Posts em ‘Letras esvoaçadas’

jul
30

Há uma boa razão para lembrar quem foi o homem que convidou Freud para beber umas cervejas com os brasileiros: Eduardo Mascarenhas teria feito aniversário no último dia 6. Apenas 68 anos. E pensar que ele já morreu há 13 anos, em abril, vítima de um câncer avassalador. O psicanalista reunia os adjetivos magnéticos para as mulheres. Era bonito, charmoso, alegre e inteligente. Escolheu três para compartilhar a vida: a também psicanalista Ana Lúcia Magalhães Pinto, a atriz Christiane Torloni e a coreógrafa Regina Miranda. Do relacionamento de 15 anos com Ana Lúcia, nasceram Manuela e Luisa (foto), atualmente, com 34 e 32 anos, respectivamente. Em 2007, as meninas – que, na verdade, já são mães – organizaram uma coletânea de artigos do pai num livro chamado ‘Faces do amor’. Viveu sua última década ao lado de Regina e teve mais uma filha, Antônia, hoje com 21 anos.

“O Eduardo tinha um extraordinário senso de humor, era uma pessoa original, com um olhar super revelador sobre a vida e sobre as pessoas. A convivência com ele era divertidíssima, enriquecedora e revolucionava conceitos e visões dos que estavam a sua volta”, rebobina Ana Lúcia, coordenadora geral do Polo de Pensamento Contemporâneo (POP), no Jardim Botânico. Os dois se conheceram em Petrópolis, na casa de uma amiga em comum. Ele estava com 22 anos e ela, com 16. “Acho que nossa ligação posterior com a psicanálise foi mais um ponto de união”, diz. Os dois compartilhavam o interesse por livros – os dele, científicos, históricos e filosóficos – e também por ópera, jazz e música popular brasileira. Eduardo torcia pelo Botafogo Futebol Clube e pela Estação Primeira de Mangueira. Sem fanatismos.

Era um cara que amava a cidade, as praias cariocas, o frescobol e, sobretudo, prosear com os amigos no bar. Os mais caros eram o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor e os psicanalistas Fábio Lacombre, Carlos Alberto Py e Hélio Pellegrino, com quem tinha um parentesco adquirido, já que este era casado com uma prima dele. Teve consultórios em Botafogo e Ipanema, por onde circulavam estrelas e socialites. Falava inglês com fluência conquistada ainda na juventude, quando estudou em Boston, nos Estados Unidos, e viajava mais a trabalho do que para se divertir ou descansar. Dono de um ego expressivo que lhe rendeu o apelido de Egoardo, era curiosamente fascinado pela alma das pessoas e nunca perdeu o interesse pelo outro. Entrou para a história como alguém que acreditava na psicanálise ao alcance de todos, “adaptada a uma realidade morena, brasileira e tropical”, como gostava de dizer.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com formação pela Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ), Eduardo trabalhou para popularizar as ideias freudianas e virou figurinha fácil na televisão, em programas como TV Mulher (Globo), Sem Censura, Jornal da Manhã e Interiores (TVE, atual TV Brasil) e Bate-boca (Manchete). Entre um artigo e outro que escrevia para os jornais Última Hora e O Dia e para as revistas Cláudia e Contigo, reunia farto material para os seus livros. O primeiro da trilogia psicanalítica, lançado em 1985, entrou rápido na lista de best-sellers: ‘Emoções no divã de Eduardo Mascarenhas’.

Um intelectual de esquerda
A essa altura, ele e Pellegrino já haviam sido expulsos da Sociedade Brasileira de Psicanálise porque questionaram o poder dos analistas didatas, com cargos vitalícios, nas associações. Um pouco depois, ingressou na cena política de corpo e alma. Recebeu o apoio de amigos, entre eles a mulher, Christiane Torloni, e o ex-sogro, Magalhães Pinto. “Ele sempre me dizia que eu ia acabar entrando na política. Ele é um liberal clássico, enquanto sou um intelectual de esquerda, um socialista democrático”, afirmou Eduardo, numa entrevista. Na ocasião, Torloni pontuou: “Ele, há muito tempo, inconscientemete, era um político porque trabalha com a felicidade do ser humano”.

Quando casou com a atriz, Eduardo estava com 40 anos, e ela, com 26. Eduardo morava na Lagoa e o apartamento acolhia com folga as filhas dele e os filhos dela, os gêmeos Leonardo e Guilherme, da união com o diretor Dênis Carvalho. A respeito da participação ativa de Torloni na sua campanha eleitoral, o psicanalista declarou: “Ela é muito conhecida e faz mais sucesso que eu onde nos apresentamos. Christiane é meu cabo eleitoral, mas sem a pretensão de ser uma superstar. Ela não está fazendo política por demagogia, mas por ser este um sentimento verdadeiro dela”. Em 1986, conheceu Regina Miranda e se encantou pela dança: “Não posso sonhar em fazer o que Regina faz no palco, mas gosto de expressar nossa parceria dançando com ela na vida”, costumava dizer aos amigos. Neste ano, publicou ‘A costela de Adão – Cartas a um psicanalista’, e, em 1990, ‘Alcoolismo, drogas e grupos anônimos de ajuda mútua’.

Deve ter sido interessante para o psicanalista escrever justamente sobre álcool, levando-se em conta que ele estava, usando um termo da década, ‘na crista da onda’ e era convidado para a maioria das festas, nos endereços e com as personalidades mais badaladas do momento. “Eduardo nunca foi contra o álcool, mas sabia da devastação que pode acontecer quando alguém sofre de alcoolismo. Ele usou seu conhecimento e seu prestígio para indicar soluções. Até hoje pessoas me ligam para agradecer”, conta Regina. A chegada dos anos 90 trouxe a política de vez para o centro de atuação de Eduardo. Com audácia, ele convidou Regina para coordenar sua campanha eleitoral. “Primeiro levei um susto: afinal, uma coreógrafa dirigindo uma campanha eleitoral? Mas não apenas a experiência foi bem sucedida, como me deu a oportunidade de expandir o meu campo de trabalho, que passou a incluir a coreografia social e a diplomacia cultural”, diz ela, atual diretora do The Laban/ Bartenieff Institute of Movement Studies (LIMS), em Nova York, e coordenadora do coletivo Cidade Criativa: Transformações Urbanas, no Rio de Janeiro.

Eduardo trocou o consultório pelo gabinete com tranquilidade. Entre 1991 e 1994, foi suplente na Câmara Federal pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Em 1993, migrou para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e se reelegeu deputado para a legislatura de 1995 a 1998. Em 1994, lançou mais um livro, ‘Brasil, de Vargas a Fernando Henrique’, sobre a vida política e econômica brasileira. Tudo corria bem até que um câncer interrompeu a sessão de Eduardo Mascarenhas. Na véspera de mais um aniversário de nascimento do ex-marido, Ana Lúcia Magalhães Pinto analisa: “Acho que ele pensava em viver muito, mas, acima de tudo, em viver intensamente como viveu, cheio de entusiasmo, criatividade e generosidade. As expectativas eram muitas, ele sempre foi do muito. Era determinado e dedicado à profissão, tanto como psicanalista quanto como deputado. Não fazia nada pela metade”.

Publicada na revista Carioquice

jan
19

A edição mais recente da Carioquice, do Instituto Cravo Albin, traz duas colaborações minhas: a matéria de capa, com o gigante da lira Geraldinho Carneiro e uma entrevista agradabilíssima com a atriz-poeta-apresentadora-autora-diretora-etcétera-e-tal Bianca Ramoneda. Adooooro os dois, como criadores e bons amigos. Para inaugurar o novo design deste blog (tomara que você goste!), leia a seguir dois parágrafos de cada texto antes de clicar no site da revista para beber direto na fonte:

Os assuntos são sortidos e o Rio de Janeiro ganha destaque. Geraldinho Carneiro está às voltas com os acertos finais de um simpósio sobre Liberdade e Censura, realizado em três encontros no Planetário da Gávea. A entrevista não parte do começo. Diria mais: o início do modo como estamos acostumados nunca chega. Falamos sobre a existência carioca e sobre do que se ocupou o poeta, letrista e roteirista na última década. “Estou vivendo mudanças muito interessantes. Venho trocando, por exemplo, de plumagem poética. Quando achei que fosse me tornar um poeta maduro, virei um criador juvenil”. Diz isso por causa do lançamento super recente do livrinho ‘Como um cometa’ (Lazuli), feito para a criançada.

Geraldinho conta que o primeiro crítico do livro foi o filho dele mais novo, Antonio Pedro, de 12 anos. O garoto ditou as regras: só interessam poemas rimados e com métrica. O pai fez esforços no sentido de se adaptar às exigências do moleque, mas jura que não seguiu à risca – ou não seria Geraldo Carneiro e sua bagunça convicta. Já deu partida a um segundo título infantil para a mesma editora. “Adoro não pensar na vida porque canso bastante de mim. Por sorte, tenho muitos heterônimos e vou pulando de galho em galho. E, felizmente, sofro de desordem da personalidade múltipla e escapo do tédio sendo outros. Tenho vários poemas que falam sobre isso no ‘Balada do impostor’, de 2006″ (…).

Bianca Ramoneda é atriz, poeta e escritora. Bianca também é apresentadora do programa ‘Starte’, exibido há onze anos na Globo News. Sim, Bianca Ramoneda já fez música com Pedro Luís e assina a direção cênica do show da mulher dele, a cantora Roberta Sá. Mas, por favor, ela detesta ser chamada de multimídia (“dá uma sensação de imagens piscando ou parece que a pessoa quer estar ao mesmo tempo em tudo quanto é lugar”). Portanto, cuidado para não resumir as muitas vertentes profissionais da moça usando essa palavra quando estiver com ela – porque, além de tudo, Bianca é uma simpatia só, acessível à prosa e ao abraço. Abre o maior sorrisão para os atendentes da lanchonete Talho Capixaba, no Leblon (chama cada um pelo nome), e é amiga da celebridade ao jornaleiro, do mecenas ao artesão. Diz que é a sua herança tijucana, a mesma que entrou em choque quando ela se mudou para a Zona Sul e cruzou com Chico Buarque no caixa do supermercado.

“Quando me perguntavam ‘o que você faz?’ eu respirava fundo antes de tentar explicar. Hoje respondo: gosto de contar histórias e de diferentes maneiras. Se me largarem no deserto no meio do areal, vou fazer um montinho, subir nele e contar uma história”, resume, com muita graça. “Sempre foi uma característica minha esse não-lugar. E sempre foi muito difícil para mim ter isso entendido pelos outros. De um tempo para cá, deixei de me preocupar”, avalia, contando que quando foi fazer televisão complicou ainda mais. “Antes, só era esquisito para as pessoas do teatro e da poesia. Quando entrei para o jornalismo, eu também vinha de outro lugar”. Digamos que, em cada meio, Bianca é um ser de outro meio. “E eu tinha esse sentimento de não-pertencimento em todas as áreas em que me aventurava. Isso pra mim não era um problema, ao contrário, era a minha forma de trabalhar, mas sentia que era difícil para os outros integrarem a visão a respeito disso. E passei anos refletindo em como resolver, mas agora acho que não preciso mais” (…).

Leia ambas as entrevistas, na íntegra, no site da Carioquice!

* Fotos de Marcelo Carnaval e Adriana Lorete *

dez
29

literatura para ser
lida ao som de

arnaldo lenine zélia tom
zé calcanhotto renato
russo marina bethânia gal

assim se aprende a tocar
qualquer instrumento

sax violão guitarra
bateria piano cítara
e (por que não?)

a própria língua

* Poema de Ramon Mello, publicado no ótimo ‘Vinis mofados’ *

dez
14

Não sou idêntica a mim mesma
Sou e não sou ao mesmo tempo, no mesmo lugar, sob o mesmo ponto de vista
Não sou divina, não tenho causa
Não tenho razão de ser nem finalidade própria:
Sou a própria lógica circundante

* Ana Cristina César *

Assisti ‘Um navio no espaço ou Ana Cristina César’ nesta noite de domingo e fui capturada pelo espetáculo (da amiga Ana Kutner com o super Paulo José) desde os primeiros minutos, de modo que fiz váááárias anotações. Mais tarde a gente compartilha : ))

dez
11

A jornada é longa
Entre a cama e a porta da rua
Entre a porta e o porto
Importa apenas
Que a nossa emoção sobreviva

* Versos meus, inspirados no disco de Paulo César Pinheiro *

out
19

Nunca achei que algum dia na vida escreveria meio parágrafo sequer sobre indumentárias – e eis-me aqui, senhores, tentando organizar meus conhecimentos sobre o assunto, adquiridos há semanas, desde que iniciei a leitura de ‘A roupa e a moda – Uma história concisa’, escrito em 1969 pelo inglês James Laver. O mais curioso é que também nunca pensei que seria capaz de folhear um livro de moda com verdadeiro interesse até uma tarde de domingo, na casa da amiga chiquérrima Naila Oliveira. O conteúdo desta obra é extraordinário! A gente descobre, por exemplo, que determinadas cores e roupas só podiam ser usadas por certas classes sociais, acredita?

fashionplate
Texto fácil de entender apesar de tantas descrições de tecidos e acessórios que a gente mal conhece, reproduções super bonitas, aquelas vestimentas maravilhosas usadas pelos gregos antes mesmo de existir o conceito de moda. Porque foi em meados do século XV que as roupas de homens e mulheres ganharam novas formas, originando algo que pode ser definido como tal. O livro vai das peles que aqueciam os primeiros homens do frio até os anos 70, desfilando com naturalidade pelas manias dos reis e suas cortes extravagantes, as muitas camadas de vestidos e casacos que surgiram e desapareceram ao longo das décadas e os cortes de cabelo e comprimento das saias que revolucionaram o mundo na época de Coco Chanel.

Embalada pelas explicações de Laver, um historiador inglês que viveu entre 1899 e 1975, estou na pilha de saber mais sobre a temática – quem sabe assim não passo a me vestir melhor? (risos).

set
08

Por conta de uma gastrite, alardeada aos quatro ventos via Twitter, fui levada a uma dieta cascuda, prescrita pelo meu gastroenterologista. Palavra grande, difícil de soletrar. Palavra que assusta quem, como eu, é chegado aos cafés, chocolates e álcools da vida. Pois bem. Decidi seguir a dieta à risca, com exceções apenas para um cappuccino do Arteplex a cada quinze dias e duas tacinhas de vinho nas ótimas festas que ficam ainda melhores quando estamos ‘altinhos’. Exatamente numa destas festas (o já anunciado aniversário da amiga-fundamental Marcella Linhares), fui recomendada pelo Pierre Aderne, do Doces Cariocas, a ler ‘Lugar de médico é na cozinha’ (Editora Alaúde, 2008), escrito pelo médico, professor e cientista Alberto Peribanez Gonzalez, criador da Oficina da Semente.

salada

Folheei o livro no dia seguinte e gostei do jeitão dele. Vegetariano, vegan, cruvidorista (só come alimentos crus) e dono de um sítio em Guaratiba onde planta à vontade tudo sem agrotóxicos e da maneira mais selvagem possível, o médico usa argumentos muito interessantes para suas crenças. Ele explica super bem como funciona o nosso corpo, seguindo a máxima “Você é o que você come”, sentenciada por Hipócrates em 400 a. C. As explicações para o comportamento do nosso aparelho digestivo e também sobre a malícia das industrias farmacêutica e alimentícia me deixaram boquiaberta.

Bem, estou convencida de que preciso melhorar a minha alimentação. Digo isso, principalmente, para quando a dieta da gastrite chegar ao fim, daqui a seis semanas. Não sei se vou conseguir radicalizar e cortar meus filés mignons e peixes, mas é certo que escolherei o que entra no meu estômago com mais critério e algum conhecimento de causa. Recomendo a leitura da obra saudável do Dr. Gonzales e a audição do MySpace do Doces Cariocas!

* Foto do site Vila Sabor *

jul
08

ruiva

nara tem um aquário
redondo no centro da mesa
em vez de uma fruteira
ou um abajur
nara gosta de assistir
à conversa dos peixes.
outro dia reclamavam
do calor e nara
foi para o chuveiro
se refrescar de madrugada
é um péssimo hábito
o peixe vermelho disse
dormir de cabelos molhados

* Poema da jovem Alice Sant´Anna, 20 aninhos & um mar de versos pela frente, e foto do site Inmagine *

jun
21

Momento de poucos posts e muito trabalho (melhor assim!) e livros novos por aqui. Há dias terminei de ler Fôlego (Argumento, 2008), do australiano Tim Winton, mas suas imagens ainda estão presentes. Por trás da fissura pelas ondas perfeitas, a gente percebe que nem tudo é surfe na biografia dos personagens e fica com vontade de conversar com o narrador, Pikelet, já um homem de meia idade quando rebobina a própria trajetória. Quase ao mesmo tempo, me deliciei com um livrinho do argentino Jorge Luis Borges sobre poesia: Esse ofício do verso (Cia das Letras, 2007). Depois de anos, tornei a ler poesias com interesse e estou mergulhada na edição restaurada e bilíngue do clássico Ariel (Verus, 2007), da americana Sylvia Plath (1932-1963). É a primeira vez que os leitores conhecem a verdadeira obra, que Plath deixou organizada na escrivaninha antes de cometer o suicídio. Isso porque o também poeta Ted Hughes, ex-marido infiel, substituiu poemas e modificou a ordem para amenizar as porradas que a mãe de dois de seus filhos escreveu inspirada no casamento deles.

fôlego
Quis compartilhar esses títulos com você porque, aparentemente não satisfeita com essa livrarada toda, comprei mais dois em promoção neste sábado, numa livraria em Laranjeiras que está mudando de diretriz e vai atuar apenas no segmento infantil. Recomendadíssimo pelo amigo Alcione Araújo, De verdade (Cia das Letras, 2008), do húngaro Sándor Márai (1900-1989) agora mora na estante, à espera de andar comigo pela cidade. Comprei por R$ 38 contra os R$ 55 habituais. É ou não é um desconto irrecusável? (risos). Do mesmo autor, li os ótimos ‘O legado de Eszter’ e ‘As brasas’. A mão coçou também com os módicos R$ 9,90 que custaram O segredo de Brokeback Montain (Intríseca, 2006), de Annie Proulx, americana de origem franco-canadense. O conto foi publicado na célebre revista The New Yorker em outubro de 1997 e levou quase uma década para virar filme, dirigido por Ang Lee.

E, bem, ainda estou lendo Harry Potter e a câmara secreta (Rocco, 2000), de J. K. Rowling, para pegar a manha de escrever como adolescente no Blog do Tuhu. Os motivos até são profissionais, mas confesso que estou me divertindo com as peripécias do mago (risos). Mais quatro livros estão na fila (por favor, não me deixem entrar em livraria pelos próximos três meses!): Teatro (Cia das Letras, 1998), do carioca Bernardo Carvalho, dos meus autores favoritos; A troca impossível (Nova Fronteira, 1999), do sociólogo francês Jean Baudrillard (1929-2007); Mutações (Cosac & Naify, 2008. A primeira edição é de 1976, ano do meu nascimento!), da linda atriz norueguesa Liv Ullmann; e Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), organizado pelo amigo Marcelo Moutinho em dobradinha com o português Jorge Sá-Reis.

* Capa de Miriam Lerner sobre foto de Otavio Schipper *

jun
14

Palavra de lesma em prato de folha?
Não é minha. Não a aceite.sylvia plath

Ácido acético em lata selada?
Não o aceite. Não é genuíno.

Anel de ouro e nele o sol?
Mentiras. Mentiras e uma dor.

Geada numa folha, o imaculado
Caldeirão, estalando e falando

Sozinho no topo de cada um
Dos nove Alpes negros,

Um distúrbio nos espelhos,
O mar estilhaçando seu cinza -

Amor, amor, minha estação.


* Este é um poema do famoso e polêmico livro ‘Ariel’, publicado dois anos após a morte da grandiosa Sylvia Plath (1932-1963) *

Monica Ramalho

Monica Ramalho

Por Val Becker

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