jan
18

up laranjaPara celebrar o seu primeiro quarto de século em atividade e também a sua estreia como um dos Polos Cariocas de Circo – patrocinado pela Prefeitura do Rio, através do Programa Viva o Circo!, da Secretaria Municipal de Cultura –, a Up Leon abre as portas da sua sede, em São Cristóvão, no dia 23 de janeiro, uma sexta-feira, às 20h, para apresentar uma seleção de 25 dos melhores números criados pela companhia nesses 25 anos. A entrada é gratuita!

Mais de 30 artistas circenses se revezam em números de excelência, realizados em solos, duos, trios e coletivos, com malabares, trapézios, acrobacias e monociclos. O Pas de Deux Acrobático, por exemplo, é apresentado por Ana Carolina e Juliano, artistas que iniciaram os seus treinos circenses no Afroreggae, ainda na infância. Há 7 anos, são eles que levam aos palcos do renomado Europa Park esse que é considerado um dos números de maior qualidade técnica da companhia.

Outro momento de destaque é o Happy Jonglage, um número de malabarismo alto astral, no qual quatro virtuosos malabaristas realizam câmbio de claves e passes de forma divertida e ágil ao som chiclete de “Happy”, do americano Pharrell Williams. Já os famosos monociclos da Up Leon, que deram origem à companhia, são reeditados em grande estilo, com 12 monociclos de diversos tamanhos e uma trupe de 15 versáteis artistas que faz um número de equilíbrio e destreza sem igual.

“É emocionante ver o quanto deu certo o caminho inverso que fizemos. No curso natural da vida, a gente se especializa e, só depois, faz carreira no exterior. Com a Up aconteceu justamente o contrário (risos). Éramos quatro cariocas recém formados pela Escola Nacional de Circo e, de imediato, deslanchamos na carreira internacional. Crescemos e nos tornamos adultos no exterior. E, agora, na melhor fase da maturidade, retornamos às nossas origens para brindar esses 25 anos com a nossa gente. Estamos muito, muito felizes!”, exulta Olga Dalsenter, fundadora e produtora executiva da Up Leon.

Up Leon 25 anos

QUANDO: Sexta, 23 de janeiro, às 20h

ONDE: Rua Francisco Eugenio, 94 – São Cristóvão (próximo à Estação da Leopoldina). Informações pelos telefones (21) 3860.5668 | 3241.6299

QUANTO: Gratuito

ETCÉTERA: Censura livre

jan
11

A cantora Ana Costa faz um recorte vibrante da obra lusófona de Martinho da Vila no CD e DVD “Pelos Caminhos do Som” (Biscoito Fino), que será lançado no Teatro Rival Petrobras no dia 13 de janeiro, uma quarta-feira, às 19h30, com ingressos de R$ 30 a R$ 60. Uma das convidadas do disco, a cantora e compositora Zélia Duncan, parceira de Ana, participa também do show.

ana-costa
O objetivo deste registro é chamar a atenção para a importância da criação de Martinho, sambista consagrado, pesquisador incansável dos variados ritmos brasileiros e considerado o embaixador da música brasileira dos países de língua portuguesa. Foi ele quem propôs o chamado “traço de união” entre as nações de língua portuguesa, misturando sambas que estão no imaginário de todos nós com belas composições menos conhecidas do bamba.

Ana canta com propriedade o repertório de Martinho, tamanha é a identificação que desenvolveu com a sua obra, reforçada pela intimidade e carinho que nutre pelo universo do mestre. A direção geral é de Bianca Calcagni e a direção artística, de Analimar Ventapane, filha do homenageado. Julio Florindo assina a direção musical, Iza Valente o cenário e é Aurélio Oliosi quem faz o design de luz. O show foi produzido pela Zambo e pela MDM e coproduzido pelo Canal Brasil.

“Esse espetáculo foi pensado à partir do álbum ‘Lusofonia’, lançado em 2000, no qual Martinho exalta a música e a cultura dos países lusófonos, mas também exalta as belezas do nosso país. São composições de Angola, Moçambique, Portugal e Timor Leste que o Martinho releu e criou versões. É fato que vemos alguma semelhança entre as músicas deles e a nossa e o show é resultado desse flerte do Martinho. Desde os anos 80, ele viaja todos os anos para esses e outros países de língua portuguesa a fim de garimpar as suas preciosidades sonoras”, diz Ana Costa.

No roteiro, “Fazendo as malas” (de Martinho e Rildo Hora), “Samba dos ancestrais” (dele com a saudosa Rosinha de Valença), a recente “Filosofia de vida” (feita a seis mãos com Marcelinho Moreira e Fred Camacho), as famosas “Odilé odilá” (parceria dele com João Bosco, que Ana Costa regravou no Sambabook do Martinho), “Traço de união” (mais uma da dupla Martinho/ João Bosco), “Canta canta, minha gente” e “Madalena do Jucú”, uma versão dele para uma cantiga de domínio público. Esta última foi registrada no clássico “O canto das lavadeiras”, de 1989, um disco inspirado no folclore brasileiro. A faixa que nomeia o projeto, “Pelos caminhos do som”, também saiu desse elepê antológico.

Para mostrar essas obras-primas ao vivo, Ana Costa estará acompanhada por Julio Florindo (no contrabaixo), Maurício Massunaga (no violão, na guitarra e no bandolim), Alessandro Cardozo (no cavaquinho), Daniel Félix (na percussão), André Manhães (na bateria), Antonio Guerra (no teclado)e Verônica Bonfim e Jussara Silva (nos vocais). A cantora Zélia Duncan fará uma participação especial no lançamento.

Por Monica Ramalho
Foto da Cristina Granato

jan
07

Escolhida para ser um dos quatro Polos Cariocas de Circo, a Up Leon aceitará inscrições, até o dia 14 de janeiro, de artistas e coletivos dispostos a fazer a residência artística na sede da companhia, em São Cristóvão. Neste 2016, a Up Leon completará 25 anos dedicados à arte circense ao redor do mundo. Nos dias 22 e 23 de janeiro, abrirá o seu galpão para celebrar o quarto de século reeditando os melhores números que vêm encantando o público europeu. Os espetáculos serão gratuitos.

malabarismo

Inspirado no modelo semelhante que reavivou a cena circense da França, o programa adaptado pela Secretaria Municipal de Cultura vai capacitar gratuitamente 40 grupos e artistas. Ao fim de seis meses, cada um terá o seu plano de negócios, identidade visual e um espetáculo pronto para rodar o país.

A sede da Up Leon servirá como espaço de ocupação artística para a idealização de espetáculos, números e performances, além do treinamento altamente qualificado em técnicas e habilidades como acrobacias de solo, malabares e equilibrismo em pernas de pau e monociclos. Cada Polo Carioca de Circo deverá transmitir para as novas gerações características e saberes que dominam no universo do picadeiro. Esse intercâmbio pretende favorecer a circulação de ideias e trocas de experiências entre os jovens criadores.

A comissão avaliadora do programa será composta por representantes da Prefeitura, da SMC e da Up Leon. Originalidade, experimentação e qualidade artística estão entre os critérios com peso de decisão para a escolha dos novos residentes, que desenvolverão trabalhos em uma das quatro instituições aceleradoras das artes cênicas no Rio de Janeiro. Os interessados devem se informar sobre a expertise de cada grupo antes de se candidatar. Crescer e Viver, Cia. Off-Sina e Teatro de Anônimo são os outros Polos que formam o programa. O resultado da Up Leon sai até o dia 24 de janeiro.

As inscrições podem ser feitas pessoalmente na sede da companhia (Rua Francisco Eugênio, 94, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20941-120) ou por Sedex, enviado até às 18h do dia 14 de janeiro de 2016. O envelope deve conter o nome do artista ou coletivo com o formulário preenchido (disponível no site da Up Leon), cópia do RG, comprovante de residência e fotos, vídeos ou materiais que comprovem a atuação dos artistas. O regulamento completo está disponível para consulta no site: www.upleon.com.br

dez
14

SOU-MG-INSTA-ONMaria Gadú, Tulipa Ruiz e Mariana Aydar estão convidando amigos para cantarem juntos, no dia 21 de dezembro, no Espaço Américas, em São Paulo, pelas vítimas da tragédia de Mariana. Toda a renda do show, com entrada a R$ 40, será revertida para as áreas da Bacia do Rio Doce que foram destruídas pela lama da barragem que se rompeu no início de novembro. Organizado pelo coletivo #SouMinasGerais, o show terá direção artística de Gadú, direção musical de Marcio Arantes, design e vídeo cenário de Bijari e produção da Taregué em parceria com a Pommelo. Entre os convidados confirmados estão Ney Matogrosso, Emicida, Ana Cañas e Filipe Catto.

A verba arrecadada será destinada integralmente a um fundo filantrópico, gerido pelo Sitawi Finanças do Bem e coordenado pelo Greenpeace, para viabilizar uma pesquisa ampla, profunda, transparente e independente sobre os impactos da tragédia na região. Como forma de mobilizar a sociedade civil para apoiar o fundo, o núcleo criativo 2020 articulou com a entidade ambientalista o projeto colaborativo #riodegente.

“Acreditamos que só um #riodegente – todos nós juntos – pode fazer a diferença de forma permanente e sustentável para que o meio ambiente e as populações afetadas pela tragédia de Mariana se recuperem e que situações como esta não se repitam”, afirma o diretor executivo do Greenpeace no Brasil, Asensio Rodrigues.

Ainda no show, o público será recebido por um “live paint” feito por dez renomados artistas da street art em telas individuais criadas ao longo da noite. Exclusivas, as obras serão vendidas no local e também em canais online, todas por R$ 3 mil. A lista completa dos artistas será divulgada nas mídias sociais do show beneficente.

Este será o segundo show produzido pelo coletivo #SouMinasGerais. O primeiro foi realizado em Belo Horizonte, na Esplanada do Mineirão, no dia 8 de dezembro, com Caetano Veloso, Jota Quest e Criolo e as participações especiais de Milton Nascimento, Tulipa Ruiz e Emicida.

Para garantir o seu ingresso, doe R$ 40 pelo site: www.sympla.com.br/souminasgeraisSP

dez
14

“Vovô Bebê” (independente), o primeiro álbum do compositor, arranjador e produtor musical Pedro Dias Carneiro, está disponível para download gratuito a partir desta segunda, 14 de dezembro, no site oficial www.vovobebe.com. Vídeos, fotos, informações e links de trabalhos que dialogam com o disco alimentam a página www.facebook.com/vovobebevovobebe e todas as faixas podem ser ouvidas em streaming no www.soundcloud.com/vovobebe/sets/vov-beb

pedro
Concebido por Pedro e Chico Neves entre 2009 e 2014, “Vovô Bebê” é um apanhado afetivo de canções registradas entre a casa de Pedro, no Rio de Janeiro, e os estúdios de Chico, no Rio e em Belo Horizonte, onde o produtor vive há três anos. A arte do disco, caprichada, detalhista e com pedaços de fotos antigas impressas, foi feita pelos designers Felipe Bardy e Guga Liuzzi. Acompanha, ainda, um livreto biográfico do artista. Os instrumentos são, em sua maioria, tocados por Pedro e Chico, com participações especialíssimas de Guinga (violão), Conrado Kempers (violino e dilruba), Marcelo Caldi (acordeon) e Pedro Braga (piano).

“Nenhuma das músicas tem bateria e a percussão aparece em duas ou três faixas”, diz o jovem artista. Pode-se dizer que a sonoridade do disco foi praticamente concebida durante as gravações. Todas as canções são da autoria de Pedro, com exceção de “Saudade do Cordão”, parceria dele com Guinga. O repertório é autoral inédito e marca a estreia do músico de 30 anos, que compõe desde os 10 anos. O disco traz 10 faixas, cinco para cada lado: A e B.

A tradição e o experimentalismo andam juntos na personalidade musical do compositor, que faz uma música paradoxal: às vezes simples, às vezes complexa, às vezes leve e, outras, densa. É, com certeza, um disco original, repleto de dor e beleza, agressividade e acalanto. Difícil enquadrá-lo num gênero ou categoria, já que ele transita por vários lugares, com muitas cenas e informações. Há um jovem, um bebê e um senhor ali. Há também um mundo a ser descoberto: A caverna do Pedro Dias Carneiro.

Para o produtor e amigo Chico Neves, o jovem Pedro Dias Carneiro é uma figura ímpar, que surpreende a cada composição. “Ele tem uma maneira de pensar a música muito peculiar, instigante e inteligente. Escreve as letras de uma forma brilhante! Este trabalho foi desafio dos bons, longo caminho trilhado até chegar na forma, no conceito, desta joia rara que se tornou o primeiro disco do Pedro. Muito talento para uma pessoa só, que às vezes se perde e se dá um nó!”.

pedro e chico

PEDRO DIAS CARNEIRO é compositor, arranjador e produtor musical. Nascido no Rio de Janeiro, hoje passa boa parte do seu tempo na estrada entre sua cidade natal, onde assumiu no último ano o antigo estúdio 304, e Belo Horizonte, trabalhando como assistente e aprendiz do produtor musical Chico Neves. Com a sua banda carioca, “Dos Cafundós”, fundada em 2002, lançou o elogiado disco “Capitão Coração” pelo selo inglês Far Out.

As suas letras intensas e a sua música disforme recriam o lugar previsível da canção brasileira. E as suas criaturas-canções falam sobre a vida cotidiana do mundo e, ao mesmo tempo, inventam imagens quase cinematográficas, deslocando os seus personagens do comum ao absurdo com a intimidade de quem transita, em sua própria vida, entre esses dois lugares.

dez
09

O Fim de Semana do Livro no Porto (FIM) é o único festival literário do país que não tem mediadores, com seus bate-papos realizados num botequim no Morro da Conceição. Seus convidados são escritores, mas não necessariamente com livros publicados, e estão entre livreiros, editores, músicos, antropólogos, carnavalescos… O homenageado desta terceira edição é Mané Garrincha, que fez poesia com as pernas. No FIM, além das prosas sobre loucura, subúrbio, drogas, sexualidade, entre outros, a literatura também acontece em partidas de futebol de botão, campeonato de porrinha e descidas de carrinho de rolimã pela ladeira. É lá que a cidade se reencontra com a sua história e as suas origens. Ao todo, serão mais de trinta convidados para os debates, com destaques para a transexual e prostituta Indianara, o músico e compositor Moacyr Luz, o carnavalesco Milton Cunha e os poetas Salgado Maranhão e Deley do Acari. Todos serão transmitidos ao vivo pela Rádio Arquibancada.

antonio nobrega

E vai ter música também! No sábado, dia 12, às 20h, teremos Antonio Nóbrega (foto) cantando Luiz Gonzaga, e no domingo, dia 13 de dezembro, mesmo horário, será a vez de Lucio Sanfilippo cantar ijexás em homenagem à comunidade do norte e nordeste que vive na Região Portuária. Tudo isso aos pés da Nossa Senhora da Conceição, diante da Fortaleza da Conceição — construída em 1718 em um dos locais em que o corsário francês René Duguay-Trouin montou a sua ocupação, durante a invasão francesa da cidade — que estará aberta para visitação pela primeira vez em um final de semana. Ateliês de artistas do Morro da Conceição também estarão abertos para visitação. E, pelas calçadas, o Tabuleiros da Pequena África, grupo de quituteiras tradicionais da Região Portuária, estará presente com seus sabores ancestrais, assim como mais de uma dezena de editoras independentes farão parte da feira de livros, que tem também a participação da livraria carioca Folha Seca. Nas ruas, dois espetáculos de teatro serão apresentados durante o FIM: Teatro de DyoNises e InCerteza. Tudo de graça para o público, claro!

Por Raphael Vidal, idealizador e curador do FIM

FIM DE SEMANA DO LIVRO NO PORTO (FIM)

Dias 12 e 13 de dezembro, das 12h às 22h

Praça Major Valô, Morro da Conceição (em frente a Fortaleza da Conceição)

Grátis!

www.casaporto.org/fim

nov
30

“Depois de anos de espera, amadurecimento, esquecimento e descobertas, nasce o meu primeiro disco autoral e inédito”. É assim que o violoncelista e compositor italiano Federico Puppi anuncia “O Canto da Madeira” (independente), instrumental de verve pop. O álbum pode ser baixado gratuitamente no site oficial do músico (www.federicopuppi.com) e está disponível para audição nas plataformas digitais.

Federico Puppi
Os primeiros shows estão previstos para o dia 8 de dezembro, às 21h, no Oi Futuro Ipanema, dentro do projeto A.Nota, e para o dia 17 do mesmo mês, às 21h30, no Bottle’s Bar, no legendário Beco das Garrafas. Também presente em duas faixas do álbum, a cantora e compositora Maria Gadú fará uma participação especial no show de estreia, que terá mais um ilustre convidado: o violoncelista e compositor Lui Coimbra. Já o cantor e compositor Caio Prado participará do segundo show, em Copacabana.

Disco e apresentações são fruto de uma mistura sonora vibrante e contemporânea: um violoncelo alemão de 150 anos + melodias pop + ritmos brasileiros + flertes com o rock, o jazz e o eletrônico. Ao todo, o disco traz 10 canções instrumentais, cantadas pelas cordas graves do violoncelo no lugar tradicional da voz. O conceito deu nome ao álbum e norteia a obra de Puppi, que estuda o instrumento desde os 4 anos com uma certeza rara de que escolheu e foi escolhido pela música. “Brinco dizendo que é esse violoncelo cheio de histórias quem me toca”.

A vontade de gravar um disco para chamar de seu é antiga, mas, como uma massa que leva um certo tempo para crescer, “O Canto da Madeira” acaba de sair do forno – e chega num ótimo momento na carreira de Federico Puppi. Já estabelecido no Rio de Janeiro, onde mora desde 2012, quando, fugindo da crise europeia, baixou por aqui com o cello nas costas, o ragazzo está em destaque na cena, tocando com o estupendo Caio Prado, além de pertencer à banda fixa e estelar de Maria Gadú. Juntos, produziram o recente “Guelã” (Som Livre), indicado ao Grammy Latino como melhor álbum de MPB.

capa canto laranja“Sempre tive a necessidade de fazer o meu som, com as minhas músicas. Esse desejo aumentou nos últimos anos, quando vi a minha carreira de instrumentista deslanchar”. Federico Puppi encontrou o seu lugar. Vem gravando com artistas consagrados – destaque para a sua participação no disco “Magic” (2014), de Sérgio Mendes –, compositores e músicos famosos – gravou o disco “Dio&Baco”, de Suely Mesquita e Eugenio Dale, e se apresenta regularmente com o duo – já colocou o seu instrumento à serviço das contemporâneas Roberta Sá e Anna Ratto (no CD e DVD “Ao vivo”), por exemplo, e expandiu para outras formas de arte. Atualmente, está em cartaz com o espetáculo teatral “Consertam-se Imóveis”.

Faixas como “Solo come um cane” (a única com título em italiano, que significa “Sozinho como um cão”), “Touareg”, “Blue jeans” e “Dança da chuva” vieram da Itália dentro do case de Puppi. Outras três foram escritas no Brasil: “Dente de Leão”, que ele dedica à mulher, a atriz Suzana Nascimento; “Chiara”, feita para a irmã radicada em Edimburgo, e “Rua São Braz”, uma homenagem ao seu primeiro endereço carioca, em Todos os Santos. Com todo o simbolismo que pode ter, é a faixa que abre o disco.

Sobre Gadú, o violoncelista fala com intimidade e gratidão. “Nos conhecemos numa noite que eu não queria sair de casa, mas acabei indo parar num sarau no Comuna, em Botafogo. Quando estava no fim, chegaram um rapaz e uma garota. Eles quiseram tocar e os caras religaram tudo. Eram Dani Black e Maria Gadú. De repente, me vi no palco com a Maria, sem saber quem era. Fizemos uns improvisos e a noite terminou muito feliz. Dias depois, ela me ligou convidando para participar de um show em homenagem ao Cazuza. Aceitei na hora. Isso foi em setembro de 2013”, rebobina.

A partir daí, a vida seguiu outro rumo e Federico Puppi foi se aproximando dos músicos que abraçaram a ideia de fazer “O Canto da Madeira” acontecer. Conheceu Gastão Villeroy (baixo e coprodutor do disco) e Cesinha (bateria) através da Gadú e, apresentado pelo Gastão, ficou amigo do Marco Lobo (percussões). O Eugenio Dale (violão de nylon na faixa “Bebum”) também veio por intermédio do Gastão, sócio no estúdio Pacto com Baco, onde parte do trabalho foi gravado. Fernando Caneca (guitarra e violão de nylon) já tocava com a Gadú e logo ficaram amigos. Quando menos esperava, estava formada a banda que você ouvirá neste disco, na web, no Oi Futuro Ipanema e no Beco das Garrafas.

“O Canto da Madeira”, lançamentos

QUANDO: 8 de dezembro, uma terça-feira, às 21h
ONDE: Oi Futuro Ipanema, dentro do projeto A.Nota – Rua Visconde de Pirajá, 54 / 2º andar, em Ipanema – (21) 3201.3010
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
E MAIS: A duração é de 90 minutos, a classificação etária, de 14 anos, e o teatro comporta 94 pessoas por sessão

QUANDO: 17 de dezembro, uma quinta-feira, às 21h30
ONDE: Bottle’s Bar – Rua Duvivier, 37, em Copacabana – (21) 2543.2962
QUANTO: R$ 30 (inteira)
E MAIS: A duração é de 100 minutos, a classificação etária, de 18 anos, e o teatro comporta 80 pessoas por sessão

nov
27

america-capa“America”, dedicado ao escritor uruguaio Eduardo Galeano, é o 13º álbum autoral de Felipe Radicetti. Em 14 letras e melodias que evocam questões sociais comuns aos povos de toda a América Latina, é uma declaração de amor à terra e aos laços que nos unem como latino-americanos. O lançamento será no dia 2 de dezembro, às 19h30, no Centro de Referência da Música Carioca, na Tijuca, integrante do Projeto EGEM (Encontro Geral Musical), coordenado pelo maestro Jaime Alem.

“É crescente, embora ainda recente, o processo de estreitamento dos laços que nos unem aos demais países da América Latina. Mais e mais, os brasileiros têm reforçado esses laços identitários históricos notadamente através da cultura, laços esses ainda tão distendidos por falsas barreiras históricas e políticas. É natural, pois, que este trabalho seja inteiramente dedicado a homenagear um dos nossos mais importantes escritores, que tão bem demonstrou nossa travessia comum, e que nos deixou precisamente este ano: Eduardo Galeano”, diz Radicetti.

O repertório do disco é uma aula de história: canta a alma latinoamericana, com ênfase no trabalho e no desamparo do homem nas cidades (caso de “Amor de dois mendigos”) e nos campos (“Um canto de trabalho” e “Urupemba”), nas infâncias perdidas (“O canto dos meninos do campo”), no grito de revolta pela destruição humana, material e cultural que se abateu por sobre as muitas nações indígenas (“Última canção indigenista” e “Sendero americano”), levada a cabo pela ocupação militar européia no século XVI (“Outro canto Americano”).

O álbum evoca as tentativas de sublevação (“Balada Olga e Prestes”), a vida em família (“Casa da mãe, casa de filha” e “Aurora”), o estar diante do mundo (“Desejo meu”) até o ainda hoje inconcluso processo de sujeição de corpos, corações e mentes ao juízo dos que prosperam de sua miséria promovida, não-natural, mas tão naturalizada pelo trabalho diário de parte da imprensa (“Como posso saber?”).

Neste ciclo, Radicetti aborda parcerias com os poetas Sergio Ricardo, Marcelo Biar, Luhli, Felipe Cerquize, Socorro Lira e Etel Frota. E conta, ainda, com a participação especial dos cantores Marianna Leporace, Adriana Ríos (Argentina), Dhenni Santos, Luana Flores e Mari Blue e dos músicos João Cantiber (violões e percussão), Itamar Assiere (acordeão), Daniel Drummond (guitarra) e Guilherme Hermolin (flautas). O projeto gráfico, criado pelo designer Jan Felipe Beer, traz o trabalho fotográfico de Mauricio Andrade (capa) de Romilda de Souza Lima (encarte).

No show no lançamento, dia 2, no casarão da Tijuca, Felipe Radicetti (piano) vai apresentar o espetáculo acompanhado por Marianna Leporace (voz), João Cantiber (violões e percussões), Daniel Drummond (guitarra e baixo), com participação especial de Dhenni Santos.

felipe

Breve currículo de Felipe Radicetti
Organista e compositor de formação clássica com longa experiência na canção popular, com  13 discos lançados, 8 deles de trilhas para teatro e cinema, Felipe Radicetti é carioca, nascido em 1958 e você pode conhecer mais a sua obra no site www.feliperadicetti.com

Indicado para o Prêmio Shell de Teatro pela música original de “Sacco&Vanzetti” (2014), Radicetti escreveu música original para cinema: “Anjos do Sol” (2005), de Rudi Lageman, “Walachai” (2009), de Regina Zilles, e para três filmes apresentados na Mostra 50 anos do Golpe, em circuito nos cinemas de Havana, Cuba, em 2014: os longas “Duas histórias” (2012) e “Nossas histórias” (2013), de Angela Zoé, e o documentário “Eu me lembro” (2012), de Luiz Fernando Lobo.

Geraldo Azevedo, Lô Borges e Cláudio Nucco participaram do seu primeiro CD autoral, “Homens Partidos” (2000). O 2º CD, “Superlisa”, foi gravado em dupla com a cantora Clarisse Grova, lançado no Brasil (2003) e no Japão (2005), e aclamado pelo então crítico musical do jornal O Globo, Hugo Sukman, como “o melhor CD eletrônico da MPB do ano de 2003”. Em 2009, Felipe Radicetti lançou o seu 3º disco, “SagradoProfano”, um ciclo de canções nos quais reflete as tradições e a fé religiosa afro-brasileira.

“America”, show de lançamento
QUANDO: 2 de dezembro, quarta-feira, às 19:30hs
ONDE: Centro de Referência da Música Carioca – Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca. (21) 3238-3831
QUANTO: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada)
E MAIS: A casa comporta 159 pessoas sentadas e a censura é livre

 

nov
09

leitzke laranjaO pianista gaúcho Fernando Leitzke (pronuncia-se “Láitisque”) gravou este ano o álbum instrumental “Rios que navego” com apoio financeiro de mais de 200 amigos e admiradores. O show de lançamento será em 13 de novembro, às 20h30, na Casa do Choro, com ingressos a R$ 30. Radicado no Rio de Janeiro há seis anos, Fernando toca há 12 anos e acredita que esse seja um “disco de fronteiras” por aproximar a sonoridade desses dois rios: de Janeiro e Grande do Sul, em sambas, candombes, choros, um bolero e uma valsa.

“Gravei este disco porque senti a necessidade de mostrar o meu trabalho mais a fundo, não só como acompanhador, mas também como arranjador e solista. As composições sempre chegaram de um forma muito natural, mas refletem momentos como liberdade e tristeza. Escrevi as cinco autorais no Rio, em apartamentos onde morei no Flamengo e na Tijuca”, conta o músico, que entremeou os seus temas (“Chaleira quente” e “Pequena folha” são dois deles) com obras reconhecidas de Pixinguinha (“Mundo melhor”, sem a letra de Vinicius de Moraes), Tom Jobim (“Descendo o morro”, também sem os versos de Billy Blanco) e Radamés Gnattali (“Vou andar por aí”).

Esses três compositores representam o que há de melhor na música brasileira e também foram, de certa forma, responsáveis pela vinda do pianista à cidade onde moraram e produziram. O nome “Rios que navego” resume essas influências. Já Rubén Gonzales, pianista cubano, é uma grande referência no modo de tocar, um exemplo de piano forte com alma. E Rubén Rada, ele conheceu através de outros músicos gaúchos e se encantou pelo seu repertório de candombes, ritmo tradicional no Uruguai. Nos choros autorais “Segunda” e “Radamesiando”, Fernando homenageia, respectivamente, Cristóvão Bastos e, de novo, o mestre Radamés, a maior inspiração para os pianistas de música brasileira.

Para o show do dia 13 de novembro, Fernando Leitzke reuniu a maioria dos músicos que gravou o CD. Já garantiram presença: Guto Wirtti (baixo), João Camarero (violão de 7 cordas), Eduardo Neves (flauta), Aquiles Moraes (trompete), Rui Alvim (clarinete), Bidu Campeche, Magno Julio, Fabrício Reis (percussões), Marcus Thadeu e Antonio Neves (baterias). “Tocar na Casa do Choro é uma enorme alegria. Aquele lugar tem força, tem luta e é um privilégio para nós, músicos interessados em preservar a música popular brasileira”.

A  Casa do Choro fica na Rua da Carioca, 38, Centro do Rio. Informações: 2242.9947. Ingressos a R$ 30 (inteira), com meia entrada (R$ 15) para estudantes e maiores de 65 anos.

set
29

vk laranjaVocalista do bloco carnavalesco Fogo & Paixão e integrante dos grupos 4 Cabeça e Quarteto Primo, Matheus VK escolheu um palco que tem tudo a ver para lançar um espetáculo com uma proposta irreverente e inusitada – transbordar o desejo de carnavalizar o cotidiano numa noite de música e festa, no Buraco da Lacraia.

O artista, cuja carreira solo já conta com três discos e um DVD lançados, decidiu reunir nesse show todo o seu talento cênico e musical, incentivado por uma rede de amigos que acompanham – e muitas vezes reinvindicam – as suas performances em festinhas particulares e nos bailes da vida.

O título VK NO BURACO brinca com as iniciais do sobrenome de Matheus (o “von Kruger”de família), sugerindo um aconchegante “vem cá”. Ele faz o papel de mestre de cerimônia, trazendo desde convidados musicais e atores (com a provocação de “cantar algo que sempre quis mas nunca teve coragem num palco”) a uma dançarina de stiletto.

Um dos convidados da noite de estreia é Luís Lobianco, do Porta dos Fundos e co-criador dos espetáculos “Buraco da Lacraia Dance Show” e “Buraco da Lacraia Cabaré on Ice”, que há três anos seguem lotados todas as sexta-feiras. O convite se estende à plateia no momento karaokê ao vivo, no qual uma pessoa é sorteada para subir ao palco e interpretar a música do dia – sempre um clássico, desses que todo mundo sabe cantarolar.

No show, Matheus dará voz a sucessos dançantes de Celi Campelo, Luiz Caldas, Olodum e Bee Gees, além de algumas obras de compositores que temos saudades de ouvir como “Eu quero”, de Sérgio Bittencourt, e “Piranha”, de Alypyo Martins. Claro que haverá vez para as composições do próprio Matheus, como “Som da espera” e “Viver o dom”.

VK NO BURACO é um show pensado para dar continuidade à ocupação independente e criativa do Buraco da Lacraia. A proposta de Matheus e do seu coletivo pensante se encaixa perfeitamente numa certa Lapa profunda, underground, fora do circuito samba-para-gringo-ver.

O espetáculo tem direção de Daniela Gleiser (dos programas de TV Amor & Sexo e Esquenta!), idealização de Alê Youseff (comentarista dos programas Navegador e Esquenta!), produção de Carlos Grun (de peças como “O homem travesseiro” e “Selfie”) figurino de Bruno Perlatto (Porta dos Fundos), design de Pedro Garcia (Queremos!) e de Bruno Simões (Tangerina Design), além da colaboração preciosa de amigos como Plínio Profeta, Luiz Gleiser e o próprio Lobianco – o coletivo pensante de VK.

Pinta lá no Buraco da Lacraia nas quintas-feiras dias 1º e 22 de outubro, a partir das 21h. A bebida é liberada e o ingresso custa R$ 40. O Buraco fica na Rua André Cavalcanti, 58, Lapa.

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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