‘Verdades a granel’ por Georg Simmel
“A porta representa de maneira decisiva como o separar e o ligar são apenas dois aspectos de um mesmo e único ato. O homem que primeiro erigiu uma porta ampliou, como o primeiro que construiu uma estrada, o poder especificamente humano ante a natureza, recortando da continuidade e infinitude do espaço uma parte e conformando-a numa determinada unidade segundo um sentido”
* Frase do sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918) *

Leia sobre o primeiro álbum do quarteto fantástico na Caixinha de Música:
Aula de cantoria, violada e cantoria
* Fotos de Monica Ramalho e Val Becker feitas no Zozô Bistrô, na Urca *
O cantor Pedro Miranda inaugura nesta sexta, 5 de fevereiro, o Baile do Pimenteira, a ser realizado no Clube dos Democráticos, a partir das 23h30. No roteiro, músicas dos dois álbuns solo do Pedrinho – ‘Coisa com coisa’ (Deckdisc, 2006) e ‘Pimenteira’ (independente, em lançamento) – como “Vírgula”, de Alberto Ribeiro e Frazão, “O sapo no saco”, de Jararaca, “Hello, my girl”, de Silvio da Silva, “Caso encerrado”, de Eduardo Neves e Alfredo Del-Penho, e “Coluna social”, do Edu Krieger. E como todo baile de Carnaval que se preze, ele também vai cantar sambas e marchinhas de todas as épocas para os foliões apimentados, entre elas a “Marcha das flores”, feita a quatro mãos por Pedrinho e Teresa Cristina. Será uma grande festa com direito a confete, serpentina e a presença do cobiçado Bloco das Trepadeiras!

Pedro Miranda será acompanhado por: Luis Filipe de Lima no violão sete cordas, Pedro Amorim no bandolim, Dirceu Leite e Fabiano Segalote nos sopros e um trio percussivo formado por Thiaguinho da Serrinha, Claudio Brito e Pretinho da Serrinha. Estarei lá!
Formado pelo violonista Fábio Nin e pelo bandolinista Paulo Sá, o Alcantilado convida quatro expoentes da música instrumental brasileira para homenagear o grande mestre do choro Jacob do Bandolim (1918-1969), mostrando o quanto a sua obra é universal: o trompetista Silvério Pontes (25 de fevereiro), o gaitista Gabriel Grossi (26 de fevereiro), o pianista Vitor Gonçalves (27 de fevereiro) e o violinista Nicolas Krassik (28 de fevereiro). Contando também com o percussista Beto Cazes em todas as apresentações, a série será realizada nestas noites, de quinta a domingo, às 19h, no Centro Cultural dos Correios, com ingressos a R$ 10 e meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos.

Em 2009, completaram-se 40 anos sem o mestre dos saraus e 30 anos da morte do seu filho, o compositor e jornalista Sérgio Bittencourt (1941-1979). Sérgio ganhou notoriedade ao compor o samba-canção “Naquela mesa”, escrito no calor da saudade do pai e sucesso nas vozes de cantores como Elizeth Cardoso e Nelson Gonçalves. A série ‘Jacob do Bandolim – Naquela mesa em tempos modernos’ vai revisitar o ambiente musical de um de nossos compositores mais férteis, com arranjos e instrumentação contemporâneos. “Qualquer instrumento soa muito bem no repertório de Jacob”, diz Fábio. “E essa qualidade musical extraordinária já é meio caminho andado para os nossos arranjos”, arremata Paulo, que está lançando nos Estados Unidos o álbum solo autoral ‘Coisas brasileiras’ e faz parte da Camerata Brasil.
O violonista e o bandolinista se conheceram em 1993, como integrantes da premiada Orquestra de Cordas Brasileiras, e, no ano passado, elaboraram este projeto movidos pela admiração pela obra do bandolinista. “Além de lembrar a data redonda da morte do Jacob, os shows pretendem trazer uma sonoridade menos convencional para o choro, incluindo violino, gaita, piano e trompete no duo de cordas tradicional”, pontua Fábio, conhecido pelo trabalho com o quinteto Tira Poeira e vencedor do prêmio Shell de Teatro pela direção musical do espetáculo ‘É samba na veia, é Candeia’ sobra a vida do compositor portelense.
Uma colaboração com o Instituto Jacob do Bandolim propiciou a feitura de videografismos com imagens raras do músico e do regional de choro Época de Ouro, fundado pelo mestre em 1964 e ainda em atividade. A escolha do local também condiz com a história do gênero musical. Nas primeiras décadas do século XX, a maioria dos músicos de choro trabalhava no funcionalismo público, muitos deles nos Correios. Aliás, o primeiro livro que retrata alguns desses personagens foi escrito pelo carteiro Alexandre Gonçalves, mais conhecido como ‘O Animal’.
Produzida pela Baluarte Agência, com direção musical de Fábio Nin e Paulo Sá e assessoria de imprensa minha, a série conta com patrocínio dos Correios e do Governo Federal e também será uma espécie de lançamento oficial do Alcantilado. O duo se apresenta pela primeira vez no cenário carioca após estrear em São Paulo, Minas Gerais e Petrópolis. Além de obras-primas de Jacob, como os choros “Cabuloso”, “A ginga do mané” e “Implicante”, a primeira parte dos shows será com músicas que compõem o repertório da dupla, entre elas “Karatê” (Egberto Gismonti), “Samambaia” (César Camargo Mariano) e “Inquietação” (Ary Barroso). Abrindo o roteiro, o clássico “Naquela mesa”, de Sérgio Bittencourt.
* Foto de Paula Monte *
A edição mais recente da Carioquice, do Instituto Cravo Albin, traz duas colaborações minhas: a matéria de capa, com o gigante da lira Geraldinho Carneiro e uma entrevista agradabilíssima com a atriz-poeta-apresentadora-autora-diretora-etcétera-e-tal Bianca Ramoneda. Adooooro os dois, como criadores e bons amigos. Para inaugurar o novo design deste blog (tomara que você goste!), leia a seguir dois parágrafos de cada texto antes de clicar no site da revista para beber direto na fonte:
Os assuntos são sortidos e o Rio de Janeiro ganha destaque. Geraldinho Carneiro está às voltas com os acertos finais de um simpósio sobre Liberdade e Censura, realizado em três encontros no Planetário da Gávea. A entrevista não parte do começo. Diria mais: o início do modo como estamos acostumados nunca chega. Falamos sobre a existência carioca e sobre do que se ocupou o poeta, letrista e roteirista na última década. “Estou vivendo mudanças muito interessantes. Venho trocando, por exemplo, de plumagem poética. Quando achei que fosse me tornar um poeta maduro, virei um criador juvenil”. Diz isso por causa do lançamento super recente do livrinho ‘Como um cometa’ (Lazuli), feito para a criançada.
Geraldinho conta que o primeiro crítico do livro foi o filho dele mais novo, Antonio Pedro, de 12 anos. O garoto ditou as regras: só interessam poemas rimados e com métrica. O pai fez esforços no sentido de se adaptar às exigências do moleque, mas jura que não seguiu à risca – ou não seria Geraldo Carneiro e sua bagunça convicta. Já deu partida a um segundo título infantil para a mesma editora. “Adoro não pensar na vida porque canso bastante de mim. Por sorte, tenho muitos heterônimos e vou pulando de galho em galho. E, felizmente, sofro de desordem da personalidade múltipla e escapo do tédio sendo outros. Tenho vários poemas que falam sobre isso no ‘Balada do impostor’, de 2006″ (…).
Bianca Ramoneda é atriz, poeta e escritora. Bianca também é apresentadora do programa ‘Starte’, exibido há onze anos na Globo News. Sim, Bianca Ramoneda já fez música com Pedro Luís e assina a direção cênica do show da mulher dele, a cantora Roberta Sá. Mas, por favor, ela detesta ser chamada de multimídia (“dá uma sensação de imagens piscando ou parece que a pessoa quer estar ao mesmo tempo em tudo quanto é lugar”). Portanto, cuidado para não resumir as muitas vertentes profissionais da moça usando essa palavra quando estiver com ela – porque, além de tudo, Bianca é uma simpatia só, acessível à prosa e ao abraço. Abre o maior sorrisão para os atendentes da lanchonete Talho Capixaba, no Leblon (chama cada um pelo nome), e é amiga da celebridade ao jornaleiro, do mecenas ao artesão. Diz que é a sua herança tijucana, a mesma que entrou em choque quando ela se mudou para a Zona Sul e cruzou com Chico Buarque no caixa do supermercado.
“Quando me perguntavam ‘o que você faz?’ eu respirava fundo antes de tentar explicar. Hoje respondo: gosto de contar histórias e de diferentes maneiras. Se me largarem no deserto no meio do areal, vou fazer um montinho, subir nele e contar uma história”, resume, com muita graça. “Sempre foi uma característica minha esse não-lugar. E sempre foi muito difícil para mim ter isso entendido pelos outros. De um tempo para cá, deixei de me preocupar”, avalia, contando que quando foi fazer televisão complicou ainda mais. “Antes, só era esquisito para as pessoas do teatro e da poesia. Quando entrei para o jornalismo, eu também vinha de outro lugar”. Digamos que, em cada meio, Bianca é um ser de outro meio. “E eu tinha esse sentimento de não-pertencimento em todas as áreas em que me aventurava. Isso pra mim não era um problema, ao contrário, era a minha forma de trabalhar, mas sentia que era difícil para os outros integrarem a visão a respeito disso. E passei anos refletindo em como resolver, mas agora acho que não preciso mais” (…).
Leia ambas as entrevistas, na íntegra, no site da Carioquice!
* Fotos de Marcelo Carnaval e Adriana Lorete *

1. Arranjar dinheiro e parcerias pra Caixinha de Música – www.caixinhademusica.com
2. Fazer mais curadorias (vem aí o super ‘Isso é jazz?’, na Caixa Cultural!) e trabalhar em projetos bacanas como os de 2009!
3. Aprender a andar de patins
4. Voltar a dirigir (vamos combinar que já se passaram cinco anos…)
5. Ficar boazinha da gastrite
literatura para ser
lida ao som de
arnaldo lenine zélia tom
zé calcanhotto renato
russo marina bethânia gal
assim se aprende a tocar
qualquer instrumento
sax violão guitarra
bateria piano cítara
e (por que não?)
a própria língua
* Poema de Ramon Mello, publicado no ótimo ‘Vinis mofados’ *
Fui uma criança desengonçada e envergonhada. Nunca consegui me manter em pé sobre patins. Meus primos tinham aquele modelo anos 70, que se ajustava ao calçado e variava de tamanho, sabe? Inesquecíveis as vezes em que tentei, sem sucesso, usar o brinquedo, objeto do meu desejo infantil. Pois bem. Gosto muito de andar de bicicleta, mas a mão de obra que envolve (armar o suporte no carro, colocar as bicicletas, guiar até a Lagoa ou o Aterro, tirar as bicicletas, desarmar o suporte a fim de evitar ser roubado e, na volta, repetir toda a operação…) deixa a gente com uma preguiça danada. E pedalar na Rua das Laranjeiras, você sabe, é suicídio.

Outro dia, observei uma moça se divertindo sobre as rodinhas. Achei bonito. E, na primeira oportunidade, comprei um belo par de patins como presente de fim de ano. A vendedora da XSkate garantiu que a gente aprende fácil (risos). Trouxe para casa aqueles apetrechos de proteção, claro, e ganhei da loja uma aula grátis. Vou esperar a Val chegar de Porto Alegre para marcar (claro que a bailarina sempre andou muito bem de patins, skate, fazia estrela, ponte e tudo aquilo que a gordinha aqui nunca ousou rs). Deseje-me boa sorte!
* Foto do site Inmagine *
Essa semana assisti a dois filmes muito legais. ‘Sinédoque, Nova York’, a estreia na direção de Charlie Kaufman, que ficou conhecido pelos roteiros de ‘Brilho eterno de uma mente sem lembrança’ e ‘Quero ser John Malkovich’. Com essas credenciais, fiquei curiosa para ver o que ele seria capaz de criar sozinho. Bem, é uma história difícil de entender, de modo que já havia aceitado o enredo surrealista quando Val matou a charada. Na real, o que vemos são as distorções da cabeça pirada do dramaturgo Caden Cotard, vivido por Philip Seymour Hoffman. Pensar o filme sob esse ângulo torna as maluquices mais interessantes e compreensíveis. De zero a dez, nota seis e meio.

‘Na natureza selvagem’, dirigido pelo ator Sean Penn, é bem mais atraente. Quem nunca quis jogar meia dúzia de roupinhas nas costas e sair por aí? Eu até tenho a mochila, mas, digamos que gosto demais de conforto e não dormiria ao relento a não ser numa ocasião especial (risos). Mas gostei de ver o espírito livre do rapaz, interpretado por Emile Hirsch (foto) e parecido fisicamente com o Christopher McCandless verdadeiro. A trilha sonora é imperdível. Letras ótimas, melodias gostosinhas e vocais de Eddie Vedder. Nota oito.
Ficam as sugestões para esses dias natalinos. Os dois filmes fazem a gente pensar no que queremos da vida, do trabalho, da família, dos amigos, dos desconhecidos e de nós mesmos.












