulo do gato é você escolher pessoas que são apaixonadas pelo que fazem, sejam jogadores de um time ou funcionários de uma empresa. No entanto, por mais que seja considerado um líder motivador, dificilmente você vai conseguir um bom resultado quando escolhe as pessoas erradas.
OAS – Conversar com atletas vestindo moletom e falar de terno e gravata para empresários são atividades muito diferentes? Quais as temáticas você apresenta em suas palestras?
BERNARDINHO – Não são atividades diferentes porque lidamos com gente e o que muda são fatores externos. E não importa o que elas tem para oferecer porque quando se fala em esporte, por exemplo, o que o técnico faz é extrair performance de gente. Os processos básicos são os mesmos, como preparar, motivar, cobrar, reconhecer o esforço dessas pessoas, formar equipes e fazer com que entendam que individualmente ninguém vai conseguir nada, por melhor que seja. As minhas palestras são muito mais um testemunho. Claro que existe teoria envolvida, mas uso bastante a experiência, minha e do próximo, descoberta em livros e em conversas com outros líderes.
OAS – O que é a ‘Roda da Excelência’ que você menciona em suas palestras?
BERNARDINHO – A inspiração veio da ‘Pirâmide do Sucesso’, criada nos anos 1960 por John Wooden, um ex-treinador americano de basquete, morto recentemente. A pirâmide era constituída de blocos, que traziam os princípios da liderança, do altruísmo, do comprometimento e de outras bases humanas. Embora seja perene, era estática demais para o mundo atual. O que fiz foi aplicar esse conceito em uma roda e organizar os valores que considero essenciais nessa busca dos objetivos, que são a liderança, a formação de equipe e a perseverança, por exemplo. Essa roda e seus valores deslizam na esteira do planejamento. Ou seja, tenho que estar com tudo isso alinhado em um plano de ação para chegar ao meu destino. Essa roda já foi modificada diversas vezes e ainda está em desenvolvimento.
OAS – Como é possível incutir em uma equipe o sacrifício individual em favor do coletivo, em tempos onde a individualidade prevalece?
BERNARDINHO – Quando a pessoa começa a se achar indispensável é hora de começar a ser testada com metas elevadas. Garanto que não vai resistir. Ao se ver em um certo desconforto, a pessoa vai entender que faz parte de um time, formado por personalidades e talentos complementares. Sem os outros, nada feito. Ninguém chega a lugar nenhum.
OAS – Você costuma mencionar o conceito de uma “zona de conforto”. Porque acredita que as facilidades e as conquistas limitam o potencial humano?
BERNARDINHO – O ser humano tem uma tendência natural à acomodação. Ele conquista e entra no automático, acreditando que tudo vai continuar acontecendo mesmo que fique em casa, quietinho. A minha atribuição é essa, não permitir que eles caiam nessa zona de conforto. Costumo dizer que a única coisa que os feitos passados nos garantem para o futuro são expectativas mais elevadas.
OAS – Quem já trabalhou com você diz que promover o bem estar dos atletas na quadra e na vida é uma das suas habilidades. Essa também deve ser uma característica da boa liderança?
BERNARDINHO – Qualquer pessoa que trabalha em equipe tem que tentar promover um ambiente agradável. A pressão é inerente à atividade, mas existe também o reconhecimento. Eu brigo muito com eles, mas brigo muito mais por eles. E eles sabem que cobro e dou suporte quando necessário, sempre procurando entender as necessidades e os limites de cada um. Quando era menino, não gostava muito das exigências do meu primeiro treinador, o Bené do Fluminense. Hoje sou grato e me inspiro nele.
OAS – “O líder deve ser um facilitador de bons desempenhos”, você escreveu. Que outras características deve ter o verdadeiro líder?
BERNARDINHO – Toda instituição tem valores e o verdadeiro líder deve ser o guardião dos princípios que fazem com que uma empresa, uma família, uma seleção tenham um caminho longevo de sucesso. E sucesso não implica em apenas vencer. Quem está na luta vai ganhar e vai perder. Eu posso não perder nunca mais, é só me aposentar e não treinar mais nenhum time, mas prefiro trabalhar diariamente pela vitória.
Entrevista publicada na revista OAS
Entre os dias 26 e 29 de agosto, às 19h30, a série ‘UM – Mostra de Grupos Monoinstrumentais’ reunirá, na CAIXA Cultural, quatro importantes grupos brasileiros com formações de instrumentos de uma única família. São virtuoses que transitam com propriedade pelos repertórios popular e erudito e desenvolvem trabalhos consistentes e inventivos. A estréia será em 26 de agosto, com o Duo Santoro, de violoncelos. No dia 27, entram em cena os violões do Quarteto Maogani. No sábado, 28, será a vez da Orquestra Filarmônica de Violas, só com violas caipiras, e, no domingo, 29, vamos ouvir os pianos do Duo GisBranco. Ingressos a R$ 10.
O diretor artístico da mostra, Frederico Barros, usou três critérios para escolher as atrações. Primeiro, a versatilidade sonora para alcançar graves e agudos com riqueza de timbres. Segundo, o carisma dos instrumentos. “Algo que é difícil de explicar com palavras e, no entanto, fácil de entender com os ouvidos, já que o público recebe o som de forma agradável”, diz. Frederico também queria desenhar um mosaico com grupos que possuíssem “um conhecimento profundo das possibilidades e das limitações do instrumento, de modo a poder dar vida e cor a um universo sonoro que, em princípio, poderia soar monocromático”.
Desde o início, o levantamento de músicos com essas características surpreendeu em qualidade e quantidade. “Se, num primeiro momento, tanta especificidade parecia uma redução, descobrimos que a diversidade pode estar na unidade”, conta Fabiana Costa, sócia da Baluarte Agência, produtora executiva da série. A ideia de ter conjuntos formados por apenas um instrumento não é inédita. O clássico quarteto de cordas, conjuntos de violas da gamba renascentistas e mesmo grupos vocais são exemplos de formações bem sucedidas, ao longo dos séculos, de uma só família de instrumentos.
DUO SANTORO
Único em atividade permanente há quase vinte anos, o Duo Santoro desenvolveu um leque eclético de estilos em seu repertório, que vai do clássico ao popular, com transcrições e arranjos para violoncelo, assinados, em sua maioria, pelo próprio duo, formado pelos gêmeos Paulo e Ricardo Santoro. Ampliando as tradicionais execuções do violoncelo, a dupla apresenta em seus concertos esse instrumento em todas as suas possibilidades, transitando com leveza entre a diversidade musical brasileira e num trabalho constante de divulgação do repertório camerístico.
QUARTETO MAOGANI
Talvez ele seja o quarteto de violões mais importante do país da atualidade, transcendendo em muito os repertórios violonístico e de concerto em geral e debruçando-se muitas vezes pela tradição “moderna” da música popular brasileira. Formado por Maurício Marques, Carlos Chaves, Marcos Alves e Paulo Aragão, o Maogani se destaca cada vez mais por sua produção fonográfica de alta qualidade. Criado em 1995, o Maogani tem como marcas registradas uma sonoridade inconfundível, arranjos elaborados e as interpretações que unem a delicadeza e os cuidados da música de câmera ao vigor e à espontaneidade da música popular.
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE VIOLAS
Criada em Campinhas há oito anos, a Orquestra Filarmônica de Violas leva ao público toda a riqueza do universo musical caipira. Contando com um grupo composto por vinte violeiros (dez deles virão para o show na CAIXA Cultural), os arranjos musicais diferenciados trabalham com a divisão da orquestra em vários naipes, cada qual executando um desenho musical distinto. A somatória destes desenhos resulta numa verdadeira sinfonia com riqueza de nuances, dando uma nova dimensão aos temas, por mais simples que sejam. Esta particularidade, somada a um repertório que extrapola o universo caipira, tornam singular o trabalho dessa orquestra.
DUO GISBRANCO
Com um repertório único para dois pianos, as jovens Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco desenvolvem um trabalho inovador explorando ao máximo a sonoridade do instrumento, resultando em uma linguagem singular e pessoal, pontuado por uma afinidade rara. No repertório, obras-primas de Moacir Santos, Chico César, Hermeto Pascoal, Heitor Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, André Mehmari e Egberto Gismonti, pai de Bianca. As duas moças integram a nova geração de artistas que renovam o cenário musical brasileiro com criatividade e bom gosto.
SERVIÇO
QUANDO: dias 26, 27, 28 e 29 de agosto, de quinta a domingo, às 19h30
ONDE: CAIXA Cultural RJ – Teatro de Arena – Avenida Almirante Barroso, 25, Centro do Rio. Informações: (21) 2544-4080
QUANTO: R$ 10 (inteira); estudantes, maiores de 60 anos e funcionários da CAIXA pagam R$ 5 (meia entrada)
ETCÉTERA: classificação livre; 189 lugares; acesso para portadores de necessidades especiais
Há uma boa razão para lembrar quem foi o homem que convidou Freud para beber umas cervejas com os brasileiros: Eduardo Mascarenhas teria feito aniversário no último dia 6. Apenas 68 anos. E pensar que ele já morreu há 13 anos, em abril, vítima de um câncer avassalador. O psicanalista reunia os adjetivos magnéticos para as mulheres. Era bonito, charmoso, alegre e inteligente. Escolheu três para compartilhar a vida: a também psicanalista Ana Lúcia Magalhães Pinto, a atriz Christiane Torloni e a coreógrafa Regina Miranda. Do relacionamento de 15 anos com Ana Lúcia, nasceram Manuela e Luisa (foto), atualmente, com 34 e 32 anos, respectivamente. Em 2007, as meninas – que, na verdade, já são mães – organizaram uma coletânea de artigos do pai num livro chamado ‘Faces do amor’. Viveu sua última década ao lado de Regina e teve mais uma filha, Antônia, hoje com 21 anos.
“O Eduardo tinha um extraordinário senso de humor, era uma pessoa original, com um olhar super revelador sobre a vida e sobre as pessoas. A convivência com ele era divertidíssima, enriquecedora e revolucionava conceitos e visões dos que estavam a sua volta”, rebobina Ana Lúcia, coordenadora geral do Polo de Pensamento Contemporâneo (POP), no Jardim Botânico. Os dois se conheceram em Petrópolis, na casa de uma amiga em comum. Ele estava com 22 anos e ela, com 16. “Acho que nossa ligação posterior com a psicanálise foi mais um ponto de união”, diz. Os dois compartilhavam o interesse por livros – os dele, científicos, históricos e filosóficos – e também por ópera, jazz e música popular brasileira. Eduardo torcia pelo Botafogo Futebol Clube e pela Estação Primeira de Mangueira. Sem fanatismos.
Era um cara que amava a cidade, as praias cariocas, o frescobol e, sobretudo, prosear com os amigos no bar. Os mais caros eram o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor e os psicanalistas Fábio Lacombre, Carlos Alberto Py e Hélio Pellegrino, com quem tinha um parentesco adquirido, já que este era casado com uma prima dele. Teve consultórios em Botafogo e Ipanema, por onde circulavam estrelas e socialites. Falava inglês com fluência conquistada ainda na juventude, quando estudou em Boston, nos Estados Unidos, e viajava mais a trabalho do que para se divertir ou descansar. Dono de um ego expressivo que lhe rendeu o apelido de Egoardo, era curiosamente fascinado pela alma das pessoas e nunca perdeu o interesse pelo outro. Entrou para a história como alguém que acreditava na psicanálise ao alcance de todos, “adaptada a uma realidade morena, brasileira e tropical”, como gostava de dizer.
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com formação pela Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ), Eduardo trabalhou para popularizar as ideias freudianas e virou figurinha fácil na televisão, em programas como TV Mulher (Globo), Sem Censura, Jornal da Manhã e Interiores (TVE, atual TV Brasil) e Bate-boca (Manchete). Entre um artigo e outro que escrevia para os jornais Última Hora e O Dia e para as revistas Cláudia e Contigo, reunia farto material para os seus livros. O primeiro da trilogia psicanalítica, lançado em 1985, entrou rápido na lista de best-sellers: ‘Emoções no divã de Eduardo Mascarenhas’.
Um intelectual de esquerda
A essa altura, ele e Pellegrino já haviam sido expulsos da Sociedade Brasileira de Psicanálise porque questionaram o poder dos analistas didatas, com cargos vitalícios, nas associações. Um pouco depois, ingressou na cena política de corpo e alma. Recebeu o apoio de amigos, entre eles a mulher, Christiane Torloni, e o ex-sogro, Magalhães Pinto. “Ele sempre me dizia que eu ia acabar entrando na política. Ele é um liberal clássico, enquanto sou um intelectual de esquerda, um socialista democrático”, afirmou Eduardo, numa entrevista. Na ocasião, Torloni pontuou: “Ele, há muito tempo, inconscientemete, era um político porque trabalha com a felicidade do ser humano”.
Quando casou com a atriz, Eduardo estava com 40 anos, e ela, com 26. Eduardo morava na Lagoa e o apartamento acolhia com folga as filhas dele e os filhos dela, os gêmeos Leonardo e Guilherme, da união com o diretor Dênis Carvalho. A respeito da participação ativa de Torloni na sua campanha eleitoral, o psicanalista declarou: “Ela é muito conhecida e faz mais sucesso que eu onde nos apresentamos. Christiane é meu cabo eleitoral, mas sem a pretensão de ser uma superstar. Ela não está fazendo política por demagogia, mas por ser este um sentimento verdadeiro dela”. Em 1986, conheceu Regina Miranda e se encantou pela dança: “Não posso sonhar em fazer o que Regina faz no palco, mas gosto de expressar nossa parceria dançando com ela na vida”, costumava dizer aos amigos. Neste ano, publicou ‘A costela de Adão – Cartas a um psicanalista’, e, em 1990, ‘Alcoolismo, drogas e grupos anônimos de ajuda mútua’.
Deve ter sido interessante para o psicanalista escrever justamente sobre álcool, levando-se em conta que ele estava, usando um termo da década, ‘na crista da onda’ e era convidado para a maioria das festas, nos endereços e com as personalidades mais badaladas do momento. “Eduardo nunca foi contra o álcool, mas sabia da devastação que pode acontecer quando alguém sofre de alcoolismo. Ele usou seu conhecimento e seu prestígio para indicar soluções. Até hoje pessoas me ligam para agradecer”, conta Regina. A chegada dos anos 90 trouxe a política de vez para o centro de atuação de Eduardo. Com audácia, ele convidou Regina para coordenar sua campanha eleitoral. “Primeiro levei um susto: afinal, uma coreógrafa dirigindo uma campanha eleitoral? Mas não apenas a experiência foi bem sucedida, como me deu a oportunidade de expandir o meu campo de trabalho, que passou a incluir a coreografia social e a diplomacia cultural”, diz ela, atual diretora do The Laban/ Bartenieff Institute of Movement Studies (LIMS), em Nova York, e coordenadora do coletivo Cidade Criativa: Transformações Urbanas, no Rio de Janeiro.
Eduardo trocou o consultório pelo gabinete com tranquilidade. Entre 1991 e 1994, foi suplente na Câmara Federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1993, migrou para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e se reelegeu deputado para a legislatura de 1995 a 1998. Em 1994, lançou mais um livro, ‘Brasil, de Vargas a Fernando Henrique’, sobre a vida política e econômica brasileira. Tudo corria bem até que um câncer interrompeu a sessão de Eduardo Mascarenhas. Na véspera de mais um aniversário de nascimento do ex-marido, Ana Lúcia Magalhães Pinto analisa: “Acho que ele pensava em viver muito, mas, acima de tudo, em viver intensamente como viveu, cheio de entusiasmo, criatividade e generosidade. As expectativas eram muitas, ele sempre foi do muito. Era determinado e dedicado à profissão, tanto como psicanalista quanto como deputado. Não fazia nada pela metade”.
Publicada na revista Carioquice
Antes da invenção da web, o mundo chegava às pessoas pelas ondas do rádio e foi através da caixinha mágica que o violão pulou dos saraus para um lugar de destaque na história da música popular brasileira. Desde o nascimento do rádio, o instrumento já pontuava as primeiras apresentações transmitidas ao vivo e revelava o trabalho dos compositores. A partir de 20 de julho, o CCBB Rio vai homenagear essa velha parceria do rádio com o violão numa série de cinco shows realizados até novembro. Nesses encontros, o repertório dos pioneiros será depurado pelos contemporâneos Guinga, Marco Pereira, Paulo Bellinati, Weber Lopes, Mauricio Carrilho, João Lyra, Caio Cezar, Eustáquio Grilo, Lula Galvão mais os rapazes do Quarteto Maogani e as cantoras Mônica Salmaso (foto), Ná Ozzetti e Clara Sandroni.
‘Acordes do Rádio: 90 anos do violão brasileiro’ fará um painel do violão brasileiro, sempre em constante renovação e assunto inesgotável. “Além de obras raras, resgatamos fotografias inéditas de muitos violonistas da primeira metade do século XX, sobretudo autores que são pouco lembrados atualmente, como os nordestinos Romualdo Miranda, Alfredo Medeiros, Milton Dantas e Zé do Carmo”, diz o jornalista Alessandro Soares, curador e diretor musical da série. Haverá um encontro por mês, sempre às terças-feiras, com sessões às 12h30 e às 19h. Cada artista vai interpretar cerca de seis canções, do próprio repertório e dos grandes compositores do violão e dos eruditos Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali.
O passeio segue pelos grandes pioneiros do violão popular como Américo Jacomino, Quincas Laranjeiras, Sátyro Bilhar e João Pernambuco. O dedilhado cuidadoso dos anos 40 e 50 de Dilermando Reis, Meira, Dino Sete Cordas e Garoto e os gênios de Baden Powell e Canhoto da Paraíba nos 60 e 70 fecham o ciclo de autores que até os dias que correm influenciam as gerações de violonistas. “O fio condutor desse processo é a maneira como a música brasileira de violão foi sendo difundida pelo rádio ao longo do tempo até hoje, com a geração digital”, explica o curador, também violonista. A assessoria de imprensa da série é minha em parceria com Marcelo Pacheco.
O show de abertura será no dia 20 de julho, com o violonista mineiro radicado em Barsília, Eustáquio Grilo (ao lado, com seu instrumento) e a cantora paulistana Ná Ozzetti. “Grilo resgata Armandinho Neves (‘Dono da bola’ e ‘Guru’) e temas desconhecidos do Dilermando Reis (‘Alma nortista’ e ‘Caxinguelê’), além de uma composição do paraguaio Agustin Barrios feita em ritmo de maxixe. O músico tocará, ainda, duas criações de João Pernambuco bem conhecidas (‘Dengoso’ e “Interrogando’), mas fazendo um arranjo à maneira de João, com o som de dois violões em um só”, explica Alessandro Soares. O roteiro cresce com “Murmurando”, inédita de Milton Dantas mais “Tocata Brasília”, de Eustáquio Grilo.
Em seguida sobe ao palco Ná Ozzetti, acompanhada pelos violonistas Marcos Alves e Carlos Chaves, do Quarteto Maogani. Ná recorda Meira (“Aperto de mão”, em parceria com Augusto Mesquita) e João Pernambuco (“Meu Noivado”, lançado em 1929, por Jararaca). A cantora mantém o clima da Era Rádio com “Quantos Beijos” (Noel Rosa), relembrando o início de sua carreira no grupo Rumo, além de “Mensagem” (Cícero Nunes e Aldo Cabral) e sambas imortalizados por Carmen Miranda (“Recenseamento” e “Camisa Listada”, de Assis Valente, entre outros). “Canto em qualquer canto”, sucesso de Ná e Itamar Assumpção também está no roteiro.
PROGRAMAÇÃO
Eustáquio Grilo e Ná Ozzetti – 20 de julho
Guinga, Lula Galvão e Mônica Salmaso – 17 de agosto
Quarteto Maogani e Caio Cezar – 21 de setembro
Marco Pereira, Mauricio Carrilho e João Lyra – 19 de outubro
Duo Paulo Bellinati & Weber Lopes e Clara Sandroni – 16 de novembro
Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB Rio) – Rua Primeiro de Março, 66, Centro. 155 lugares. Informações: (21) 3808.2020. A bilheteria funciona de terça a domingo, das 9h às 21h.
Apresentador da nova temporada do Estúdio 66, programa que reestreia em agosto no Canal Brasil, o pianista e acordeonista Marcos Nimrichter está trabalhando a pleno vapor: “Toquei recentemente com a banda Ouro Negro, no Lincoln Center, em Nova York, e participei do novo CD do guitarrista Victor Biglione, ‘Tangos Tropicais’, produzido pelo Nelson Motta, com canções brasileiras interpretadas com ar portenho. Esse disco vai ser lançado nas próximas semanas pela Biscoito Fino. Além disso, vou rodar o Brasil em julho e agosto com a turnê do Afrosambajazz, que revisita a música de Baden Powell”, enumera o músico.
E se você pensa que tudo isso é muito, ainda tem mais: Marcos Nimrichter foi convidado para fazer a trilha sonora do programa Sangue Latino, que está na grade do Canal Brasil desde maio último. Compôs livremente temas como “Neptune”, “Caminhoá” e “Mergulhadores” (este em parceria com Mauro Senise), entre outras, todas de estalo. A série de entrevistas comandadas pelo jornalista Eric Nepomuceno seria pontuada com improvisos em cima das imagens de importantes personalidades da América Latina, mas uma performance de Chico Buarque ao piano inspirou a produção a modificar o projeto.
“A ideia inicial era que todas as músicas fossem compostas na hora, sem associação prévia com as imagens já gravadas. Porém, durante a entrevista que havia sido feita com Chico, o próprio sentou-se ao piano que herdou da avó e dedilhou algumas notas de ‘Clair de Lune’, de Debussy, e da ‘Valsa do Adeus’, de Chopin. Isso motivou o Felipe (filho de Eric) Nepomuceno a perguntar se eu poderia tocar essas músicas também”, rebobina. Peças clássicas como “Sonata ao Luar”, de Beethoven, e “Cenas Infantis”, de Schumann, foram acrescentadas aos improvisos do piano de Marcos Nimrichter.
O que não estava no script era que uma composição dele se destacaria a ponto de ganhar vida própria: “Querência” virou um programa especial. Produzido pela Urca Filmes, com direção de Felipe Nepomuceno, fotografia de Breno Cunha e som de Duda Mello, Querência será exibido pelo Canal Brasil no dia 27 de junho de 2010, às 21h, com reprise na segunda, 28, às 16h30. “Imagens oníricas feitas para o Sangue Latino foram misturadas às imagens captadas durante as gravações, em câmeras de alta resolução. O resultado é uma surpreendente combinação de música, poesia, cinema e fotografia”, adianta o músico. O especial será lançado, em breve, nos formatos DVD e Blu-ray.
Entre agosto e outubro próximos, o premiado Quarteto Radamés Gnattali vai apresentar uma nova série de concertos didáticos em escolas da rede pública de 15 cidades brasileiras, localizadas nos estados do Ceará, do Mato Grosso do Sul e de Tocantins (*). Em virtude do sucesso da primeira edição, em 2009, o projeto ganha um site com maior oferta de conteúdo, que pode ser acessado no endereço virtual <www.obrasildetuhu.com.br> e ganha também um nome mais identificado com a proposta de circular pelo país: O Brasil de Tuhu – Concertos Didáticos. O lançamento de ambos será em 18 de junho, às 14h, no Museu Villa-Lobos (Rua Sorocaba, 200, em Botafogo, Rio de Janeiro) com um concerto gratuito aberto ao público em geral.

Os músicos se basearam no antológico ‘Guia Prático’ (1932), de Heitor Villa-Lobos, para selecionar e adaptar o repertório que será mostrado aos jovens dos ensinos fundamental e médio, com a intenção de estimular seu interesse e percepção musicais. Carlos Boltes assina os arranjos, sob a coordenação pedagógica e direção musical de Carla Rincón, primeira violinista do Quarteto Radamés Gnattali, à frente das apresentações nos estados. O patrocínio é do Instituto Votorantim e da Votorantim Cimentos, com planejamento e produção executiva da Baluarte Agência e assessoria de imprensa minha.
Popularizar a música erudita é um principais dos lemas do quarteto. “Esse ano, a nossa mensagem será um pouco mais voltada para a música do que para a história. Vamos continuar usando o Guia Prático, mas queremos mostrar aos alunos o que é uma partitura, quais são as notas musicais”, exemplifica Carla Rincón, nascida em Caracas e formada pelo renomado sistema de orquestras infantis e juvenis da Venezuela. “Interagimos com a platéia durante os concertos e não há nada melhor do que ver a resposta imediata do que acabamos de tocar. Eles perguntam e nós respondemos, o que só nos aproxima”, ensina.
“É emocionante ver como a garotada aprende rápido as noções de melodia e ritmo que passamos, através de cirandas, cantigas de roda e temas folclóricos pesquisados por Villa-Lobos”, diz o violista Fernando Thebaldi. Carla e Fernando não vêem a hora de compartilhar as alegrias dos concertos didáticos com os os dois novos integrantes do conjunto: o violinista chileno Francisco Roa e o violoncelista gaúcho Hugo Pilger. Francisco foi convidado no final do ano passado, depois de substituir a Carla em alguns concertos. “Todos os projetos do quarteto são muito empolgantes”, comenta. Hugo Pilger, um dos músicos eruditos que mais gravam com artistas populares, está animado. “Foi uma proposta irrecusável porque o quarteto têm como norte a música brasileira”, admite. A dupla ingressou no grupo num ótimo momento.
Vitória para a música brasileira de concerto
O Quarteto Radamés Gnattali venceu recentemente o XIII Prêmio Carlos Gomes, na categoria ‘Conjunto de Câmara de Música Erudita’, pela execução da integral dos quartetos de cordas de Villa-Lobos e pelo projeto Concertos Didáticos. Para Fernando Thebaldi, levar esse troféu para casa foi “uma grande vitória para a música brasileira de concerto e uma enorme motivação para que continuemos explorando esse fantástico acervo, com extensões para a música latinoamericana de câmara também”. Mas o maior prêmio do conjunto é fazer a sua parte no que diz respeito à aprovação da Lei 1.1769, de 2008, que torna obrigatório o estudo de música nas escolas.
“Vamos continuar avaliando os resultados dos concertos através de questionários e esperamos que as respostas desse ano sejam ainda melhores. Em 2009, quase 4 mil alunos participaram dos concertos. Cerca de 70% deles nunca haviam assistido a uma apresentação de música clássica e mais de 90% aprovaram o conteúdo apresentado”, calcula Fabiana Costa, diretora da Baluarte Agência e coordenadora do projeto. “Estamos bastante entusiasmados para continuar rodando o país com O Brasil de Tuhu – Concertos Didáticos. Esperamos levar a música de Villa-Lobos para muito mais jovens nos próximos anos”.
(*) Em 2010, o projeto será realizado no CEARÁ (Horizonte, Maracanaú, Sobral, Itapipoca e Fortaleza), no MATO GROSSO DO SUL (Corumbá, Campo Grande, Ladário, Bonito e Aquidauana) e em TOCANTINS (Palmas, Xambioá, Paraíso, Gurupi e Araguaína)
Dona de um passaporte para lá de carimbado, Christine Fernandes nasceu em Chicago, mas descobriu a pátria brasileira ainda na infância. Mais tarde, rodou o mundo levada por uma bem sucedida carreira de modelo. Morou dois anos no Japão, trabalhou com afinco na Europa, no Canadá e nos Estados Unidos. Até se encantar com a TV. Estreou em horário nobre da Rede Globo, na novela ‘História de amor’ (1995), de Manoel Carlos, e agora interpreta a médica oncologista Ariane, na trama global Viver a vida’, do mesmo autor. Fazendo as contas, são quinze anos de teledramaturgia, treze novelas, sete longas metragens e uma peça. Christine revela que prepara dois espetáculos, uma comédia e um drama, para 2011. Há vontade de encarar novos desafios no cinema também. “Para fazer um novo filme agora, preciso de um diretor que admire, um roteiro que me sacuda e uma personagem que me escolha”, diz a atriz, casada com o ator Floriano Peixoto, com quem tem um filho, Pedro, de 6 anos. A bela casa da família, no Rio de Janeiro, serviu de cenários para as fotos desta entrevista. A seguir, Christine fala sobre momentos importante de sua carreira, de suas viagens pelo mundo e de seus planos para o futuro.
Leia a matéria Expandindo horizontes, publicada na revista Voetrip!
Um grafiteiro que se preze evita mostrar o rosto e nunca divulga seu nome verdadeiro. Com Mundano não seria diferente. Até porque o trabalho do rapaz de 24 anos é cercado de tintas políticas. Não que ele seja candidato a algum cargo público. Longe disso! Mundano gosta mesmo é de incomodar as pessoas a ponto de fazer com que pensem. E, para isso, dispara mensagens que saltam dos muros emolduradas por rostos desconstruídos, nos quais sobram olhos grandes, narizes largos e cores, muitas cores. Os mesmos personagens aparecem em quase uma centena de carroças paulistanas. Sim, porque Mundano criou um projeto super interessante com os carroceiros da cidade que ele define como cinza. “Uma das minhas frases favoritas é ‘São Paulo é um cinzeiro’. O cinza predomina no asfalto, nos prédios, no céu”.
Batizado como ‘São Paulo 100 carroças’ e que virou ‘Cidade Reciclável’ quando ele organizou material para expor na Asa 70, uma galeria em São Paulo, o projeto foi idealizado com a finalidade de atuar como porta-voz dos catadores de materiais reutilizáveis na cidade. “Estava pintando um muro numa noite, há cerca de três anos, e conheci um carroceiro que tinha uma das carroças mais cheias que já vi. Resumindo a história: só consegui pintar os pneus dele, de tanta coisa que tinha amarrada nas laterais”. Mundano se surpreendeu com a sabedoria daquele homem simples e começou a bolar frases, na linha de ‘Eu reciclo. E você?’, ‘Meu carro não polui. E o seu?’ e ‘Meu trabalho é honesto’. Instigante.
Imediatamente, o artista notou uma mudança na auto-estima dos carroceiros, que passaram a posar para fotografias até de turistas ao lado de seus veículos pintados. Até a data de fechamento desta edição, Mundano havia deixado suas digitais coloridas em 79 carroças. Enquanto desvenda, com trocadilho, mundos com essas pessoas de fora do seu círculo social, o artista descobre lugares que jamais pisaria não fosse o grafite. Quem acompanha suas intervenções nas ruas, em breve poderá ver uma compilação desse material singular em um livro, no qual ele trabalha sem pressa. Mundano reconhece que os veículos improvisados atrapalham o trânsito já caótico de São Paulo. Em alguns grafites, ele cutuca: ‘Você passa mais tempo no trânsito do que com sua família’. No entanto, rejeita o título de ‘marginal’ usado em referência à atividade dessa gente humilde. “É um trabalho digno como o meu, de grafiteiro”.
Não por acaso, Mundano anda às turras com a Prefeitura de São Paulo, que vem apagando seus desenhos e tratando sua arte como sujeira. Isso porque no Brasil as pessoas tendem a simpatizar com o grafite (favor não confundir com pichação). Em meados de 2009, o rapaz trocou o Brooklin paulistano pelo Brooklyn novaiorquino durante um mês e observou que a vigilância daqui é fichinha perto do policiamento de Nova York. Detalhe: estamos falando da cidade onde o grafite nasceu. “As ações lá têm que ser muito mais rápidas, de preferência com dois artistas ao mesmo tempo, coisa de um minuto”. Das quatro semanas em NY, ele usou a metade para produzir as telas que expôs na galeria Factory Fresh. “No tempo restante visitei museus, circulei bastante e me arrisquei pintando nas ruas”, enumera.
Com a colaboração dos artistas Loro Verz e Apolo Torres, parceiros na temporada em Nova York, Mundano construiu uma carroça gringa para a mostra. “Usamos apenas materiais achados nas ruas de Nova York. E era tanta coisa boa que me espantou. Eles compram uma televisão nova, por exemplo, e jogam no lixo a antiga, mesmo que não esteja quebrada”. Antes dessa experiência, a arte de Mundano já havia rodado uma parte do globo terrestre, através de escambos de trabalhos com artistas argentinos, franceses, coreanos, israelenses e americanos. “Vendi recentemente pinturas minhas para colecionadores da Inglaterra, do Japão e da Itália”.
Embora sua identidade real permaneça oculta, como uma espécie de Clark Kent escondido atrás de um par de óculos e do crachá de repórter, o grafiteiro faz questão de explicar a escolha do pseudônimo: “Mundano é o trabalhador que viaja como sardinha em lata por mais de duas horas diárias para ir e voltar do trabalho, é a moça que assiste à novela anestesiada, é o gari que tenta limpar a cidade emporcalhada pela corrupção. Mundano é o carroceiro que recicla o lixo produzido pelo cidadão mundano que buzina, é o operário que come poeira a vida inteira para sustentar os filhos, é a criança que se cria numa cidade monstruosa como São Paulo, onde os valores que importam estão desaparecendo”.
Embora a maneira ideal de ver a arte de Mundano seja nas ruas de São Paulo, visite: www.flickr.com/photos/artetude
Perfil publicado na Voetrip de maio
Todos aprendemos no colégio que o Brasil faz parte da América Latina, mas será que existe um intercâmbio musical entre os países vizinhos? Deveria – inclusive mais pelas diferenças do que pelas semelhanças, o que promoveria uma troca bastante fértil. Foi pensando nisso que o chileno Arturo Cussen, músico da banda Songoro Cosongo, rabiscou as linhas gerais da série AFROLATINIDADES, a ser apresentada em maio e junho no Teatro II, do Centro Cultural Banco do Brasil, com produção da Baluarte Agência e assessoria de imprensa minha. A proposta é traçar um panorama da atual música afrolatina, com atrações nacionais e internacionais, entre elas artistas que nunca se apresentaram no nosso país (caso do legendário Francisco “Pancho” Amat, de Cuba) e outros que já dialogam com o cancioneiro brasileiro há décadas, como o uruguaio Hugo Fattoruso, que gravou com Chico Buarque e Maria Bethânia.

Formada em 2005, no Rio de Janeiro, por músicos da Argentina, Colômbia, Venezuela, do Chile e do Brasil, a Songoro Cosongo será a banda residente de toda a série, em cartaz nos dias 11, 18, 25 de maio e 1 de junho, às 12h30 e às 19h, com ingressos a R$ 6. A banda exemplifica muito bem o mote do projeto, já que cada integrante veio de um país da América Latina. “Vamos ilustrar musicalmente dois países por show, o que é um desafio dos grandes. Penso em repertórios que sejam muito gostosos de acompanhar, seja tocando ou ouvindo”, diz o curador, ele mesmo um estudioso dos ritmos latinos. Arturo Cussen já rodou muitos lugares com a finalidade de pesquisar música. Foi assim, aliás, que pisou em solo brasileiro.
É interessante notar que a maioria das atrações da série AFROLATINIDADES faz mais shows na Europa do que em seus países nativos. Você também já viu esse filme? Pois é. Acontece o mesmo por aqui. Alguns de nossos melhores instrumentistas estão radicados no exterior, tamanha a oferta de trabalho e o prestígio de seus nomes lá fora. E o mesmo ocorre com os oito elementos do Songoro Cosongo, especialistas em misturar ritmos como salsa, merengue, frevo, choro, jazz e afro-beat para o nosso ouvido ainda destreinado (quiçá por pouco tempo!). AFROLATINIDADES vem aí para desmistificar a verdadeira música latina aos brasileiros. Ao todo, serão quatro shows de riqueza singular, assim distribuídos:
11 DE MAIO
TROPICALIDADE CARIBENHA: CUBA E CENTRO AMÉRICA
CONVIDADOS: FRANCISCO “PANCHO” AMAT E RENÉ FERRER
Pela primeira vez no Brasil, Francisco “Pancho” Amat virá fazer a abertura do AFROLATINIDADES, ao lado da rapaziada do Songoro Cosongo. “Pancho” é compositor, arranjador e um conceituado tocador de Tres Cubano, um violão adaptado para as exigências naturais da música do seu país. “Muito respeitado em Cuba, ele é ‘O’ cara”, segundo Arturo. O mais requisitado intérprete de Tres nas produções locais, já compartilhou acordes com artistas do peso de Cesária Évora, Ry Cooder e Pablo Milanés. O outro convidado destes shows será o cantautor René Ferrer, radicado há quase uma década no Rio de Janeiro, e um legítimo representante da trova cubana. Os gêneros mais tocados neste dia serão SALSA, SON CUBANO e BOLERO.
18 DE MAIO
BATIDAS MISTAS: COLÔMBIA E VENEZUELA
CONVIDADOS: ALINE GONÇALVES E CHEO HURTADO
O Songoro Cosongo vai receber a brasileira Aline Gonçalves, voraz pesquisadora de instrumentos de sopro latinoamericanos autóctones, como a gaita colombiana, similar a um pife, de origem indígena. E o convidado internacional será Cheo Hurtado, exímio tocador do 4 venezuelano – um violão menor, com som percussivo. Dono de uma técnica impressionante, Cheo faz parte do quarteto Ensemble Gurrufio, que interpreta uma música complexa como o nosso choro e, inclusive, está gravando um disco com o bandolinista Hamilton de Holanda. Cheo também atua como solista e ajuda a difundir a música do seu país pelo planeta. Os gêneros da vez serão JOROPO, CUMBIA e PUYA.
25 DE MAIO
CADÊNCIA DOS ANDES: CHILE E PERU
CONVIDADOS: HORÁRIO SALINAS E RICARDO BARTHA
Do Chile, virá o renomado violonista Horário Salinas. Compositor e arranjador com expressiva atuação político-musical nos anos 70, foi amigo pessoal de Violeta Parra e Victor Jara e colaborou com muitos artistas do mundo, como Wynton Marsalis, Peter Gabriel, Mercedes Sosa e John Williams. Sua criação incorpora a condição cultural da América Latina, fazendo uma mistura das tradições espanholas com a música pré-hispânica e a herança africana. É diretor musical do Inti-Illimani Histórico, banda com mais de 30 álbuns no currículo, que esteve no Brasil pela última vez há 17 anos. Já Ricardo Bartha, cantor e líder da banda Negro Mendes, vai representar a musicalidade do Peru. “Ele é um jovem interessante, professor e compositor e tem um acervo gigante de música peruana. Mora no Rio há dez anos”, pontua Arturo. Os gêneros tocados neste dia serão CUECAS E TONADAS chilenas mais LANDÓS e FESTEJOS peruanos.
1 DE JUNHO
CENTROS URBANOS: ARGENTINA E URUGUAI
CONVIDADOS: RENE ROSSANO E HUGO FATTORUSO
O argentino René Rossano toca guitarra no Songoro Cosongo e vai trazer um baú de inéditas para o AFROLATINIDADES. Arturo brinca, dizendo que ele é um raros compositores que não se interessam em registrar a própria obra. Enfim, vamos conhecer esse material ao vivo no CCBB! Em outra época, o tecladista uruguaio Hugo Fattoruso atuou bastante no Brasil e gravou com Hermeto Pascoal, Toninho Horta, Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Naná Vasconcelos, Miúcha, Geraldo Azevedo e Milton Nascimento, entre outros. “É o único convidado internacional que tem um vínculo com o país”, assinala Arturo. Também compositor, arranjador e vocalista, Hugo é um músico fundamental para entender a sonoridade uruguaia. O público vai ouvir TANGOS, MILONGAS e CANDOMBES.





