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Por apresentar todas as noites grandes nomes do jazz americano, o Village Vanguard ganhou fama e prestígio em Nova York. E o mais importante: manteve os mesmos predicados ao longo desses 75 anos em atividade, completados em 23 de fevereiro último, graças ao espaço que sempre ofereceu aos melhores jazzistas daquele país. É exatamente nesse espírito que o piano-bar Lapinha abre suas portas. No lugar do jazz, entra em cena a música brasileira, seja contemporânea ou tradicional, cantada ou instrumental. A divulgação é minha!

Lapinha é a primeira e única casa de shows dedicada à MPB no bairro carioca, fortemente associado ao renascimento do samba e choro há uma década e, na verdade, boêmio em sua gênese. Com petiscos e drinques saborosos, palco aconchegante, ótimo sistema de som, instrumentos novinhos em folha e uma programação impecável, o piano-bar será inaugurado com festa na noite de 10 de março. Sob os holofotes, Leny Andrade e Nei Lopes, juntos para convergir num show a musicalidade da Zona Sul e da Zona Norte cariocas com tempero latino.

“O Lapinha será uma casa única e pioneira. Seu compromisso é inverter a lógica que norteia as casas de show, hoje limitadas à simples divulgação da produção musical”, afirma a flautista e produtora Tereza Quaresma. “E nós queremos mostrar grandes nomes da música nacional como o público nunca viu, num ambiente íntimo, despojado e aberto à criação”, instiga ela, que tem como sócios o pesquisador e crítico musical Hugo Sukman, o produtor Luís Pimenta e o maestro Ruy Quaresma.

O quarteto escolheu esse nome por dois motivos: pela referência carinhosa ao bairro onde a casa está localizada e, principalmente, por causa da cantora lírica e atriz Joaquina Maria da Conceição Lapa, brasileira que fez muito sucesso em Lisboa no final do século XVIII, e ficou conhecida como Lapinha. É ela quem aparece na logomarca da casa, assinada pelo artista gráfico Mello Menezes. Ruy Quaresma explica, com graça e alegria, a criação de Menezes:

“Na ausência de registros iconográficos, o artista acendeu uma vela, tomou um gole de marafu e, em profundo transe, aguardou o contato de Lapinha. Mas, segundo ele, por um problema de conexão, ‘baixou’ a Anastácia. Ele agradeceu a deferência e, trocando de frequência, conseguiu uma conexão visual, mesmo que em preto e branco, da grandiosa diva Joaquina Maria da Conceição Lapa, nossa Lapinha pioneira. E psicografando o mestre Rugendas, traçou a imagem daquela que dá nome ao nosso piano-bar, também pioneiro, na Lapa”.

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Monica Ramalho

Monica Ramalho

Por Val Becker

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