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Em comum, a música, acima de tudo, e a amizade, que faz com que a maioria dos encontros termine em música. Os cantores Ilessi, Thiago Thiago de Mello e Luiza Borges (nesta ordem por uma questão de agenda de shows a serem realizados, de maio a novembro, no Centro Cultural Justiça Federal, Centro do Rio) estão mais ligados do que nunca por conta de algumas interseções que permeiam os seus trabalhos sonoros. A paixão por compositores ainda pouco conhecidos, embora com um baú de preciosidades – caso do Manduka, que vem a ser irmão de Thiago, gravado por Ilessi e por Luiza –, é um deles. A busca por uma música que faça o ouvinte olhar para dentro de si, em tempos de tanta exposição, também.

Thiago, Luiza e Ilessi

Ilessi será a primeira do trio a cantar no CCJF. Nos dias 3, 7 e 31 de maio, a jovem de Jacarepaguá, moradora de Copacabana, vai desfiar cerca de 17 músicas de Manduka no show “Quem me levará sou eu”, homônimo a uma das canções dele que ganharam notoriedade em vida. Feita em parceria com Dominguinhos, foi defendida por Fagner num festival em 1979. A obra de Manduka chegou para Ilessi pelo programa Rádio Chama, abastecido na web pelo grupo de compositores que se intitula Coletivo Chama e transmitido pela Rádio Roquette Pinto. O mundo escapou sob os seus pés quando ouviu “Viagem de barco”. Ligou para outro Thiago, o Amud, e perguntou quem era o autor daquela canção que a arrebatou, acreditando que o autor estivesse vivo. Amud explicou que Manduka já havia falecido, o que surpreendeu a cantora, que sentiu a sua música tão viva e atual. Ilessi procurou imediatamente para o outro Thiago e a fim de conhecer o repertório singular de Alexandre Manuel Thiago de Mello, o Manduka, que viveu entre fevereiro de 1952 e outubro de 2004.

“Essa cantora de tanta personalidade veio aqui em casa e garimpou um material farto do Manduka. Em apenas dois meses, voltou com muita certeza do que queria cantar. Fiquei feliz porque estamos precisando ouvir mensagens como ‘Viagem de barco’, que é um ‘Bye bye Brasil’ amazônico. Sofisticada e irônica, nos devolve um Brasil que há muito não existe”, diz Thiago, um incansável pesquisador das famosas fitas cassetes que o irmão mais velho espalhou pelos lugares onde viveu. A essência do disco de Ilessi é o K7 “O desmantelo”. Ela escolheu 14 canções desta coleção, mais a faixa-título, “Quem me levará sou eu”, e duas que nasceram no México, onde o compositor morou por seis anos. Cinco faixas já estão gravadas para o álbum, que sai no final de 2016, com o canto de Ilessi e as cordas de Diogo Sili, parceiro na empreitada. No disco e no show, ela vai apostar no formato voz e violão, o favorito de Manduka.

“Bala de vento”, por exemplo, foi escrita nessa fase mexicana. Thiago foi atrás de vestígios do “hermano” (abaixo, em foto de junho de 1978), e encontrou algumas dessas fitas. Uma estava na Rádio Nacional, onde havia um disco inteiro com músicas que ninguém da família sabia da existência. Outras, guardadas com amigos. Thiago resgatou um significativo material inédito. “De vez em quando isso ainda acontece”, comenta. Há uns dois anos, o pai, o poeta Thiago de Mello, apareceu na casa dele com a gravação de um show que fez com o filho no Teatro Amazonas, em 1982. “Fiquei encantado porque era tudo muito artesanal, com música e poesia entremeados numa costura quase medieval”, atesta ele.

mandukaCompletamente apaixonada por esse repertório, Ilessi conta que mergulhou em composições como “Conseguiram parabéns” e “Com os pés no futuro”, ambas disponíveis em vídeo no YouTube, em registros da jovem cantora. “Foi um impacto muito grande a chegada da música do Manduka na minha vida. Ouvia sem parar como se só houvesse esses áudios no mundo (risos). É um privilégio ser uma das cantoras que dá voz ao Manduka hoje, quando o que mais precisamos é ser encantados por uma criação artística que nos enriqueça”, filosofa Ilessi, que estreou em disco no elogiado “Brigador”, de 2009, com parcerias de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro.

A floresta do Thiago de Mello
No dia 12 de julho, será a vez de Thiago Thiago de Mello levar o seu “Amazônia Subterrânea” para o público do Centro do Rio. É um projeto para além do disco, que Thiago espera gravar ainda este ano – ele tem dois álbuns com a banda Escambo: “Flúor” (2009) e “Neón” (2013). Nascido no Leblon, cidadão do Humaitá, o professor investe tempo, pesquisa e criatividade nesta coleção há cerca de três anos e meio. “Comecei a compor de maneira mais consciente sobre a Amazônia, onde morei na infância e para onde retorno todos os anos. Passei a ouvir mais sistematicamente outros compositores de lá, enchi a minha casa de plantas… Mexer com a floresta é sintonizar com a espiritualidade e a gente muda no processo”, avalia.

Ele conta que fez mais de 40 músicas em 2014, uma produção incomum. “Abri um canal e, entrando na Amazônia, entrei na história da minha família. Fui na casa do meu pai e encontrei pastas com documentos. Comecei a ler cartas da minha avó para o meu pai, que está agora com 90 anos, do meu bisavô para o meu avô. São cartas escritas em 1904! Abria e pulavam traças e eu lia cada vez mais interessado naqueles assuntos todos, dos quais sou herdeiro. Virei madrugadas devorando esses registros e descobri, por exemplo, que muitos antepassados tiveram inclinações musicais. Foi o que me deu fôlego para aprimorar essa pesquisa”, diz, lembrando que “o Brasil não conhece o Brasil”, como cantava Elis Regina, e a Amazônia, pulmão do mundo, riqueza do nosso país, é desconhecida para a maioria dos brasileiros.

A música de Thiago se ocupa de dar possíveis respostas para questões elementares (e fundamentais), como: Quem somos nós? E para que estamos aqui? “Já existe uma geração trabalhando com esse tipo de música que a gente faz, na contramão do mercado. É puro investimento, sem retorno financeiro. Tem um edital aqui, um elogio acolá, um convite para fazer um show, mas ainda é muito desproporcional”, pontua. Talvez por isso, a vontade de imprimir um certo ritmo na propagação da sua música pelas redes, através da Rádio Chama – ele é integrante do Coletivo Chama –, e dos vídeos que vem publicando, desde janeiro, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, nas suas páginas no YouTube e no Facebook. “A ideia veio dos meus alunos, que assistem a milhares de vídeos curtos por dia, e, ao mesmo tempo, prestigiam os meus shows, prestam atenção nos artistas que indico. Já temos vídeos prontos para subir até setembro e estou adorando fazer isso”.

Para o show no CCJF, o artista separou 15 composições, entre elas “Vingança de cunhã”, gravada pela banda Pietá e por André Muato, “Certezas inacreditáveis”, que nomeará o segundo disco da Luiza Borges, a ser lançado ainda este (o primeiro, “Romanceiro”, é de 2012) e “Que nem Japiim”, as duas últimas, em parceria com Edu Kneip. Japiim tem um conceito interessante: É um pássaro que imita os sons de outros pássaros, cobras e onças, porque ele mesmo não tem um som original. Faz parte desse processo de buscar a própria voz que aproxima os três jovens artistas. Neste show, Thiago Thiago de Mello será acompanhado por Bernardo Aguiar na percussão eletrônica (que também participa do show da Ilessi e do disco da Luiza) e Diogo Sili na guitarra elétrica (que toca violão no show da Ilessi).

E para fechar o ciclo de apresentações dessa gente jovem, cabelo ao vento reunida, a cantora Luiza Borges apresentará o show “Certezas inacreditáveis” no CCJF nos dias 25 de outubro e 15 de novembro. Além de cantar, ela escreve e compõe. Adianta que gravará “Se, será, seria”, que faz parte do livro de poesias “Silêncio absoluto”, a ser lançado esse ano pela Editora LiteraCidade. O prefácio será do letrista Mauro Aguiar. Professora de canto desde 2009, ela revela que se viu diante da mesma questão que vem movendo a fé de Ilessi e Thiago nos últimos anos. “Passei a refletir de forma cada vez mais madura sobre o porquê de continuar dizendo algo para as pessoas através do canto. A voz é um instrumento que veicula conteúdos. Serve para a troca, soa para comunicar. E a serviço de que troca eu quero sustentar a minha voz cantada?”, pergunta.

Os três artistas concordam que essa ideia de fazer canções sobre o autocontato esteja no ar. “Venho pensando que isso é tudo o que precisamos: Nos ouvirmos, nos colocarmos, e assim podermos ter um espaço real para nos alimentarmos também da expressão do outro. Escutar. Absorver. Devolver. A vida está muito corrida, os relacionamentos robotizados. Estamos todos sem tempo para isso. Como pode ser possível se identificar com o trabalho de um novo artista, buscar num show desconhecido a tal da troca, se não há espaço sequer para nos notarmos e nos expressarmos? É com essa lacuna que eu gostaria de colaborar”, sentencia a moradora de Laranjeiras.

“Percebi que existe uma geração que, sem combinar, está dividindo os mesmos pensamentos”, afirma. Luiza Borges vai mostrar que pensamentos são esses no CCFJ, onde cantará músicas como “Fardo” (Thiago Amud), “Canto e trabalho” (Thiago Thiago de Mello e Marcelo Fedrá), “A fama e a fome” (Pedro Ivo e Mauro Aguiar) e “Irada” (João Nabuco e Mauro Aguiar). Ao todo, 14 músicas serão interpretadas por Luiza e André Siqueira no violão, com participações especiais. Por falar nisso, vale lembrar: Ilessi, Thiago e Luiza vão cantar dos shows uns dos outros. E, assim, com encontros verdadeiros e repletos de propósito, essa rede se fortalece cada vez mais.

abr
15

“Proponho aos ouvidos atentos prestarem bastante atenção ao trabalho musical de Túlio Borges (em foto de Vitor Schietti). Depois a gente conversa”. A assertiva é do musicólogo e crítico de música Zuza Homem de Mello, a respeito da produção musical do cantor e compositor brasiliense. Pianista por formação, Túlio já foi premiado em diversos festivais do país por sua criação musical poética e híbrida.

O seu álbum de estreia, “Eu venho vagando no ar” (2010), é festejado pela crítica especializada pela profundidade, delicadeza e poesia calorosa, o perfeito domínio de textos e ideias, a cuidadosa feitura e, de acordo com o jornalista musical, escritor e pesquisador Tárik de Souza, por ser um manifesto de um novo e singular artista. O disco foi nomeado como um dos 50 melhores do ano pela Revista Manuscrita, indicado para o Prêmio da Música Brasileira e rendeu ao autor o prêmio de Melhor Cantor Independente de 2010, concedido pela Rádio Cultura de São Paulo.

Túlio por Vitor Schietti
Os shows do seu novo disco, “Batente de Pau de Casarão” (2015) chegam, finalmente, ao Rio de Janeiro, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF e realização da Padê Produções. Túlio se apresenta no Bar Semente, na Lapa (quarta, dia 20, às 20h, com ingressos a R$ 30), no Eco Som Studios, em Botafogo (quinta, dia 21, às 20h, com ingressos a R$ 20) e na Casa Porto, na Saúde (sexta, dia 22, às 20h, com entrada gratuita).

Para mostrar ao vivo músicas como “Coco de pé de manga” (Jessier Quirino), “Sertão de almas”, “Canção do Piauí unido” e “Baú de guardados” (parcerias de Túlio Borges com Climério Ferreira) e “Adorável trovador”(Túlio Borges e Toty), Túlio chamou Rafael dos Anjos (violão), Júnior Ferreira (acordeom), Pedro Vasconcellos (cavaquinho), Fernando César (violão de sete), Valério Xavier e Afonso Gadelha (percussões).

O lançamento foi eleito o segundo melhor disco nacional de 2015 pelo site Os Melhores da Música Brasileira. Neste trabalho, Túlio alia a reconhecida singular musicalidade brasiliense às suas raízes nordestinas. A história do disco perfaz o caminho de São José do Egito, em Pernambuco, terra dos maravilhosos vates do repente, dos nomes quase sagrados na poesia popular nordestina, como o de Louro do Pajeú, Rogacioano Leite e Antonio Marinho, até a capital do país, Brasília.

O álbum traz parcerias de Túlio com poetas nordestinos, como o Jessier Quirino, da Paraíba, e Climério Ferreira, do Piauí, que se constituem em entoações contemporâneas e citadinas e um novo perfil sonoro para a poética do sertão. Dedicado à cidade de São José do Egito, a capital nordestina da poesia, o disco reúne excelentes instrumentistas brasilienses e brasileiros, para celebrar a admiração do compositor pelos poetas e cantadores nordestinos.

“Batente de Pau de Casarão” está disponível para streaming e download gratuitos em: www.tulioborges.com

Shows no Rio de Janeiro, serviço:

20/4 (quarta), às 20h
BAR SEMENTE
Evaristo da Veiga, 149, na Lapa
R$ 30
Classificação: 16 anos

21/4 (quinta), às 20h
ECO SOM STUDIOS
Real Grandeza, 170, em Botafogo
R$ 20 (inteira) / R$ 10 (meia)
Classificação: 12 anos 

22/4 (sexta), às 20h
CASA PORTO
Largo São Francisco da Prainha, 4, na Saúde
Entrada gratuita
Classificação: 12 anos

abr
12

Vinte artistas que escreveram a história da bossa nova serão homenageados com uma série de shows, entre março e dezembro deste ano olímpico. Essa programação especial já começou a ocupar o palco do Beco das Garrafas, legendário reduto musical carioca, com patrocínio da Prefeitura do Rio através da Secretaria Municipal de Cultura. Simoninha receberá o Troféu Beco das Garrafas em nome do pai, Wilson Simonal, no domingo, 17 de abril, às 20h, com ingressos a R$ 40.

Simoninha promete esquentar o Beco das Garrafas com o repertório de Wilson Simonal, que se apresentava na casa em meados dos anos 60. “Balanço Zona Sul”, por exemplo, foi o seu primeiro hit nas rádios, em 1963, quando Simoninha já estava na barriga da mãe. O sucesso dessa música fez com que a dupla Miéle e Bôscoli o convidasse para cantar regularmente no Beco. “Nanã” e “Lobo bobo”, também no set list, foram gravados no mesmo compacto que tocou muito no país, abrindo os caminhos para que o cantor gravasse o seu segundo elepê, “A nova dimensão do samba”, considerado um de seus melhores discos. Os mega sucessos “Sá Marina”, “Zazueira” e “Nem vem que não tem” também estão no roteiro da noite.

Simoninha
Os homenageados – ou seus representantes convidados, já que alguns não estão mais conosco – serão chamados ao palco para cantar e receber o troféu que nomeia o projeto (e leva a assinatura do designer ilustrador Marcus Wagner), como reconhecimento pela obra que nos legaram. Em seguida, uma banda fará um set instrumental com o repertório do homenageado, transformando a noite numa grande jam session, na qual canjas serão bem vindas.

Alguns nomes muito bacanas já estão confirmados: Paulo Jobim vai relembrar a obra majestosa do pai, Tom Jobim; Miúcha cantará as maravilhas do amigo Vinicius de Moraes, ao lado da neta Georgiana de Moraes; os sucessos de Elis Regina serão interpretados na voz de Laila Garin, que lhe deu vida recentemente no teatro; o repertório de Nara Leão terá releitura de Cris Dellano; e a cantora Wanda Sá trará a aura mágica da dupla Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Miéle, mais uma vez, para o palco do Beco das Garrafas.

“O Troféu Beco das Garrafas é uma adaptação do projeto que o meu pai concebeu em 2002, chamado Troféu Bossa Nova. Escrevemos juntos e não conseguimos realizar antes de sua partida, em 2007. Uma forma de homenageá-lo será fazer uma noite dedicada a ele, quando entregaremos o Troféu Durval Ferreira para a garotada que está despontando na cena carioca e têm se apresentado com regularidade nas duas casas que revitalizamos em 2014, a Little Club e o Bottle’s Bar”, diz Amanda. “O Beco continua sendo berço de música de vanguarda desde os anos 50!”, exulta ela, que recebe, ainda, o apoio do Instituto João Donato.

Sobre o próximo homenageado, o jornalista e escritor Ruy Castro escreveu em seu clássico “Chega de saudade: A história e as histórias da bossa nova”, lançado pela Companhia das Letras em 1990, época em que o país redescobriu o gênero carioca: “Quando surgiu o cantor no Beco das Garrafas, Simonal era o máximo para seu tempo: grande voz, um senso de divisão igual ao dos melhores cantores americanos e uma capacidade de fazer gato e sapato do ritmo, sem se afastar da melodia ou apelar para os scats fáceis”.

mar
29

Na batida LaranjaNo domingo, dia 3 de abril, a partir das 16h, a Carino Produções vai lançar o livro infantojuvenil “Na Batida do Hino” (Editora Muriqui Cultural), com tarde de autógrafos e atividade para os pequenos, na Livraria da Travessa de Botafogo. A entrada e a contação de histórias são gratuitas e o livro custará R$ 35.

Escrito por André Diniz e Juliana Lins e ilustrado por Axel Sande, o livro conta a história de Rafael, um adolescente apaixonado por esportes, mas que não entende a emoção na hora do pódio: o silêncio, a mão no peito, o hino nacional dos vencedores. Com a ajuda de sua família, incluindo um pai emprestado que faz de tudo para conquistar o garoto e um primo músico, aos poucos decifra a letra que fala de um Brasil ‘gigante pela própria natureza’.

“Pensamos na realidade da garotada de hoje para falar sobre esse símbolo da identidade do nosso país. E foi prazeroso transformar o hino nacional em uma batida de funk, quebrando tabus e valorizando as coisas do Brasil”, comenta André Diniz. Para Juliana Lins, “a letra do hino nacional é um mistério para crianças e muitos adultos. O livro é um convite para que todos o desvendem. Queremos que o nosso hino seja também a batida de cada um”.

No lançamento, haverá contação de histórias gratuita com Janine Rodrigues em duas sessões: às 16h30 e às 18h. Autora de livros infantis, artista educadora e produtora cultural, Janine é fundadora da Piraporiando (www.piraporiando.com) e uma das referências no assunto.

OS AUTORES

André Diniz – Pesquisador, professor e escritor. André é historiador da música popular brasileira e lançou cerca de 20 livros sobre autores e gêneros da MPB, dentre os quais se destacam “Almanaque do choro”, “Almanaque do samba”, “Almanaque do carnaval” e a biografia “Noel Rosa, o poeta do samba e da cidade”.

Juliana Lins – Escritora e roteirista de TV e cinema, atualmente contratada da Rede Globo. Juliana é coroteirista do longa-metragem “Desenrola” (com Rosane Svartman) e autora de diversos livros publicados, como “Sinceramente grávida”, “Ariano Suassuna: Um perfil biográfico” e as biografias infantojuvenis “Pixinguinha”, “Adoniran Barbosa”, “Paulinho da Viola”, “Braguinha” e “Noel Rosa”, todas da coleção Mestres da Música no Brasil, da Editora Moderna, e escritos a quatro mãos com André Diniz.

“Na Batida do Hino”, lançamento

QUANDO: 3 de abril, às 16h

ONDE: Livraria da Travessa de Botafogo – Rua Voluntários da Pátria, 97. Telefone: (21) 3195-0200

QUANTO: Grátis

Preço sugerido para o livro: R$ 35

 

mar
16

ellenDona de uma voz inesquecível, a cantora, compositora e instrumentista Ellen Oléria fará uma apresentação gratuita neste sábado, dia 19, às 19h30, no projeto Vagão Cor de Rosa, realizado pela Escola SESC de Ensino Médio, em Jacarepaguá. Ellen vai relembrar sucessos do seu repertório, clássicos do cancioneiro nacional, de mestres como Milton Nascimento e Alceu Valença, e adiantar algumas músicas do próximo disco, “Afrofuturista”, com lançamento previsto para este semestre.

Com a master na fábrica, “Afrofuturista” faz uma combinação de samba, forró, carimbó, afoxé e maracatu, com timbres e arranjos contemporâneos que apontam para um encontro urbano de identidades. Da poética das ruas, pela linguagem do hip-hop, às performances jazzísticas da banda em cena, o ambiente acústico de Ellen converge modernidade e ancestralidade em arranjos bem esculpidos pelo tempo de dedicação à música.

Radicada em São Paulo, a artista brasiliense vai cantar e tocar guitarra para a plateia carioca da Escola Sesc, acompanhada por Raphael Dantop nos teclados, Douglas Couto no baixo, Valentino Menezes nas percussões e Fernando Chocô na bateria.

QUANDO: 19 de março, sábado, às 19h30

ONDE: Escola Sesc – Av. Ayrton Senna, 5.677, em Jacarepaguá. Informações pelo (21) 3214.7402

QUANTO: A entrada é gratuita, mediante a retirada de senha uma hora antes do espetáculo

ETCÉTERA: 600 lugares

 

mar
14

No próximo dia 17 de março, às 20h, o Roda Bar, recém-inaugurado no Planetário da Gávea, vai estrear as Quintas Musicais no Teatro Maria Clara Machado, com um show em homenagem ao samba e à cidade onde ele nasceu, o Rio de Janeiro. Com Adriana B (voz e percussão), Igor Eça (violão, baixo e vocais), Nando Duarte (violões, bandolim e guitarra) e Fábio Luna (percussão, bateria, flauta e vocais), o show “E o enredo virou MPB” ressaltará toda a musicalidade e a poesia que fica um pouco escondida no andamento (cada vez mais) acelerado dos sambas enredo na Marquês de Sapucaí. Ingressos a R$ 40.

adriana b 650

“O samba enredo narra uma história, muitas vezes com letras primorosas que, com o ritmo das baterias e a plasticidade das alegorias, acabam não sendo as únicas estrelas do desfile. Quero que sejam cantadas e tocadas mais lentamente e com arranjos que destacam as palavras, jogando o foco na poesia dessa história”, explica Igor, idealizador, diretor musical e arranjador do espetáculo.

Ele é filho de um dos gênios do piano brasileiro, o grande Luiz Eça, e está feliz com a receptividade do dono da casa e dos músicos à sua proposta. Adriana B, por exemplo, virá do Recife exclusivamente para participar do show inaugural do Roda Bar. Nando Duarte e Fábio Luna são dois dos melhores e mais requisitados instrumentistas da cena carioca. A coordenação de produção é de Dulce Lobo.

O roteiro traz sambas emblemáticos que todo mundo sabe cantar, como “Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite”, de Davi Correia e Jorge Macedo (Portela, 1981), “Sonhar não custa nada”, de Paulinho Mocidade, Rico da Viola e Moleque Silveira (Mocidade, 1992), “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira tem,” de Ivo Meireles, Paulinho e Lula (Mangueira, 1986) e “Domingo”, de Aurinho da Ilha, Ione do nascimento, Adhemar Vinhaes e Waldir da Vala (União da Ilha, 1977).

“Inaugurar essa série com o Igor Eça e a Adriana B é um imenso prazer pra nós do Roda Bar, que somos produtores de música, sobretudo. A ideia inovadora de reler os sambas enredo numa versão MPB é sensacional, inspiradora e de resultado surpreendente. Sejam bem vindos ao nosso projeto e degustem o melhor da musica brasileira”, diz o produtor artístico David Miguel, sócio da Roda de Produção Ilimitada.

Para além de preservar a memória do gênero carioca, um dos objetivos deste show é mostrar como os sambas enredos podem soar bonitos e encantar o público fora do período da folia, mostrando toda a beleza destas tramas que nos emocionam na Avenida há tantos Carnavais.

QUANDO: 17 de março, às 20h

ONDE: Teatro Maria Clara Machado (Padre Leonel Franca, 240, no Planetário da Gávea). Telefone: 3005.4104

QUANTO: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada para estudantes e maiores de 65 anos)

ETCÉTERA: São 130 lugares e a censura é livre

mar
07

O programa de entrevistas UM CAFÉ LÁ EM CASA, apresentado pelo guitarrista e compositor Nelson Faria e concebido especialmente para a internet, vai comemorar o primeiro aniversário com um show que reunirá alguns de seus ilustres convidados. João Bosco, Leila Pinheiro, Baby do Brasil, Roberto Menescal, Fátima Guedes, Carlos Malta, Gilson Peranzzetta, Leny Andrade, Nosso Trio, Mauro Senise, Chico Chico, Julia Vargas e Rodrigo Garcia levarão o seu abraço em forma de música ao Solar de Botafogo na noite de 23 de março, às 20h30, com ingressos a R$ 50.

nelson e leila

No roteiro, pérolas como “Incompatibilidade de gênios” na voz e no violão bamba de João Bosco, coautor com Aldir Blanc; “Céu e Mar”, clássico de Johnny Alf interpretado por Leila Pinheiro (foto acima); “O barquinho”, cantado e tocado por Roberto Menescal (parceiro de Ronaldo Bôscoli). O flautista Carlos Malta e o Nosso Trio estão planejando tocar “Brigas nunca mais”; e Chico Chico, que Nelson viu nascer porque tocava na banda da sua mãe, Cássia Eller, vai mostrar “Minha voz”, de própria lavra.

Neste primeiro ano online, o guitarrista entrevistou e levou um som com mais de 60 cantores, instrumentistas, compositores e arranjadores, de veteranos a jovens talentos. E há uma lista sendo continuamente atualizada com nomes de futuros personagens. A ideia surgiu e vem sendo realizada em família. O pai músico, o filho filmmaker e a filha jornalista juntaram talentos para criar esse conteúdo único – em tempos de cada vez menos programas dedicados à música até mesmo nos canais de televisão.

Nelson e Chico 500O programa vem crescendo em audiência. Nos primeiros 12 meses, 600 mil pessoas assistiram às entrevistas. Desde dezembro de 2015, os vídeos disponíveis no site www.umcafelaemcasa.com têm sido visualizados mensalmente por mais de 110 mil internautas. “Acreditamos que o programa UM CAFÉ LÁ EM CASA tem tudo para crescer. Estamos iniciando parcerias que vão fazer nosso trabalho atingir a um número cada vez maior de pessoas”, diz o apresentador, sorrindo na foto com Chico Chico.

As gravações são realizadas no apartamento da família, no Jardim Botânico, sempre em clima descontraído. Nos encontros, os convidados rebobinam as suas trajetórias, se divertem com os rumos inesperados que só uma conversa sem um roteiro muito amarrado pode proporcionar. Um dos trunfos é a parte musical mesmo. Os convidados interpretam as suas músicas, sempre acompanhados pelas cordas experientes de Nelson Faria, criando versões únicas para quem assiste ao programa na web.

UM CAFÉ LÁ EM CASA, SHOW DE ANIVERSÁRIO

ONDE: Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180, Botafogo. Informações: (21) 2543.5411

QUANDO: 23 de março, às 20h30

QUANTO: R$ 50 (inteira), estudantes e maiores de 65 anos pagam R$ 25 (meia entrada)

VISITE: www.umcafelaemcasa.com

jan
18

up laranjaPara celebrar o seu primeiro quarto de século em atividade e também a sua estreia como um dos Polos Cariocas de Circo – patrocinado pela Prefeitura do Rio, através do Programa Viva o Circo!, da Secretaria Municipal de Cultura –, a Up Leon abre as portas da sua sede, em São Cristóvão, no dia 23 de janeiro, uma sexta-feira, às 20h, para apresentar uma seleção de 25 dos melhores números criados pela companhia nesses 25 anos. A entrada é gratuita!

Mais de 30 artistas circenses se revezam em números de excelência, realizados em solos, duos, trios e coletivos, com malabares, trapézios, acrobacias e monociclos. O Pas de Deux Acrobático, por exemplo, é apresentado por Ana Carolina e Juliano, artistas que iniciaram os seus treinos circenses no Afroreggae, ainda na infância. Há 7 anos, são eles que levam aos palcos do renomado Europa Park esse que é considerado um dos números de maior qualidade técnica da companhia.

Outro momento de destaque é o Happy Jonglage, um número de malabarismo alto astral, no qual quatro virtuosos malabaristas realizam câmbio de claves e passes de forma divertida e ágil ao som chiclete de “Happy”, do americano Pharrell Williams. Já os famosos monociclos da Up Leon, que deram origem à companhia, são reeditados em grande estilo, com 12 monociclos de diversos tamanhos e uma trupe de 15 versáteis artistas que faz um número de equilíbrio e destreza sem igual.

“É emocionante ver o quanto deu certo o caminho inverso que fizemos. No curso natural da vida, a gente se especializa e, só depois, faz carreira no exterior. Com a Up aconteceu justamente o contrário (risos). Éramos quatro cariocas recém formados pela Escola Nacional de Circo e, de imediato, deslanchamos na carreira internacional. Crescemos e nos tornamos adultos no exterior. E, agora, na melhor fase da maturidade, retornamos às nossas origens para brindar esses 25 anos com a nossa gente. Estamos muito, muito felizes!”, exulta Olga Dalsenter, fundadora e produtora executiva da Up Leon.

Up Leon 25 anos

QUANDO: Sexta, 23 de janeiro, às 20h

ONDE: Rua Francisco Eugenio, 94 – São Cristóvão (próximo à Estação da Leopoldina). Informações pelos telefones (21) 3860.5668 | 3241.6299

QUANTO: Gratuito

ETCÉTERA: Censura livre

jan
11

A cantora Ana Costa faz um recorte vibrante da obra lusófona de Martinho da Vila no CD e DVD “Pelos Caminhos do Som” (Biscoito Fino), que será lançado no Teatro Rival Petrobras no dia 13 de janeiro, uma quarta-feira, às 19h30, com ingressos de R$ 30 a R$ 60. Uma das convidadas do disco, a cantora e compositora Zélia Duncan, parceira de Ana, participa também do show.

ana-costa
O objetivo deste registro é chamar a atenção para a importância da criação de Martinho, sambista consagrado, pesquisador incansável dos variados ritmos brasileiros e considerado o embaixador da música brasileira dos países de língua portuguesa. Foi ele quem propôs o chamado “traço de união” entre as nações de língua portuguesa, misturando sambas que estão no imaginário de todos nós com belas composições menos conhecidas do bamba.

Ana canta com propriedade o repertório de Martinho, tamanha é a identificação que desenvolveu com a sua obra, reforçada pela intimidade e carinho que nutre pelo universo do mestre. A direção geral é de Bianca Calcagni e a direção artística, de Analimar Ventapane, filha do homenageado. Julio Florindo assina a direção musical, Iza Valente o cenário e é Aurélio Oliosi quem faz o design de luz. O show foi produzido pela Zambo e pela MDM e coproduzido pelo Canal Brasil.

“Esse espetáculo foi pensado à partir do álbum ‘Lusofonia’, lançado em 2000, no qual Martinho exalta a música e a cultura dos países lusófonos, mas também exalta as belezas do nosso país. São composições de Angola, Moçambique, Portugal e Timor Leste que o Martinho releu e criou versões. É fato que vemos alguma semelhança entre as músicas deles e a nossa e o show é resultado desse flerte do Martinho. Desde os anos 80, ele viaja todos os anos para esses e outros países de língua portuguesa a fim de garimpar as suas preciosidades sonoras”, diz Ana Costa.

No roteiro, “Fazendo as malas” (de Martinho e Rildo Hora), “Samba dos ancestrais” (dele com a saudosa Rosinha de Valença), a recente “Filosofia de vida” (feita a seis mãos com Marcelinho Moreira e Fred Camacho), as famosas “Odilé odilá” (parceria dele com João Bosco, que Ana Costa regravou no Sambabook do Martinho), “Traço de união” (mais uma da dupla Martinho/ João Bosco), “Canta canta, minha gente” e “Madalena do Jucú”, uma versão dele para uma cantiga de domínio público. Esta última foi registrada no clássico “O canto das lavadeiras”, de 1989, um disco inspirado no folclore brasileiro. A faixa que nomeia o projeto, “Pelos caminhos do som”, também saiu desse elepê antológico.

Para mostrar essas obras-primas ao vivo, Ana Costa estará acompanhada por Julio Florindo (no contrabaixo), Maurício Massunaga (no violão, na guitarra e no bandolim), Alessandro Cardozo (no cavaquinho), Daniel Félix (na percussão), André Manhães (na bateria), Antonio Guerra (no teclado)e Verônica Bonfim e Jussara Silva (nos vocais). A cantora Zélia Duncan fará uma participação especial no lançamento.

Por Monica Ramalho
Foto da Cristina Granato

jan
07

Escolhida para ser um dos quatro Polos Cariocas de Circo, a Up Leon aceitará inscrições, até o dia 14 de janeiro, de artistas e coletivos dispostos a fazer a residência artística na sede da companhia, em São Cristóvão. Neste 2016, a Up Leon completará 25 anos dedicados à arte circense ao redor do mundo. Nos dias 22 e 23 de janeiro, abrirá o seu galpão para celebrar o quarto de século reeditando os melhores números que vêm encantando o público europeu. Os espetáculos serão gratuitos.

malabarismo

Inspirado no modelo semelhante que reavivou a cena circense da França, o programa adaptado pela Secretaria Municipal de Cultura vai capacitar gratuitamente 40 grupos e artistas. Ao fim de seis meses, cada um terá o seu plano de negócios, identidade visual e um espetáculo pronto para rodar o país.

A sede da Up Leon servirá como espaço de ocupação artística para a idealização de espetáculos, números e performances, além do treinamento altamente qualificado em técnicas e habilidades como acrobacias de solo, malabares e equilibrismo em pernas de pau e monociclos. Cada Polo Carioca de Circo deverá transmitir para as novas gerações características e saberes que dominam no universo do picadeiro. Esse intercâmbio pretende favorecer a circulação de ideias e trocas de experiências entre os jovens criadores.

A comissão avaliadora do programa será composta por representantes da Prefeitura, da SMC e da Up Leon. Originalidade, experimentação e qualidade artística estão entre os critérios com peso de decisão para a escolha dos novos residentes, que desenvolverão trabalhos em uma das quatro instituições aceleradoras das artes cênicas no Rio de Janeiro. Os interessados devem se informar sobre a expertise de cada grupo antes de se candidatar. Crescer e Viver, Cia. Off-Sina e Teatro de Anônimo são os outros Polos que formam o programa. O resultado da Up Leon sai até o dia 24 de janeiro.

As inscrições podem ser feitas pessoalmente na sede da companhia (Rua Francisco Eugênio, 94, São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ, CEP 20941-120) ou por Sedex, enviado até às 18h do dia 14 de janeiro de 2016. O envelope deve conter o nome do artista ou coletivo com o formulário preenchido (disponível no site da Up Leon), cópia do RG, comprovante de residência e fotos, vídeos ou materiais que comprovem a atuação dos artistas. O regulamento completo está disponível para consulta no site: www.upleon.com.br

Monica Ramalho

Monica Ramalho

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