jun
09

Concerto para Bebês é um projeto da Baluarte Cultura em parceria com o Quarteto Radamés Gnattali voltado para crianças de até 6 anos, moradoras de áreas pacificadas. A maioria, na certa, terá a sua primeira experiência com a música clássica, em repertório escolhido a dedo e interpretado pelo premiado Quarteto Radamés Gnattali. Ao todo, serão 16 apresentações gratuitas a serem realizadas em 8 Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDI) e Creches Municipais, da Prefeitura do Rio, patrocinadora através da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Gerência de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação.quarteto na peneira

Nesta primeira edição, os pequenos moradores do Anil, da Cidade de Deus, do Engenho Novo, do Complexo do Alemão, do Complexo da Maré, de Manguinhos e de São Carlos terão a oportunidade de assistir aos espetáculos, que devem ser vistos por cerca de 1500 crianças nos dias 13, 14, 15 e 17 de junho.

Com duração de cerca de 30 minutos, apontado como o tempo média de concentração nesta faixa etária, o Concerto para Bebês vai encantar a criançada em momentos lúdicos, elaborados com um cuidado especial: Perceber a reação da plateia. Os músicos estarão atentos à receptividade dos pequenos, e se moldarão às respostas do público mais sincero que um artista pode ter, aquele que só dança e sorri se realmente gostar do que ouve e vê. Essa interação foi pensada para que seja muito prazeroso esse contato inaugural dos bebês com a música de concerto.

“A oferta de projetos culturais focados na primeira infância ainda é muito pequena por aqui. As crianças não têm a oportunidade de ir a uma sala de concerto, pela exigência do silêncio. Estamos muito felizes de contribuir nesse sentido”, exulta Paula Brandão, sócia da Baluarte Cultura e mãe do Tito.

Para Carla Rincón, violinista do Quarteto Radamés Gnattali e mãe da duplinha Ílan e Emilia, “o mundo é decodificado pelos bebês pelos seus sons desde o útero materno. Diversas pesquisas feitas pelo mundo já confirmaram aquilo que a gente que é mãe vivencia na prática: A música tem influência significativa no desenvolvimento da criança. Tudo o que acontece em termos sonoros nessa primeira infância é muito importante para os nossos filhos”.

Villa-Lobos abre e pontua os concertos
O programa abre com a animada “Cantiga de roda” (Villa-Lobos), dos favoritos compositores do Quarteto Radamés Gnattali, emenda com a magistral “Guilherme Tell” (Rossini) avança para a lenta e delicada “Pavane” (Fauré) e repousa na cantiga de ninar “Canário” (Villa-Lobos). Em seguida, é a vez da instigante e misteriosa “Havanera de Carmen” (Bizet), que salta para “Atché” (Villa-Lobos) defendida no gogó pelos músicos.

As obras de Mozart são temas de pesquisas no mundo todo e os especialistas afirmam que as suas criações ajudam no desenvolvimento intelectual e criativo, sobretudo de bebês. “Pequena serenata noturna” (Mozart) traz de volta a concentração dos pequenos. Antes dos aplausos finais, o quarteto ainda faz ao vivo a emocionante “Peer Gynt” (Grieg), que vem sendo usada nos desenhos animados há décadas, e os acordes de “Oda à alegria” (Beethoven) entram para que a despedida seja naquele alto astral.

Dia 13 (segunda-feira):.
ANIL – EDI Norma Andrade Nogueira, às 8h30 e às 9h30
CIDADE DE DEUS – EDI Ana Carolina Pacheco da Silva, às 11h e às 13h30

Dia 14 (terça-feira):.
ENGENHO NOVO – Creche Municipal Nosso Cantinho, às 8h30 e às 9h
COMPLEXO DO ALEMÃO – EDI Prof Valéria Pereira de Souza Pinto, às 11h e às 13h30

Dia 15 (quarta-feira):.
COMPLEXO DA MARÉ – EDI Maria Amélia Castro e Silva Belfort, às 9h e às 13h
COMPLEXO DA MARÉ – EDI Azoilda Trindade, às 10h30 e às 14h

Dia 17 (sexta-feira):.
MANGUINHOS – Creche Municipal Manguinhos, às 8h30 e às 9h15
SÃO CARLOS – Creche Municipal Estácio de Sá, às 14h e às 14h30

Por Monica Ramalho
Foto de Cícero Rodrigues

jun
06

cris delannoCris Delanno é cantora, compositora e vocalista do BossaCucaNova, célebre grupo que mistura bossa nova e música eletrônica. Em 1999, Cris lançou o disco ao vivo “Nara, uma senhora opinião”, com arranjos de Roberto Menescal e Antonio Adolfo feitos sob medida para a sua potência vocal encontrar-se com o repertório de Nara Leão, que ela vai homenagear no Troféu Beco das Garrafas. O show será no sábado, 11 de junho, às 21h, com ingressos a R$ 40.

“Pelo tipo de voz, não sou uma opção óbvia para cantar a Nara, mas sou tão encantada por ela, por ter escolhido repertório como ninguém e estar na capa do LP da Tropicália. Por ter descoberto e revelado tantos compositores. Claro que vamos cantar bossa nova, mas queremos mostrar outros lados dessa cantora tão especial”, adianta Cris. “O barquinho” e “Você” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) estão confirmadas. “A banda”, “Com açúcar, com afeto” e “Quem te viu, quem te vê” (Chico Buarque) também, lembrando que foi Nara quem gravou Chico pela primeira vez. Dos tempos em que flertava com o samba do morro e atuou no musical “Opinião”, Cris pescou “Diz que fui por aí” (Zé Kéti) e “Carcará” (João do Vale e José Cândido). “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos) e “Traduzir-se” (Fagner e Ferreira Gullar) são outras do roteiro do show no Beco, que terá surpresas.

Ao todo, 20 artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados até dezembro com essa série de shows em Copacabana, batizada Troféu Beco das Garrafas e patrocinada pela Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura. Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto (e leva a assinatura do designer ilustrador Marcus Wagner), como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas vêm aí: Miúcha cantará as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado de Georgiana de Moraes, filha do Poetinha; os sucessos de Elis Regina serão interpretados por Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro; Áurea Martins vai interpretar Johnny Alf, o precursor da bossa nova; e Nina Becker cantará o repertório de Dolores Duran que ela gravou no primoroso álbum “Minha Dolores”, em 2014.

“O Troféu Beco das Garrafas é uma adaptação do projeto que o meu pai concebeu em 2002, chamado Troféu Bossa Nova. Escrevemos juntos e não conseguimos realizar antes de sua partida, em 2007. Uma forma de homenageá-lo será fazer uma noite dedicada a ele, quando entregaremos o Troféu Durval Ferreira para a garotada que está despontando na cena carioca e têm se apresentado com regularidade nas duas casas que revitalizamos em 2014, a Little Club e o Bottle’s Bar”, diz Amanda. “O Beco continua sendo berço de música de vanguarda desde os anos 50!”, exulta ela, que recebe, ainda, o apoio do Instituto João Donato.

Cris Delanno homenageia Nara Leão no Troféu Beco das Garrafas

QUANDO: 11 de junho, sábado, às 21h. A casa abre às 20h

ONDE: Beco das Garrafas – Rua Duvivier, 37, em Copacabana

QUANTO: R$ 40 (inteira), com meia entrada (R$ 20) para estudantes e maiores de 65 anos

mai
30

“As festas juninas são uma tradição no Rio e no Morro da Conceição. Nos anos 1970, a participação popular local era a maior da cidade, conforme registro do Jornal do Brasil de 1974. Alguns moradores ainda fazem os arraiás por lá, mas bem menores, na pracinha da Jogo da Bola”, explica o gestor cultural da Casa Porto, Raphael Vidal.

A ideia do evento  ‘Pois era noite de São João’ é reviver esse clima, nos pés do Morro: nos dias 5, 12, 19 e 26 de junho, das 10h às 22h, no Beco das Sardinhas, reunindo a tradição e o passado da Região Portuária, com brincadeiras, comidas típicas de cozinheiras locais, quadrilhas e trios de forró com a galera da gastronomia e da cerveja especial.

Confira a programação musical:

Dia 5 de junho:.
‘Arraiá da Rua Larga de São Joaquim’ com Forró de Rabeca, DJ Jada e DJ Araripe

Forró de RabecaNo início, os bailes de forró (que tem uma grande influência de danças medievais europeias), eram tocados na rabeca e na viola caipira, tempos depois chegaram a sanfona de oito baixos e o acordeom. Nas festas de interior, ritmos como o coco, xote, baião eram tocados e dançados para celebrar aniversários, casamentos e dias santos. Instrumentos como pandeiro, triangulo, melê e agogô acompanhavam a melodia cantada pela rabeca.

Quem é que vai comandar o “Arraiá da Rua Larga de São Joaquim” na estreia do ‘Pois era noite de São João’.
Ganhou um selinho na barraca do beijo quem disse:
Forró de Rabeca!

E, para melhorar, o DJ Jada e o DJ Araripe vão abrir o nosso arraiá com muito forró, moda de viola, xote e caipira direto dos vinis!

Dia 12 de junho:.
‘Arraiá do Largo de Santa Rita’ com Forró di Muié e DJ DONI

Forró de MuiéO DJ DONI (Bailão do Castelo e Noites Tropicais) é morador do Morro da Conceição e comandará a vitrola no segundo domingo do Pois era noite de São João. Logo depois, o Forró di Muié traz no nome e no trabalho a força do feminino, num repertório dançante colhido dentro das mais diversas raízes: sambas, sembas, cirandas, brasilidades e latinidades, que se juntam e se transformam nos tradicionais xotes, baiões, cocos, e rastapés do baile de forró.

Dia 19 de junho:.
‘Arraiá da Rua da Valinha’ com Trio Pimenteira e DJ Tata Ogan

A DJ Tata Ogan já discotecou nos lançamentos de discos de artistas como Milton Nascimento, Céu, Criolo, Otto, BNegão, Lenine e bandas como Nação Zumbi e Pedro Luís e A Parede. Mas no dia 19 de junho ela vai é discotecar pra gente com o melhor da música caipira no “Pois era noite de São João”. Logo depois, o Trio Pimenteira virá com um repertório ardente, com Luiz Gonzaga, Marinês, Dominguinhos, Genário e por aí vai.

Dia 26 de junho:.
‘Arraiá do pé do Morro do Padre Salsa’ com Zezinho do Acordeon e Quermesse

O último dia do “Pois era noite de São João” no Beco das Sardinhas será mais que especial!

Nascida no Morro da Conceição, a Quermesse começou ocupando a bela ladeira João Homem em dezembro de 2013, com muita música e degustação de incríveis quitutes. As ações do coletivo se expandiram no decorrer desse trajeto e hoje têm a rua Jogo da Bola, também no Morro da Conceição, como foco principal de suas ações. A Quermesse se organiza em 3 braços: Ateliê Cozinha, Ateliê Sonoro e Ateliê Visual. Cada “ateliê” é responsável por um dos espaços de criação onde a Quermesse atua. O coletivo realiza um evento bimestral no Morro da Conceição, no último domingo do mês, quando promove um evento que integra gastronomia, música e artes visuais. Mas, em junho, eles se juntam a nós e esse evento vai ser lá no Beco das Sardinhas!

Para encerrar com chave de ouro, convidamos o Zezinho do Acordeon e os Maiorais do Forró, com seus trinta anos de muito forró tradicional (já gravaram disco com Coroné Narcizinho ou Matuto do Piauí, um dos mais originais poetas nordestinos). Eles prometem um show com Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Nando Cordel, Marinês, Jackson do Pandeiro… Parece que o Beco das Sardinhas vai virar Sertão!

E nos quatro domingos vai rolar:

Roda de Coco do Tambor de Cumba

O coco é uma dança tradicional do Norte/Nordeste surgida na união da cultura negra com os povos indígenas, provavelmente nos quilombos, a partir do ritmo originado da quebra dos cocos. Com a sua dança e música, tornou-se um modo encantado de transmissão e manutenção das tradições populares.

O Tambor de Cumba, grupo de cultura afro-brasileira residente na Região Portuária, comandado por Ana Catão, vai mostrar pra gente que festa junina não é só forró.

Brassagem da Acerva Carioca
Na Idade Média, nas conhecidas feiras medievais (que também deram origem aos nossos arraiás, na mistura de tradições), era comum a fabricação de cervejas caseiras, principalmente por mulheres, opção mais artesanal diante das produzidas – quase que profissionalmente – por monges em seus mosteiros.

E como a gente gosta de cerveja e festa junina, veio o desejo de reproduzir um pouco dessa época, realizando brassagens gratuitas durante o ‘Pois era noite de São João’. E a ACervA Carioca vai realizar o nosso desejo!

A associação de cervejeiros caseiros, que objetiva incentivar o desenvolvimento da cultura da cerveja artesanal, no Rio de Janeiro e em todo o Brasil, promoverá encontros, palestras, cursos, concursos e degustações das mais variadas cervejas, em grande parte produzidas pelos próprios associados.

‘Pois era noite de São João’, serviço
QUANDO: Dias 5, 12, 19 e 26 de junho, domingos, das 10h às 22h

ONDE: Beco das Sardinhas – aos pés do Morro da Conceição (Morro do Padre Salsa), entre a avenida Marechal Floriano (rua Larga de São Joaquim), a rua do Acre (rua da Valinha) e o Largo de Santa Rita.

QUANTO: Grátis

mai
30

A Menina VirouNo domingo, dia 5 de junho, às 19h, a Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha, em Pedra de Guaratiba, vai exibir os seus dotes de picadeiro com a apresentação de “A Menina Virou”, uma recriação do texto clássico de circo-teatro desenvolvida pelo Circo Saltimbanco na Residência de Montagem de Espetáculo, coordenado pela Up Leon. A companhia é um dos quatro Polos Cariocas de Circo, iniciativa da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura a fim de fomentar a arte circense na cidade.

“A oportunidade de trabalhar com uma companhia jovem de família tradicional circense está sendo uma experiência enriquecedora para a nossa equipe. O desafio em remontar um texto clássico nos ajudou a perceber o quanto o tradicional e o moderno se misturam o tempo todo. Isso sem falar na importância de trazer para os dias de hoje espetáculos que fizeram parte da nossa história”, comenta Olga Dalsenter, diretora da Up Leon.

O espetáculo “A Menina Virou” narra a história de uma uma jovem que vive um romance escondido do pai, dono de um circo que decide fechar as portas e se mudar para a roça. Ela faz um pacto com El Bichon, uma figura diabolicamente infantil e divertida, que remete aos desenhos animados que assistimos na TV desde os anos 70, para contornar o gênio paterno e a crise familiar.

“A ideia era brincar com estereótipos mesmo. A mocinha é bem mocinha, tem anjo, capeta e, claro, aquela lição de moral para fazer a criançada pensar. O texto é anônimo e vem passando de geração em geração. A Ângela Cerícola, do Saltimbanco, me contou tudo o que lembrava e escrevemos e adaptamos, sem perder a essência da trama”, diz o diretor artístico convidado e profissional de circo Gabriel Jacques, parceiro da Up Leon desde 2008.

Ao longo de 1h20, há muita comédia pastelão e sete números, como malabares, tranca e rola-rola, que inserem um mini espetáculo de circo dentro da peça. O elenco é formado por sete artistas da Saltimbanco e a trilha sonora leva a assinatura do experiente produtor e compositor Tibor Fittel, responsável pelas trilhas de peças como “O Duende Rumpelstiltskin”, “Pinochio” e “João e Maria”.

“A Menina Virou” na Arena Chacrinha, serviço

QUANDO: 5 de maio, domingo, às 19h

ONDE: Arena Carioca Abelardo Barbosa – Chacrinha (Rua Soldado Elizeu Hipólito, S/N, em Guaratiba. Informações: (21) 3404.7980).

QUANTO: Grátis

mai
20

Para comemorar a primeira década de muita música, o Grupo Água Viva lança “O louco”. Este segundo disco independente da trupe carioca foi gravado entre 2011 e 2014 e revela a maturidade dos músicos em unir instrumentais e canções num mesmo universo sonoro, uma forte marca do conjunto desde a sua gênese. A ternura e a leveza de “Vigília” e “Leve”, que são cantadas, se misturam e complementam a densidade e o vigor de temas como “Dr. Cornelius” e “Trem Bala”. Esta coleção sonora de nova faixas convida o ouvinte a mergulhar numa inesgotável e surpreendente fonte de sensações. O show de lançamento será na sexta-feira, dia 27 de maio, às 20h, no Teatro Ipanema, com ingressos a R$ 30.

Grupo Água Viva

[Foto de Erick Dau]

“Carta do tarot, ‘O Louco’ é um jovem que anda tocando flauta, distraído com uma borboleta. Carrega uma trouxa, o que sugere a figura de um nômade. À sua frente, está um abismo. O Louco anda em sua direção, mas não o vê. Um cachorro lhe morde a perna, tentando, sem sucesso, avisá-lo”, explicam os músicos, por e-mail. “Neste disco somos todos “O Louco”: a nossa música é nômade, a nossa realidade é feita de abismo e os nossos sonhos são borboletas e flautas. E, por mais que o cachorro da realidade nos alerte, seguimos movidos pelo risco e pela paixão”.

A sonoridade contemporânea do Água Viva tem base fincada na música brasileira, explorando gêneros como baião, maracatu, frevo e samba, com influências da música latino-americana, do jazz e da música de concerto. A maioria de seus integrantes é multi-instrumentista, o que proporciona a criação de texturas  sonoras e variado colorido de timbres. Formado por Aline Gonçalves (flautas e clarineta), Felipe Cotta (percussão e bateria), João Bittencourt (piano, teclado e acordeon), Luciano Câmara (violão e guitarra), Marcela Velon (voz), Mayo Pamplona (contrabaixo) e Yuri Villar (flautas, saxofones e teclado), o Grupo concentra as energias num trabalho de cunho autoral.

O septeto já se apresentou em festivais nacionais e internacionais e conquistou prêmios como Melhor Execução Instrumental no IV Festival das Rádios MEC e Nacional (2012) e Melhor Grupo no XIX Festival Tápias de Artes Integradas (2007). O álbum de estreia, “Mundo ao Revés” (Bolacha, 2011), reservou dois trunfos para o público que acompanha os músicos nestes dez anos de estrada: a participação da cantora Bibi Ferreira e do músico Itiberê Zwarg, integrante chave da banda de Hermeto Pascoal e líder da Orquestra Itiberê.

Que os sons do Água Viva nos dêem asas!

Grupo Água Viva lança “O Louco”

QUANDO: 27 de maio, sexta-feira, às 20h

ONDE: Teatro Ipanema – Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema. Informações:. (21) 2523.9794.

QUANTO: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

mai
18

ellen olériaO novo ciclo de Ellen Oléria já começou – tem a ver com a mudança para São Paulo, prestes a completar um ano e, principalmente, com a chegada do aguardado “Afrofuturista” (independente). Aos poucos, a metrópole vai cabendo na palma da sua mão e escancarando as suas trilhas urbanas e sonoras. Das 20 músicas gravadas, 13 foram escolhidas para o álbum, terceiro solo que, contando com os discos das bandas Soatá e Pret.utu, vira o quinto da carreira desta artista de 33 anos que canta, compõe, toca violão e guitarra e ainda é atriz formada pela Universidade de Brasília (UnB).

O público baiano terá quatro noites para conhecer o novo show de Ellen Oléria: entre os dias 26 e 29 de maio (de quinta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h), ela cantará na CAIXA Cultural Salvador, com ingressos a populares R$ 8. No dia 25 de maio, Ellen e Poliana Martins estarão à frente da oficina de rimas e poemas “Vou aprender a ler pra ensinar meus camaradas”, gratuita, com número limitado de vagas, a fim de desenvolver o tema do espetáculo em conexão com expressões da oralidade, como o hip hop e os cancioneiros populares brasileiros. A realização é da produtora Janela do Mundo, em parceria com a Carne Dura Produções, com patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

Quando Ellen fala sobre o álbum, são nomes de músicxs, produtorxs, arranjadorxs e compositorxs que aparecem primeiro. Vaidade ela só tem ao escolher o figurino sempre exuberante e o que vai no prato. Vegetariana, assim como a produtora Poliana Martins (sua esposa e autora dos versos da faixa “Eu posso ser mais”), Ellen vem entrando em forma desde que venceu a primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do cuidado com a alimentação, ela agora faz exercícios regulares e até investe numas corridas pelo Ibirapuera ou pelo Minhocão. Um dos seus talentos é a simpatia genuína. Bobeou e lá está Ellen trocando uma ideia com um alguém que a reconhece. Antes mesmo de dizer o nome do disco, Ellen dá o crédito às amizades que ajudaram a trazer esse “Afrofuturista” para o presente. E que presente!

A estética da nova bolacha tem muito a ver com a leveza da produção de Felipe Viegas e o toque certeiro de alabê do baiano Gabi Guedes, percussionista da Orkestra Rumpilezz; nasceu junto com os versos afiados de Roberta Estrela D’Alva e o vozeirão da cubana Yusa; traz a sonoridade das alfaias de Seu Estrelo e o Fuá de Terreiro e a plasticidade dos arranjos de Pedro Martins. O disco foi todo gravado em Brasília, onde a cantora viveu até outro dia e que aplaude a sua música desde o bê-a-bá. “A nave”, por exemplo, fala de uma cidade em movimento e remete ao avião que dá forma ao Plano Piloto, com as suas asas Norte e Sul. Ellen está fixando o microfone no concreto paulistano, mas sabe que, a qualquer momento, pode voltar. “Quero viajar mais uma vez pilotando a nave”, avisa o refrão.

“A gente tá falando de rotas e raízes, identidade, pertencimento. Por isso, o nome do disco não é qualquer futurismo, é um afrofuturismo. Não bélico, soror e solidário, mas baseado no conceito mais revolucionário que conheci na vida: o amor”, diz. Esperançosa, cita um texto de Mateus Aleluia, cantor integrante do legendário grupo Os Tincoãs e pesquisador incansável, para explicar o que narra em ritmo de samba, afoxé, maracatu, carimbo e um forró caribenho: “Nós somos a descendência e nós somos também a ancestralidade. Somos a herança e também a promessa. É a verdadeira volta, uma espiral-ouróboros, porque é como se fosse a cobra mordendo a própria cauda. Quando fala no ancestral, a gente fala também em quem há de vir. Aquilo que é e que já foi. Essa é a nossa forma ancestral de existir”.

Antigamente, as músicas ganhavam fama e caíam nas graças do público que batia ponto nos saraus para, só então, serem gravadas. “Afrofuturista” tem mais esse trunfo. Ellen vem testando (“Alô, alô, som!”) essa coleção há algum tempo e selecionou para a bolacha exatamente o que queria, o que provou e sabe que funciona ao vivo, o que está com muita vontade de espalhar pelo planeta. “É muito gostoso ver nos shows que o povo já decorou esse repertório. Agora temos o disco e chegou a hora de mais gente, muito mais gente (risos), conhecer o trabalho”, fala, com brilho nos olhos e o timbre macio que o Brasil já conhece tão bem.

 

A CAIXA Cultural Salvador fica na Rua Carlos Gomes, 57, no Centro.

mai
13

Em comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. Primeira dos três artistas selecionados por edital para levar os seus trabalhos ao Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), a cantora Ilessi receberá o sanfoneiro Kiko Horta, fundador do Cordão do Boitatá, para mostrar ‘As parcerias de Manduka e Dominguinhos’ na terça, 17 de maio, às 19h, com ingressos a R$ 30. No roteiro, “Nem santo, nem ouro”, “O trinado do trovão” e “Quem me levará sou eu” (Manduka e Dominguinhos), mais algumas que a dupla gravou num álbum ainda inédito, entre elas “Própria luz” (de Manduka e Abel Silva) e “Gentileza” (só de Manduka). “Chamei o Kiko para estar comigo neste show porque ele é um dos melhores sanfoneiros do Brasil e tem a sofisticação que esse repertório pede”, explica a cantora.

ilessi

A obra de Manduka chegou para Ilessi pelo programa Rádio Chama, abastecido na web pelo grupo de compositores que se intitula Coletivo Chama e transmitido pela Rádio Roquette Pinto. O mundo escapou sob os seus pés quando ouviu “Viagem de barco”. Ligou para outro Thiago, o Amud, e perguntou quem era o autor daquela canção que a arrebatou, acreditando que o autor estivesse vivo. Amud explicou que Manduka já havia falecido, o que surpreendeu a cantora, que sentiu a sua música tão viva e atual. Ilessi procurou imediatamente Thiago de Mello a fim de conhecer o repertório singular do seu irmão, Alexandre Manuel Thiago de Mello, o Manduka, que viveu entre fevereiro de 1952 e outubro de 2004.

“Essa cantora de tanta personalidade veio aqui em casa e garimpou um material farto do Manduka. Em apenas dois meses, voltou com muita certeza do que queria cantar. Fiquei feliz porque estamos precisando ouvir mensagens como ‘Viagem de barco’, que é um ‘Bye bye Brasil’ amazônico. Sofisticada e irônica, nos devolve um Brasil que há muito não existe”, diz Thiago, um incansável pesquisador das famosas fitas cassetes que o compositor espalhou pelos lugares onde viveu. A essência do disco de Ilessi é o K7 “O desmantelo”. Ela escolheu 14 canções desta coleção, mais a faixa-título, “Quem me levará sou eu”, e duas que nasceram no México, onde ele morou por seis anos. Cinco faixas já estão gravadas para o álbum, que sai no final de 2016, com o canto de Ilessi e as cordas de Diogo Sili, parceiro na empreitada. No disco e no show, ela vai apostar no formato voz e violão, o favorito de Manduka.

Completamente apaixonada por esse repertório, Ilessi conta que mergulhou em composições como “Conseguiram parabéns” e “Com os pés no futuro”, ambas disponíveis em vídeo no YouTube, em registros da jovem cantora. “Foi um impacto muito grande a chegada da música do Manduka na minha vida. Ouvia sem parar como se só houvesse esses áudios no mundo (risos). É um privilégio ser uma das cantoras que dá voz ao Manduka hoje, quando o que mais precisamos é ser encantados por uma criação artística que nos enriqueça”, filosofa Ilessi, que estreou em disco no elogiado “Brigador”, de 2009, com parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro.

Vem aí!
No dia 12 de julho, será a vez de Thiago Thiago de Mello levar o seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Em breve, mais informações sobre ambos os shows!

Por Monica Ramalho
Foto de Marcelo Fedrá

Ilessi e Diogo Sili interpretam Manduka no CCJF, serviço

QUANDO: 17 e 31 de maio, terças-feiras, às 19h

ONDE: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) – Av. Rio Branco, 241, no Centro. A bilheteria funciona de terça a domingo, das 12h às 19h, e atende no: (21) 3261.2565

QUANTO: Ingressos a R$ 30 (inteira), com meia-entrada (R$ 15)

PLUS: No dia 17, o convidado será o sanfoneiro Kiko Horta e, o dia 31, as participações especiais serão Thiago Thiago de Mello e Luiza Borges

ETCÉTERA: A casa dispões de 141 lugares e a censura é de 16 anos

mai
05

Pressa não é palavra de ordem no vocabulário dos quatro garotos do Baltazar, banda carioca que vem colecionando admiradores na cena independente. Disponível nas plataformas digitais, o EP “Pressa” foi gravado em dezembro de 2015, no estúdio Maravilha 8, com produção musical de Daniel Carvalho e auxílio luxuoso de Berna Ceppas, em um raro gravador de fita dos anos 80 para deixar o processo meio analógico e soar antigo, alinhado à estética musical da banda.

baltazar laranja

Pedro Mib (voz e guitarra), Eric Camargo (guitarra e voz), Jota Costa (baixo) e Pedro Tentilhão (bateria), amigos desde os bancos da escola, caminham agora juntos para a maturidade musical com o lançamento deste EP e suas cinco faixas autorais e inéditas. O primeiro show com a bolacha na mão (que chega da fábrica no próprio dia!) será nesta quarta, dia 11 de maio, no Espaço Cultural Sérgio Porto.

A levada setentista de “Desafinar” abre o EP, que emenda com “São Salvador”, sambalanço inspirado na praça homônima, em Laranjeiras. A sonzeira continua com a rebeldia suave de “Eu não volto mais pra casa”, a dançante “Por quê” – Leo (filho de George) Israel toca os teclados –, e, para fechar, a faixa-título. “Pressa” ganhou um reforço e tanto: as participações de José Ibarra e Lucas Nunes, respectivamente, vocalista e guitarrista da Dônica, banda amiga e incentivadora do Baltazar.

Para o show do Sérgio Porto estão previstas outras músicas, que aguardam a vez de serem registradas em estúdio, como “Impressão”, “Inócua” e “Ninguém”.

Os músicos se juntaram para escrever esse faixa a faixa:

  1. “Desafinar” (Eric Camargo e Jota Costa)

Fizemos em Laranjeiras, em uma noite comum, quando o Jota pegou o violão que estava desafinado, e quase que instantaneamente, surgiram a melodia, a ideia e um esboço de letra. O violão, completamente fora do tom, acabou gerando a metáfora central da música, que, de certa forma, tenta homenagear aquele outro “Desafinado”, bem mais conhecido de todos.

  1. São Salvador” (Jota Costa)

Dependendo da época do ano, se você estiver sentado em um dos bancos que cercam o chafariz da Praça São Salvador, verá exatamente a cena que cantamos nos versos iniciais. A melodia da canção surgiu lá mesmo, junto com a maior parte da letra. Jota avisou à namorada da época e aos amigos que precisava correr para casa para registrar o sambalanço, algo absolutamente novo para nós. Daniel e Berna disseram que precisávamos de sopros nessa música e o maestro Felipe Pinaud foi convocado para fazer o lindo arranjo, que deu à canção todo esse carisma que você pode comprovar.

  1. Eu não volto mais para casa” (Eric Camargo)

É uma música simples, que faz reflexões simples sobre como lidar com as diferentes formas de sofrer. Simplicidade também é profundidade. Essa foi uma das músicas na qual o nosso produtor, Daniel Carvalho, mais nos ajudou no arranjo.

  1. “Por quê” (Eric Camargo, Jota Costa e Pedro Mib)

Fala sobre estar perdido, sobre como é se perder, sobre como procurar o caminho de volta, e sobre o que é de fato se perder. Eric escreveu a canção enquanto estudava na biblioteca de sua antiga faculdade – refletindo exatamente sobre estar ali. A música, com uma pegada mais “funkeada”, conta com participação especial de nosso amigo, Leo Israel, no Wurlitzer e em seu teclado.

  1. “Pressa” (Jota Costa)

É um pedido de demissão musicado em cima de um diálogo que Jota e a sua mãe travaram quando ele decidiu pedir as contas. Essa música foi feita antes de existir o Baltazar, mas todos se identificaram e ela virou a queridinha da banda – por isso escolhida para nomear o EP. Sempre imaginamos essa música num formato mais épico, e acabamos nos dedicando de maneira peculiar à sua gravação. E ainda chamamos os nossos talentosíssimos amigos Lucas e Zé, da banda Dônica, para gravarem as teclas.

Corre lá para ouvir “Pressa”!

Baltazar lança o EP “Pressa”, serviço

QUANDO: Quarta, dia 11 de maio, às 21h

ONDE: Espaço Cultural Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163, no Humaitá. Informações: (21) 2535.3846

QUANTO: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

ETCÉTERA: 130 lugares

 

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Em comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. Os cantores Ilessi, Thiago Thiago de Mello e Luiza Borges (nesta ordem por uma questão de agenda de shows a serem realizados, de maio a novembro, no Centro Cultural Justiça Federal, Centro do Rio) estão mais ligados do que nunca por conta de algumas interseções que permeiam os seus trabalhos sonoros. A paixão por compositores ainda pouco conhecidos, embora com um baú de preciosidades – caso do Manduka, que vem a ser irmão de Thiago, gravado por Ilessi e por Luiza –, é um deles. A busca por uma música que faça o ouvinte olhar para dentro de si, em tempos de tanta exposição, também.

Thiago, Luiza e Ilessi

Ilessi será a primeira do trio a cantar no CCJF. Nos dias 3, 7 e 31 de maio, a jovem de Jacarepaguá, moradora de Copacabana, vai desfiar cerca de 17 músicas de Manduka no show “Quem me levará sou eu”, homônimo a uma das canções dele que ganharam notoriedade em vida. Feita em parceria com Dominguinhos, foi defendida por Fagner num festival em 1979. A obra de Manduka chegou para Ilessi pelo programa Rádio Chama, abastecido na web pelo grupo de compositores que se intitula Coletivo Chama e transmitido pela Rádio Roquette Pinto. O mundo escapou sob os seus pés quando ouviu “Viagem de barco”. Ligou para outro Thiago, o Amud, e perguntou quem era o autor daquela canção que a arrebatou, acreditando que o autor estivesse vivo. Amud explicou que Manduka já havia falecido, o que surpreendeu a cantora, que sentiu a sua música tão viva e atual. Ilessi procurou imediatamente para o outro Thiago e a fim de conhecer o repertório singular de Alexandre Manuel Thiago de Mello, o Manduka, que viveu entre fevereiro de 1952 e outubro de 2004.

“Essa cantora de tanta personalidade veio aqui em casa e garimpou um material farto do Manduka. Em apenas dois meses, voltou com muita certeza do que queria cantar. Fiquei feliz porque estamos precisando ouvir mensagens como ‘Viagem de barco’, que é um ‘Bye bye Brasil’ amazônico. Sofisticada e irônica, nos devolve um Brasil que há muito não existe”, diz Thiago, um incansável pesquisador das famosas fitas cassetes que o irmão mais velho espalhou pelos lugares onde viveu. A essência do disco de Ilessi é o K7 “O desmantelo”. Ela escolheu 14 canções desta coleção, mais a faixa-título, “Quem me levará sou eu”, e duas que nasceram no México, onde o compositor morou por seis anos. Cinco faixas já estão gravadas para o álbum, que sai no final de 2016, com o canto de Ilessi e as cordas de Diogo Sili, parceiro na empreitada. No disco e no show, ela vai apostar no formato voz e violão, o favorito de Manduka.

“Bala de vento”, por exemplo, foi escrita nessa fase mexicana. Thiago foi atrás de vestígios do “hermano” (abaixo, em foto de junho de 1978), e encontrou algumas dessas fitas. Uma estava na Rádio Nacional, onde havia um disco inteiro com músicas que ninguém da família sabia da existência. Outras, guardadas com amigos. Thiago resgatou um significativo material inédito. “De vez em quando isso ainda acontece”, comenta. Há uns dois anos, o pai, o poeta Thiago de Mello, apareceu na casa dele com a gravação de um show que fez com o filho no Teatro Amazonas, em 1982. “Fiquei encantado porque era tudo muito artesanal, com música e poesia entremeados numa costura quase medieval”, atesta ele.

mandukaCompletamente apaixonada por esse repertório, Ilessi conta que mergulhou em composições como “Conseguiram parabéns” e “Com os pés no futuro”, ambas disponíveis em vídeo no YouTube, em registros da jovem cantora. “Foi um impacto muito grande a chegada da música do Manduka na minha vida. Ouvia sem parar como se só houvesse esses áudios no mundo (risos). É um privilégio ser uma das cantoras que dá voz ao Manduka hoje, quando o que mais precisamos é ser encantados por uma criação artística que nos enriqueça”, filosofa Ilessi, que estreou em disco no elogiado “Brigador”, de 2009, com parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro.

A floresta do Thiago de Mello
No dia 12 de julho, será a vez de Thiago Thiago de Mello levar o seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. É um projeto para além do disco, que Thiago espera gravar ainda este ano – ele tem dois álbuns com a banda Escambo: “Flúor” (2009) e “Neón” (2013). Nascido no Leblon, cidadão do Humaitá, o professor investe tempo, pesquisa e criatividade nesta coleção há cerca de três anos e meio. “Comecei a compor de maneira mais consciente sobre a Amazônia, onde morei na infância e para onde retorno todos os anos. Passei a ouvir mais sistematicamente outros compositores de lá, enchi a minha casa de plantas… Mexer com a floresta é sintonizar com a espiritualidade e a gente muda no processo”, avalia.

Ele conta que fez mais de 40 músicas em 2014, uma produção incomum. “Abri um canal e, entrando na Amazônia, entrei na história da minha família. Fui na casa do meu pai e encontrei pastas com documentos. Comecei a ler cartas da minha avó para o meu pai, que está agora com 90 anos, do meu bisavô para o meu avô. São cartas escritas em 1904! Abria e pulavam traças e eu lia cada vez mais interessado naqueles assuntos todos, dos quais sou herdeiro. Virei madrugadas devorando esses registros e descobri, por exemplo, que muitos antepassados tiveram inclinações musicais. Foi o que me deu fôlego para aprimorar essa pesquisa”, diz, lembrando que “o Brasil não conhece o Brasil”, como cantava Elis Regina, e a Amazônia, pulmão do mundo, riqueza do nosso país, é desconhecida para a maioria dos brasileiros.

A música de Thiago se ocupa de dar possíveis respostas para questões elementares (e fundamentais), como: Quem somos nós? E para que estamos aqui? “Já existe uma geração trabalhando com esse tipo de música que a gente faz, na contramão do mercado. É puro investimento, sem retorno financeiro. Tem um edital aqui, um elogio acolá, um convite para fazer um show, mas ainda é muito desproporcional”, pontua. Talvez por isso, a vontade de imprimir um certo ritmo na propagação da sua música pelas redes, através da Rádio Chama – ele é integrante do Coletivo Chama –, e dos vídeos que vem publicando, desde janeiro, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, nas suas páginas no YouTube e no Facebook. “A ideia veio dos meus alunos, que assistem a milhares de vídeos curtos por dia, e, ao mesmo tempo, prestigiam os meus shows, prestam atenção nos artistas que indico. Já temos vídeos prontos para subir até setembro e estou adorando fazer isso”.

Para o show no CCJF, o artista separou 15 composições, entre elas “Vingança de cunhã”, gravada pela banda Pietá e por André Muato, “Certezas inacreditáveis”, que nomeará o segundo disco da Luiza Borges, a ser lançado ainda este (o primeiro, “Romanceiro”, é de 2012) e “Que nem Japiim”, as duas últimas, em parceria com Edu Kneip. Japiim tem um conceito interessante: É um pássaro que imita os sons de outros pássaros, cobras e onças, porque ele mesmo não tem um som original. Faz parte desse processo de buscar a própria voz que aproxima os três jovens artistas. Neste show, Thiago Thiago de Mello será acompanhado por Bernardo Aguiar na percussão eletrônica (que também participa do show da Ilessi e do disco da Luiza) e Diogo Sili na guitarra elétrica (que toca violão no show da Ilessi).

E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Além de cantar, ela escreve e compõe. Adianta que gravará “Se, será, seria”, que faz parte do livro de poesias “Silêncio absoluto”, a ser lançado esse ano pela Editora LiteraCidade. O prefácio será do letrista Mauro Aguiar. Professora de canto desde 2009, ela revela que se viu diante da mesma questão que vem movendo a fé de Ilessi e Thiago nos últimos anos. “Passei a refletir de forma cada vez mais madura sobre o porquê de continuar dizendo algo para as pessoas através do canto. A voz é um instrumento que veicula conteúdos. Serve para a troca, soa para comunicar. E a serviço de que troca eu quero sustentar a minha voz cantada?”, pergunta.

Os três artistas concordam que essa ideia de fazer canções sobre o autocontato esteja no ar. “Venho pensando que isso é tudo o que precisamos: Nos ouvirmos, nos colocarmos, e assim podermos ter um espaço real para nos alimentarmos também da expressão do outro. Escutar. Absorver. Devolver. A vida está muito corrida, os relacionamentos robotizados. Estamos todos sem tempo para isso. Como pode ser possível se identificar com o trabalho de um novo artista, buscar num show desconhecido a tal da troca, se não há espaço sequer para nos notarmos e nos expressarmos? É com essa lacuna que eu gostaria de colaborar”, sentencia a moradora de Laranjeiras.

“Percebi que existe uma geração que, sem combinar, está dividindo os mesmos pensamentos”, afirma. Luiza Borges vai mostrar que pensamentos são esses no CCFJ, onde cantará músicas como “Fardo” (Thiago Amud), “Canto e trabalho” (Thiago Thiago de Mello e Marcelo Fedrá), “A fama e a fome” (Pedro Ivo e Mauro Aguiar) e “Irada” (João Nabuco e Mauro Aguiar). Ao todo, 14 músicas serão interpretadas por Luiza e André Siqueira no violão, com participações especiais. Por falar nisso, vale lembrar: Ilessi, Thiago e Luiza vão cantar dos shows uns dos outros. E, assim, com encontros verdadeiros e repletos de propósito, essa rede se fortalece cada vez mais.

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15

“Proponho aos ouvidos atentos prestarem bastante atenção ao trabalho musical de Túlio Borges (em foto de Vitor Schietti). Depois a gente conversa”. A assertiva é do musicólogo e crítico de música Zuza Homem de Mello, a respeito da produção musical do cantor e compositor brasiliense. Pianista por formação, Túlio já foi premiado em diversos festivais do país por sua criação musical poética e híbrida.

O seu álbum de estreia, “Eu venho vagando no ar” (2010), é festejado pela crítica especializada pela profundidade, delicadeza e poesia calorosa, o perfeito domínio de textos e ideias, a cuidadosa feitura e, de acordo com o jornalista musical, escritor e pesquisador Tárik de Souza, por ser um manifesto de um novo e singular artista. O disco foi nomeado como um dos 50 melhores do ano pela Revista Manuscrita, indicado para o Prêmio da Música Brasileira e rendeu ao autor o prêmio de Melhor Cantor Independente de 2010, concedido pela Rádio Cultura de São Paulo.

Túlio por Vitor Schietti
Os shows do seu novo disco, “Batente de Pau de Casarão” (2015) chegam, finalmente, ao Rio de Janeiro, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF e realização da Padê Produções. Túlio se apresenta no Bar Semente, na Lapa (quarta, dia 20, às 20h, com ingressos a R$ 30), no Eco Som Studios, em Botafogo (quinta, dia 21, às 20h, com ingressos a R$ 20) e na Casa Porto, na Saúde (sexta, dia 22, às 20h, com entrada gratuita).

Para mostrar ao vivo músicas como “Coco de pé de manga” (Jessier Quirino), “Sertão de almas”, “Canção do Piauí unido” e “Baú de guardados” (parcerias de Túlio Borges com Climério Ferreira) e “Adorável trovador”(Túlio Borges e Toty), Túlio chamou Rafael dos Anjos (violão), Júnior Ferreira (acordeom), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Fernando César (violão de sete), Valério Xavier e Afonso Gadelha (percussões).

O lançamento foi eleito o segundo melhor disco nacional de 2015 pelo site Os Melhores da Música Brasileira. Neste trabalho, Túlio alia a reconhecida singular musicalidade brasiliense às suas raízes nordestinas. A história do disco perfaz o caminho de São José do Egito, em Pernambuco, terra dos maravilhosos vates do repente, dos nomes quase sagrados na poesia popular nordestina, como o de Louro do Pajeú, Rogacioano Leite e Antonio Marinho, até a capital do país, Brasília.

O álbum traz parcerias de Túlio com poetas nordestinos, como o Jessier Quirino, da Paraíba, e Climério Ferreira, do Piauí, que se constituem em entoações contemporâneas e citadinas e um novo perfil sonoro para a poética do sertão. Dedicado à cidade de São José do Egito, a capital nordestina da poesia, o disco reúne excelentes instrumentistas brasilienses e brasileiros, para celebrar a admiração do compositor pelos poetas e cantadores nordestinos.

“Batente de Pau de Casarão” está disponível para streaming e download gratuitos em: www.tulioborges.com

Shows no Rio de Janeiro, serviço:

20/4 (quarta), às 20h
BAR SEMENTE
Evaristo da Veiga, 149, na Lapa
R$ 30
Classificação: 16 anos

21/4 (quinta), às 20h
ECO SOM STUDIOS
Real Grandeza, 170, em Botafogo
R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)
Classificação: 12 anos 

22/4 (sexta), às 20h
CASA PORTO
Largo São Francisco da Prainha, 4, na Saúde
Entrada gratuita
Classificação: 12 anos

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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