abr
23

A esta altura, o cantor e compositor Mihay deve estar compondo mais uma música com o parceiro João Donato, ainda inspirados pelo show que fizeram ontem no Cassino da Madeira, em Portugal. A apresentação fez parte da Semana do Brasil na Ilha da Madeira, uma realização da nossa Embaixada para lembrar o descobrimento do Brasil, há exatos 514 anos.

“Foi lindo estar com o mestre Donato em Portugal mais uma vez. Cantei com o Donatão acompanhado por um grande elenco: Arismar do Espírito Santo, Rubinho Batera e Ricardo Pontes. A vida me trouxe mais este presente… Ô sorte”, escreveu Mihay no Facebook.

Nessa turnê, que Mihay batizou nas redes de #eurotourdonato80anos, ele será o convidado especial do grande pianista e compositor em alguns eventos e também levará a sua música para os palcos gringos, já divulgando as faixas do novo disco, que está sendo finalizado pelo produtor Gabriel Muzak.

Ainda em Portugal, Mihay será uma das atrações do El Planet Revolution no dia 25 de abril, em comemoração pelos 40 anos da Revolução dos Cravos. Acompanhado por sua banda, Mihay vai fazer reverberar os versos de “Tontos”, “Noite Clara” e “Paparapapa”, antes da banda Throes + The Shine, que mistura o kuduro africano com o hip hop americano.

Em 1 de maio, já na França, será a vez de se juntar aos brasileiros Ed Motta, Thiago Pethit e Daniela Mercury para dar voz ao Festival Sensacional Brasil, realizado no Jardin d’ Acclimatation, em Paris. No dia 6 de maio, Donato e Mihay vão inaugurar o painel Guerra e Paz, de Cândido Portinari (1903-1962), no célebre Grand Palais, em Paris.

A última parada dessa temporada será a Rússia. João Donato o convidou para participar de dois de seus shows, escalados para a Semana do Brasil na Rússia: em Moscou no dia 5 de junho e em São Petersburgo no dia 7 de junho. Bem bacana, né?

abr
15

Há exatos dez anos, as pianistas Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco já tocavam juntas e sonhavam em realizar um trabalho em dupla. No ano seguinte, 2005, fizeram o primeiro show, em Copacabana, unindo os ilustres sobrenomes no Duo Gisbranco. Nos dias 26 e 27 de abril elas farão dois concertos (sábado, às 20h, e domingo, às 19h) e um workshop (no domingo, das 11h às 13h) gratuitos em Furnas, misturando os repertórios de seus dois álbuns e adiantando algo do próximo.

O roteiro das apresentações está recheado de temas com significado especial para as pianistas. “Aquelas coisas todas” (Toninho Horta), por exemplo, foi gravada no disco de estreia do Gisbranco e elas continuam amaaando tocar ao vivo. Outra que sempre fica bonita de fazer no palco é o clássico “Deixa” (Baden Powell), que foi revisitado no segundo álbum do Duo com um arranjo samba-funk da melhor qualidade.

“Festa do Carmo” (Bianca) e “Flor de abril” (Claudia), respectivamente, são homenagens ao pai da primeira, o mestre Egberto Gismonti, e à filha da segunda, a pequena Lis, que nasceu no mesmo mês do disco “Flor de abril”, em 2011. A seleção para Furnas ainda prevê o maracatu “Abertura” (Delia Fischer), o antológico “Ponteio” (Edu Lobo e Capinam) e a inédita “Arco íris”, alegre parceria do Duo Gisbranco com o cantor e compositor Chico César.

“O nosso próximo disco será todo baseado em poemas que o Chico escreveu pra nós duas, como tradução inspirada nas nossas vivencias artísticas”, conta Bianca, adiantando que elas colocaram música em 12 poemas do Chico para o próximo disco, a ser lançado em 2015, quando o Duo Gisbranco completa a primeira década. Claudia evoca o trecho do poema “Pés na praia” para traduzir o encontro deles: “Esse ano nossos passos se encontraram e deram de andar juntos (…) / Quem anda com o duo não está sozinho”.

Além dos shows, Claudia e Bianca estão preparando o workshop “O trabalho corporal e a performance ao piano”, com inscrições abertas para estudantes e profissionais de música. Ao todo, serão 29 vagas (9 para participantes ativos e de 10 a 20 para participantes observadores). 

Duo Gisbranco em Furnas

QUANDO: Shows nos dias 26 (sábado), às 20h, e 27 de abril (domingo), às 19h
ONDE: Espaço Furnas Cultural (Rua Real Grandeza, 219, em Botafogo)
QUANTO: Entrada franca, com retirada de senhas no local a partir das 14h dos dias dos shows. É obrigatória a apresentação de documento com foto
E MAIS: Há 29 vagas disponíveis para o workshop que as pianistas vão realizar no domingo, dia 27, das 11h às 13h

abr
11

Reencontro. Tudo perfeito: beijos, cheiros, toques. Uma esperança há muito evitada acena de longe, querendo voltar. Para os nossos corpos, exaustos e tranquilos depois do encaixe fácil, o amor não mudou. O que diz, qualquer coisa, é música aos meus ouvidos. Com você sou a mulher mais feliz do mundo!

Por Monica Ramalho, 2011
“Duas mulheres correndo na praia”, tela de Pablo Picasso 

mar
31

Com este post, iniciamos o trabalho de divulgação de um cantor e compositor que vem despontando entre seus pares. Encontros, viagens, parcerias, ideias e um disco novinho, só com autorais e inéditas, já sendo gravado. Tanta coisa vem acontecendo com o Mihay nos últimos tempos que chegou a hora de tornar isso público. Por isso, a Belmira Comunicação está aqui.

Vamos mostrar um clipe que o Mihay fez do single “Noite Clara”, parceria dele com João Donato e participação especialíssima de Tulipa Ruiz nos vocais. Atenção no naipe colorido de metais e nas estrelas da música instrumental que aparecem em cena – Alberto Continentino no baixo, Robertinho Silva na bateria e Donato, ele mesmo, incendiando as teclas do piano. Mihay canta feliz, feliz.

“Conheci o Donato na Urca, somos vizinhos do bairro e temos amigos em comuns na vizinhança. Um dia ele me convidou pro aniversário dele e lá cantamos juntos pela primeira vez. Acabou a luz no meio da minha canja e o Robertinho Silva continuou tocando bateria na escuridão. No susto, improvisei cantando com a batucada, sem microfone mesmo e pintou um coro natural do povo que estava ali festejando naquele meio minuto de apagão. O público gostou da brincadeira e, quando a luz voltou e continuamos tocando amplificados, todo mundo vibrou muito até o fim da música”, lembra o jovem artista.

Para Mihay, conviver com o grande pianista é pura alegria. “A vida me deu este presentão. Tive o privilégio de passar madrugadas com o Donato, ouvindo aquelas pérolas de discos que ele tem em casa. Um dia cheguei com um pedaço de melodia e ele sentou no piano e fez a segunda parte. A letra me veio na hora e assim nasceu nossa primeira parceria. Quando pensamos em gravar juntos ‘Noite Clara’ e ele me disse que seria bacana ter uma voz feminina cantando comigo, pensei logo na Tulipa, que é minha amiga de muitos anos e que já vínhamos com esta vontade de fazer alguma coisa juntos. O Donato já conhecia a voz marcante da Tulipa e tanto ele quanto ela toparam na hora”.

Assista agora ao clipe de “Noite Clara”:

mar
28

O samba carioca nasceu na Cidade Nova tendo como berço o ambiente do choro. O primeiro samba gravado, “Pelo telefone”, de autoria do violonista chorão Donga, é, na verdade, um maxixe – um dos gêneros que integram o universo do choro. Podemos dizer que o DNA do samba carioca traz elementos desse que é o tronco principal da nossa música: o choro carioca! ‘Candeia Branca’ (Acari Records), o segundo álbum autoral de Luciana Rabello, vem ilustrar muito bem essa história. A assessoria de imprensa é da Belmira Comunicação.

Com 37 anos de dedicação ao choro, ela ocultava do público uma faceta do seu trabalho, que finalmente começa a ser registrada em ‘Candeia Branca’ – primeiro álbum de músicas cantadas dessa cavaquinista e compositora. Apesar de soltar a voz firme e afinada em todas as faixas, Luciana Rabello não pretende se lançar como cantora, mas bem que poderia.

“De onde vem o samba” abre o disco. É um samba leve e sincopado que trata com humor a antiga polêmica sobre a origem do samba. Afinal, é carioca ou baiano? Paulinho Pinheiro explica com a competência de mestre que é, e o arranjo de Mauricio Carrilho passeia sutilmente por essas duas possibilidades. E esse samba já marca presença nas noites da Lapa do Rio de Janeiro mesmo antes dessa gravação!

A cadência preciosa dos chamados “sambas de regional” (aqueles para os quais não podemos imaginar outro acompanhamento senão de um conjunto de choro) se apresenta aqui em “De bem com o amor”, “Em cada mágoa existe um samba”, “Sem pedir licença” e “Teu amor” – este samba é um presente de Luciana ao marido e traz o acompanhamento do Regional Carioca, conjunto de jovens músicos e integrado por Ana Rabello e Julião Pinheiro, filhos do casal. Treze das 14 faixas do lançamento são frutos da parceria de Luciana e Paulinho, que completam 29 anos de união no dia 9 de abril, quando o disco será lançado em show no Solar de Botafogo.

A origem nordestina da dupla de compositores se faz presente no baião “Queda de braço”, última faixa do disco, e no maculelê “Seu Catirino”, ambos com arranjo na medida assinados pelo violeiro e violonista alagoano João Lyra. Como reza a lenda, ninguém convive com a capoeira sem trazer marcas profundas daquela cultura. Certamente, Luciana trouxe essa inspiração do longo tempo em que se dedicou à direção musical da peça de Paulo Cesar Pinheiro, ‘Besouro Cordão de Ouro’, pela qual recebeu, em 2006, o Prêmio Shell de Teatro, na categoria “Melhor Direção Musical”.

Vem do nordeste também a ciranda “Candeia branca”, música que dá nome ao álbum. Sobre essa música Luciana recorda: “Ficou registrada pra sempre na minha memória uma noite mágica em que assisti escondida debaixo de um cajueiro a uma ciranda na praia do Cabo Branco, em João Pessoa. Passava as férias de verão ali e fiquei profundamente impactada com a alegria e infantilidade dos adultos brincando de roda e cantando ciranda! Aquilo me pareceu o ideal da vida: todos de mãos dadas, num grande ritual coletivo, sem vaidade e sem aplausos. Apenas o prazer de cantar e dançar que contagiava tudo em volta!”.

“Estigma”, um clássico das rodas de samba e choro, é a única faixa não inédita deste lançamento. Foi gravada por Amelia Rabello, irmã de Luciana, no recente ‘A delicadeza que vem desses sons’ (Acari Records, 2011). E no samba afro “Canto guerreiro” torna-se evidente a admiração da musicista pelo grande compositor e violonista Baden Powell – mais um craque que teve o choro por escola e origem da sua formação.

“Luz fria” nos leva para um ambiente pouco frequentado pelos sambistas em atividade. Um samba lento, cadenciado, intimista, mas em nada semelhante ao que se chamou de bossa nova, décadas atrás. Samba de quem tem na sua formação o gene de Garoto, Peter Pan, Valzinho, Newton Mendonça. Atualíssimo, portanto! Atenção para o diálogo entre o piano de Cristovão Bastos e o violão de Mauricio Carrilho! Comentários de mestres sobre essa melodia especialíssima e de sofisticação na medida exata e uma aula de como se deve falar com simplicidade, surpreendendo a cada frase com saídas e soluções inesperadas.

Também é preciso destacar as valsas “Um triste olhar” (gravação que tem o piano de Cristovão Bastos em momento impar) e “Flor d’água”, com assinatura de Dori Caymmi no arranjo, violão e voz. E que voz! Enquanto Luciana e Dori cantam juntos, quem toca o cavaquinho é Ana Rabello, afilhada de Dori. Sobre a faixa, Luciana recorda: “Pedi ao Dori pra fazer o arranjo dessa valsa e ele me presenteou cantando também! Não esperava e fiquei muito feliz porque o Dori só canta o que gosta!”.

Luciana Rabello lança ‘CANDEIA BRANCA’, serviço

QUANDO: 9 de abril (quarta-feira), às 20 horas

ONDE: Solar de Botafogo (General Polidoro, 180, em Botafogo)

QUANTO: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada para estudantes, maiores de 65 anos e primeiros 70 compradores)

E MAIS: A banda de Luciana Rabello será formada por: Ana Rabello (cavaquinho), Julião Pinheiro (violão de sete cordas), Mauricio Carrinho (violão), Paulino Dias, Marcus Tadeu e Magno Júlio (percussões). Participação especial de Amelia Rabello. Cantores convidados: Ilessi, Alan Rocha, Julieta Brandão, Leonardo Pereira, Patrícia Costa e Ronaldo Gonçalves. O roteiro é de Paulo César Pinheiro.

mar
26

Chega às livrarias “Nova Fase da Lua – Escultores Populares de Pernambuco”, escrito por Flávia Martins, Rogerio Luz e Pedro Belchior, com fotografia de Francisco Moreira da Costa. O título foi lançado originalmente em dezembro de 2012, pela editora Caleidoscópio, do Recife, com patrocínio da OAS. Essa edição foi distribuída pela construtora como brinde aos seus clientes.

A nova edição, a ser lançada em abril de 2014 e produzida para ser comercializada, objetiva difundir a cultura pernambucana para um público mais amplo e foi realizada com incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), que faz parte da Fundação do Patrimônio Histórico de Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

O livro traz depoimentos e registro fotográfico de 85 escultores, de suas obras e das condições em que vivem e trabalham nos 13 municípios escolhidos para receber a visita da equipe de pesquisadores.

Dividido em quatro capítulos – que representam as grandes regiões de Pernambuco: Metrópole, Mata, Agreste e Sertão –, o livro procura caracterizar a produção artística em suas semelhanças e diferenças, a partir da palavra dos escultores, da observação direta da pesquisa e do diálogo dos autores com outras referências institucionais e bibliográficas.

As imagens desses artistas criadores, de suas obras e dos contextos em que aparecem, apresentam ao olhar um extraordinário panorama que convida à admiração e à reflexão. A assessoria de imprensa para o lançamento no Rio de Janeiro é da Belmira Comunicação.

Forte vínculo com a cultura
Há mais de trinta anos, registros de uma viagem por territórios férteis em manifestações artístico-culturais tomaram a forma de um livro: “O Reinado da Lua – Escultores populares do Nordeste”, de Silvia Rodrigues Coimbra, Flávia Martins e Maria Letícia Duarte. O título refere-se a uma expressão de Nhô Caboclo, uma das personagens do livro, para dar nome ao universo do artista popular. O compromisso assumido, na época, por suas autoras – a proposta que norteou a elaboração da obra – era o de conhecer e entender melhor, com a participação dos agentes diretos dessas manifestações culturais, as múltiplas dimensões de seu universo.

É essa a premissa que norteou a pesquisa deste lançamento “Nova fase da Lua”, coordenado e escrito por uma das autoras de “O Reinado da Lua”. O novo livro pretende focalizar a escultura popular pernambucana a partir, em primeiro lugar, da perspectiva dos próprios artistas, em que cada um deles aparece de forma individualizada, ao contar sua própria história e a história de seu trabalho. O objetivo é documentar uma realidade – estilo de vida, processo de produção, características dos produtos e visões de mundo – por meio da figura do escultor e de suas obras, tanto como singularidade quanto em suas relações dependentes de um contexto social e histórico em transformação.

Com base na representatividade e no prestígio alcançados em suas próprias comunidades, nos meios institucionais e nos circuitos de arte, foram selecionados e entrevistados 85 escultores populares de Pernambuco, residentes em 13 municípios do estado. Os depoimentos desses artistas, registrados em áudio, tiveram um roteiro com base em questões como a sua própria conceituação do trabalho artístico, trajetória de vida e de arte, relações com os outros artistas e com a comunidade, meios de difusão e de comercialização de suas peças, bem como processos de trabalho. A palavra é do artista. Ele é o protagonista de sua própria história.

O registro fotográfico acompanhou cada passo da pesquisa, buscando documentar o artista, a sua arte e o seu contexto.

Importa aqui sinalizar as mutações por que passa a arte popular em Pernambuco e no Brasil, seus saltos e conflitos, a partir da palavra e das imagens de seus principais construtores, os artistas populares, na diversidade de concepções e posicionamentos que eles elaboram diante do destino de seu ofício e de suas perspectivas de vida.

Não existe a pretensão de estabelecer uma improvável tipologia dos estilos encontrados. O que se quer é apontar, apenas, algumas tendências que surgem em meio à diversidade de temas representados e de formas expressivas assumidas pela produção escultórica das diferentes regiões.

Lançamentos em abril de 2014

RIO DE JANEIRO – 4 de abril, sexta-feira, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, bate-papo com o professor e crítico de arte Paulo Sergio Duarte, seguido de coquetel e sessão de autógrafos

RECIFE – 10 de abril, quinta-feira, às 17h30, na Galeria de Arte do Centro de Artesanato de Pernambuco, coquetel e sessão de autógrafos

O LIVRO – Com 232 páginas, em papel couché e capa dura, será vendido nos dois lançamentos por R$ 110

fev
28

Atualmente em cartaz no elogiado “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, a cantora e atriz Soraya Ravenle vai se juntar ao renomado grupo LiberTango para interpretar, pela primeira vez em um único espetáculo, só tangos argentinos de sucesso. Será no dia 12 de março, às 19h30, no palco do Teatro Rival Petrobras, com ingressos entre R$ 25 e R$ 50.

O mergulho da cantora no universo portenho não poderia ser feito em melhor companhia: o LiberTango é formado por três músicos excelentes – a pianista argentina Estela Caldi e seus filhos Alexandre Caldi (saxofones e flautas) e Marcelo Caldi (acordeom) – e está em turnê de lançamento do seu quarto álbum, que chegou às redações no finalzinho de 2013, recebendo pouco espaço na imprensa carioca. Como o disco ainda não foi distribuído pelo país, esta será uma ótima oportunidade para se ouvir e resenhá-lo antes de todos!

“Tangos Hermanos” traz uma amostra da aproximação das músicas brasileira e argentina. Em atividade há 17 anos, o trio releu o melhor do repertório de Astor Piazzolla e seus pares e vem se permitindo, cada vez mais, abrir fronteiras rumo a uma linguagem universal do tango. A discografia do trio inclui “LiberTango – a música de Astor Piazzolla” (Delira, 2005), “Cierra tus ojos y escucha” (Delira, 2007) e “Porteño” (Delira, 2010).

O show reúne sucessos de Piazzolla, como “Vuelo al Sur” e “Los pájaros perdidos”, além de números vocais à capela (“Pobre mi negra”, motivo popular) e um duo de voz e sax (“Chiquilín de Bachin”, Horacio Ferrer e Piazzolla). A surpresa está no encontro da música argentina com versões tangueadas de canções brasileiras, de autores como o centenário Lupicínio Rodrigues (“Nunca”) e Paulo César Pinheiro (“Cristal-lilás”), entre outros clássicos. A assessoria de imprensa é da Belmira Comunicação.

E, num ano em que Chico Buarque completa 70anos, não poderia faltar uma homenagem a ele, que cantou com Mercedes Sosa nos anos 80 e a quem Piazzolla encomendou uma letra (jamais feita por assumida falta de inspiração de Chico): a cantora e o trio ensaiaram uma surpreendente releitura para a emblemática “Rosa-dos-ventos” – gravada por Chico em 1970 e faixa título de um disco de Maria Bethânia, em 1971.

Soraya cantou pela primeira vez com o LiberTango no show inaugural do álbum “Tangos Hermanos”, no Festival Internacional Tango Brasil, realizado no CCBB Rio, em dezembro último. A casa cheia e a resposta do público deram mostras de que o encontro entre os artistas renderia frutos. E aqui está o primeiro deles.

Soraya Ravenle em poucas linhas
Atriz e cantora, Soraya Ravenle protagonizou uma série de grandes musicais nos últimos anos: “Dolores”, com o qual ganhou o prêmio Shell de melhor atriz do ano de 1999; “South american way”, de Miguel Falabela; “ É com esse que eu vou” e “Sassaricando”, de Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo; “Era no Tempo do Rei”, de Heloísa e Julia Seixas; “Ópera do malandro”, de Chico Buarque;  “Opereta Carioca”, de Gustavo Gasparani, “Um violinista no telhado”, direção de Charles Moeller e Cláudio Botelho.

Lançou seu primeiro disco em 2011 com músicas de Paulo César Pinheiro e direção musical de Alfredo Del Penho, pela Biscoito Fino, que foi selecionado para o “Prêmio da Música Brasileira” de 2011. Na TV Globo participou das novelas  “Laços de Família”, “Beleza Pura”, “Paraíso”, Malhação e  a minissérie “Dalva de Oliveira” no papel de Emilinha Borba.

Por Monica Ramalho e Fernando Gasparini
Foto de Leo Aversa 

SORAYA RAVENLE E LIBERTANGO NO RIVAL PETROBRAS
QUANDO: dia 12 de março, às 19h30
ONDE: Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33 / 37, na Cinelândia. Informações: (21) 2240.4469
QUANTO: R$ 50 (inteira), R$ 35 (promoção para os 200 primeiros pagantes) e
R$ 25 (estudantes, maiores de 65 anos e professores da Rede Municipal)
E MAIS: A casa dispões de 458 lugares e a censura é de 16 anos.

jan
14

São Francisco é um bairro em Niterói (RJ) cercado por natureza, silêncio e banhado pelas águas da Baía de Guanabara. Espécie de refúgio ao caos urbano, o lugar foi escolhido pelo cantor e compositor Alvaro Gribel como berço de criação de seu segundo disco, homônimo, produzido por Rodrigo Campello e coproduzido por Eber Pinheiro. Com show de lançamento marcado para 1º de fevereiro, às 21h30, no Solar de Botafogo, “São Francisco” traz nove canções autorais e inéditas: um mergulho nas raízes da Música Popular Brasileira.


Abordagens dos temas universais amor, perdão e fé, e de problemáticas urbanas tipicamente brasileiras, como violência, trânsito e as tragédias das chuvas, são feitas com sensibilidade neste álbum que traz o clima de um cotidiano mais simples e reflexivo. Alvaro Gribel assina voz e violão, tocando, em formação de quarteto, com os veteranos Rodrigo Campello (guitarra, programações, violões de 6 e 7 cordas e cavaquinho), Jorge Helder (baixo acústico) e Jurim Moreira (bateria).

Capixaba, de 34 anos, radicado em São Paulo, Gribel é repórter da coluna de Míriam Leitão, publicada diariamente no jornal O Globo. “Sou admiradora do Alvaro Gribel músico. E é um prazer ver como nascem suas músicas e como ele se debruça, com a mesma dedicação, ao estudo de relatórios macroeconômicos e às técnicas de construção de letras e melodias”, conta a jornalista. “Já tive o privilégio de ouvir a primeira versão de uma música que ele compôs durante a noite – e uma noite de criação não afeta o seu trabalho na coluna. O que acho admirável é que ele é jovem, mas sua música é no estilo MPB clássico. Gribel faz uma neo-bossa nova, a recriação de uma música bem brasileira”, diz Míriam Leitão.

Para conceber o novo disco, o músico se dedicou a um aprimoramento técnico que incluiu um ano de estudo do livro ‘Harmonia’, do compositor austríaco de música erudita Arnold Schoenberg, o que lhe permitiu construir os acordes e ter um domínio mais completo da composição. “Fala-se muito que o segundo disco é difícil porque o artista precisa se reinventar. Então me mudei do Rio e, antes de vir para São Paulo, fui morar sozinho nesse bairro, onde compus, entre 2011 e 2012, as canções do CD”, conta Gribel, que, em 2012 e 2013, gravou e mixou o álbum em estúdios do Rio de Janeiro (MiniStereo) e de Nova York (Atlantic Sound Studio).

O desafio era grande porque ele não queria usar software de afinação de voz, como é comum no meio. “Foi uma conquista gravar ao lado desses músicos sem corrigir a afinação pelo computador em nenhum momento”, afirma. O resultado teve a aprovação de Campello.

“Talvez tenha sido o disco mais relax que fiz entre 2012 e 2013. Foi muito orgânico todo o caminho dele: as músicas que o Alvaro trouxe, o envolvimento com o Eber Pinheiro e o astral da equipe. Tudo foi se encaixando de uma forma bem bacana. O Alvaro estava muito preparado para gravar o ‘São Francisco’ e isso foi fundamental para que fosse tão fácil realizá-lo”, avalia o produtor.

Como letrista, Gribel sentia que precisava olhar menos para dentro de si, e mais para o mundo ao seu redor. O resultado se materializou em músicas como “Oração”, que fala sobre a tragédia do deslizamento de terra do Morro do Bumba, em Niterói; “Santos e orixás”, cujo tema é a violência e o sincretismo religioso; e a inusitada “Marcha de autopeça”.

“Fui à oficina fazer a revisão do carro e recebi um orçamento cheio de peças para trocar. Quando cheguei em casa e reli a lista, imediatamente as peças foram se encaixando em uma melodia que já estava pronta, como num passe de mágica. Assim nasceu a ‘Marcha de autopeça’, falando de radiador, coifa, coxim, batente”, explica Alvaro Gribel.

“São Francisco” está sendo distribuído pela Tratore e já está disponível para venda no iTunes, na Livraria Cultura e, em breve, chegará a outras livrarias do país.

Show de lançamento no Rio de Janeiro

QUANDO: dia 1º de fevereiro, às 21h30

ONDE: Solar de Botafogo – Rua General Polidoro, 180, em Botafogo, no Rio de Janeiro, com informações pelo: (21) 2543-5411

QUANTO: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

E MAIS: A censura é de 16 anos

 

dez
03

Imaginem o famoso tango de Astor Piazzolla, “Libertango”, interpretado com ares de quadrilha, com direito a zabumba e a triângulo. O arranjo de Marcelo Caldi suscita um inusitado diálogo entre o gênero argentino e a música de inspiração nordestina. Essa é apenas uma das novidades de “Tangos hermanos” (Mills Records), quarto disco do LiberTango, primeiro a mostrar o lado autoral dos irmãos Alexandre e Marcelo Caldi.

As 11 faixas do álbum – a ser lançado nos dias 13, 14 e 15 de dezembro, no Festival Internacional Tango Brasil (informações no rodapé) – formam um mosaico de tendências que podem antever novos caminhos para o gênero no Brasil e no mundo, num momento em que se intensificam as trocas políticas, culturais e econômicas entre os dois maiores países da América do Sul.

O título do disco, “Tangos hermanos”, sinaliza essa aproximação das variadas culturas latino-americanas. Por sua vez, o LiberTango tem a liberdade criativa como norteadora, em reverência à obra de Piazzolla mas se permitindo, cada vez mais, avançar numa proposta contemporânea, abrindo fronteiras rumo a uma linguagem universal do tango.

DUAS ESTRELAS – Compositor inventivo, além de requisitado arranjador, o saxofonista e flautista Alexandre Caldi surpreende com o tango “Estrela”, dedicado à mãe, Estela – uma melodia sinuosa que aos poucos se mostra transparente, cheia de caminhos imprevistos e que sugere influências latinas, do jazz e do clássico. Outra homenagem familiar é “Léo”, um tango-choro criado por Marcelo Caldi para o irmão, Leonardo Caldi, o designer que assina todas as capas dos discos do LiberTango.

As celebrações em torno dos 150 anos de nascimento de Ernesto Nazareth em 2013 foram uma das razões que levaram o trio a assumir as raízes do tango brasileiro (até então, nos outros três discos, só havia gravações de peças argentinas). O resultado dessa nova fase está em cinco faixas que trazem releituras “tangueadas” do compositor, como “Bambino”, “Encantada” e “Tenebroso”, além da habanera “Plangente”, um ritmo que influenciou o tango e o choro, e “Nove de julho”, que abre o disco, referência à data de independência da Argentina.

Estela Caldi acredita que o caminho da família de agora em diante seja aprofundar a pesquisa em outros autores brasileiros, mas sem deixar para trás os geniais compositores de Buenos Aires, sua terra natal. Prova disso está em “Bandoneon”, na qual Marcelo Caldi transpõe para a sanfona as minúcias e sonoridades semelhantes à versão original do bandoneon de Piazzolla. A faixa traz uma abertura fenomenal, com uma cadência longa e estonteante de sanfona solo.

PARTICIPAÇÕES E MAIS NOVIDADES – Embora se apresente em boa parte das vezes como grupo instrumental, o LiberTango registrou, pela primeira vez, as vozes dos irmãos Caldi: Marcelo em “Mi Buenos Aires querido” (parceria de Carlos Gardel com o brasileiro Alfredo Le Pera) e Alexandre em “Bambino” (que recebeu letra póstuma de Zé Miguel Wisnik).

O álbum tem participação especial da cantora gaúcha Grazie Wirtti, dona de incrível temperamento à linguagem da música argentina, conforme está registrado em “Si Buenos Aires no fuera así” (Eladia Blázquez), faixa que traz ainda Matias Arriazú no violão de 8 cordas. A percussão nordestina em “Libertango” é de Fábio Luna.

TANGO EM FAMÍLIA – O LiberTango mantém vivo o legado do argentino Astor Piazzolla em terras brasileiras há 17 anos e é a prova do profundo diálogo musical entre Brasil e Argentina. Baseado no Rio de Janeiro, o trio é formado pela pianista Estela Caldi e por dois de seus filhos: Alexandre Caldi nos saxofones e nas flautas e Marcelo Caldi no acordeom. A discografia do trio inclui “LiberTango – a música de Astor Piazzolla” (Delira, 2005), “Cierra tus ojos y escucha” (Delira, 2007) e “Porteño” (Delira, 2010).

Nascido e consagrado na Argentina, o tango ganhou o mundo com a dança e também a partir da obra de Piazzolla, que inseriu o gênero nas mais respeitadas salas de concerto. Por aqui, ainda há quem se lembre do sucesso de Carlos Gardel entre as décadas e 1920 e 1940. Com este lançamento, o LiberTango reafirma a extraordinária força do ritmo latino e o insere definitivamente na agenda musical brasileira do século XXI.

“TANGOS HERMANOS”, lançamento
QUANDO: dias 13, 14 e 15 de dezembro (sexta, sábado e domingo, às 20h)
ONDE: Tenda do Centro Cultural Banco do Brasil, localizada na Praça dos Correios
QUANTO: ingressos a R$ 10 e a R$ 5, disponíveis na bilheteria do CCBB
E MAIS: Soraya Ravenle fará uma participação especial no show do dia 15, cantando, entre outras, “Vuelvo al Sur” e “Chiquilín de Bachín”, que estão em CDs anteriores do LiberTango

 

dez
02

Nos dias 14 e 15 de dezembro (sábado, às 20h, e domingo, às 19h), Joyce Moreno vai lançar “Tudo” em shows grátis – com bate-papo no final – no auditório do Espaço Furnas Cultural, em Botafogo. É o primeiro álbum totalmente autoral da cantora e compositora em doze anos – o último foi o “Gafieira moderna”, de 2001, que chegou ao Brasil no ano seguinte, através da Biscoito Fino, mesma gravadora que agora lança “Tudo”.

O nome do disco remete à diversidade de gêneros musicais presente no repertório – samba, galope nordestino, jazz, choro, bossa nova clássica – e à percepção, expressa na letra da canção-título, de que “tudo é uma canção”. Um disco de canções, portanto – esta cada vez mais rara forma de arte e que Joyce, como sabemos, domina muito bem.

“Costumo lançar um disco por ano lá fora e escolher alguns para lançar também aqui no Brasil. Na dúvida entre ‘Rio’, com canções sobre a cidade e todo feito de voz e violão, ou ‘Tudo’, só de inéditas minhas, senti vontade de perguntar ao público qual ele gostava mais. Nos apresentamos no Sesc Pompéia fazendo meio a meio o repertório de cada disco – e deixamos uma urna para que o público votasse. O ineditismo de ‘Tudo’ ganhou com folga”, lembra ela.

Oito das 13 faixas de “Tudo” trazem letra e música de Joyce (como “Domingo de manhã”, “Choro do anjo” e “Puro ouro”), mas algumas parcerias também estão presentes: com Paulo César Pinheiro (“Quero ouvir João” e “Dor de amor é água’, um samba blues com participação especial de Zé Renato) e o próprio Zé Renato (“Pra você gostar de mim”), parceiros antigos e frequentes.

Há também duas novas parcerias: com Nelson Motta (a bossa nova “Estado de Graça”) e Teresa Cristina (“Sem poder dançar”). Maurício Maestro, outro artista sempre próximo da obra de Joyce e integrante do Boca Livre, assina os arranjos vocais da marcha-rancho impressionista “Claude et Maurice” e do galope “Boiou”.

Boa parte das músicas do disco está no roteiro dos shows em Furnas, além de alguns clássicos na linha de “Feminina” (Joyce), “Mistérios” (dela com Maurício Maestro) e “Essa mulher” (de Joyce e Ana Terra). A cantora e compositora será acompanhada pelo seu trio, formado por Tutty Moreno na bateria, Rodolfo Stroeter no baixo e Rafael Vernet no piano. Com patrocínio da Eletrobras Furnas, estes shows são mais uma realização da Baluarte Agência, com assessoria de imprensa da Belmira Comunicação.

Quem é Joyce Moreno
Nascida no Rio de Janeiro, a cantora, compositora, arranjadora e instrumentista, Joyce tem em sua bagagem uma extensa discografia e cerca de 400 gravações de músicas suas por alguns dos maiores nomes da música popular brasileira, como Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Edu Lobo, Emilio Santiago, Chico Buarque, Boca Livre, Nana Caymmi, Zizi Possi, Elizeth Cardoso, Simone, Leny Andrade, Monica Salmaso e muitos outros. Na área internacional, tem sido gravada por nomes de peso como Annie Lennox, Wallace Roney, David Sanchez, Jon Lucien, Claus Ogerman, Gerry Mulligan, Till Brönner, Flora Purim e outros mais.

Composições suas têm sido utilizadas em trilhas sonoras de filmes (como “O jogador”, de Robert Altman, e “Legalmente loira”, de Robert Luketic), animações (participou da trilha do anime japones “Wolf’s rain” em parceria com a compositora japonesa Yoko Kanno), em programas de TV e em espetáculos teatrais. Sua marca registrada foi, desde o início da carreira, a linguagem feminina na 1ª pessoa. Joyce foi a primeira compositora brasileira a se expressar desta forma na história da MPB, abrindo caminho para um sem-número de outras criadoras que viriam depois.

Recebeu quatro indicações ao Grammy Latino e, até o momento, a sua discografia soma 33 álbuns individuais, além de compilacões e participações especiais. Atualmente, seu trabalho segue também trilha internacional, com turnês mundiais a cada ano e gravações de novos discos em diferentes países, sem perder nunca sua identidade brasileira-feminina. Apresenta-se anualmente no circuito Blue Note no Japão e em festivais de jazz e em turnês na Europa, Estados Unidos e Canadá.


JOYCE MORENO LANÇA O ÁLBUM “TUDO”

QUANDO: dias 14 (sábado), às 20h, e 15 de dezembro (domingo), às 19h

ONDE: Espaço Furnas Cultural (Rua Real Grandeza, 219, em Botafogo)

QUANTO: Entrada franca, com retirada de senhas no local a partir das 14h dos dias dos shows. É obrigatória a apresentação de documento com foto

E MAIS: Depois dos shows, haverá um bate-papo de Joyce com a plateia

Monica Ramalho

Monica Ramalho

Por Val Becker

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