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Entre os dias 28 e 30 de agosto (de sexta a domingo), o Hotel Copacabana Palace vai escrever mais um capítulo na história da música instrumental brasileira. Músicos fabulosos que batiam ponto no legendário Beco das Garrafas, onde nasceram a bossa nova e o samba jazz, vão realizar o sonho de toda uma geração no Copa Fest. “Imagine você: Nat King Cole, Sarah Vaughan, Sammy Davis Jr. e outros ídolos da rapaziada do Beco se apresentavam no Copacabana Palace, a uma quadra de lá. Mas poucos da turma tocaram no hotel naqueles tempos. Temos cinco deles entre as atrações do nosso festival: os pianistas João Donato e Osmar Milito, o baixista Sérgio Barrozo, Paulinho Trompete e o clarinetista Paulo Moura”, diz Bernardo Vilhena, que assina a direção musical do Copa Fest com Carolina Rosman.

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É João Donato quem rebobina: “No final da década de 50, eu e João Gilberto andávamos tão juntos que éramos confundidos um com o outro pela semelhança física – éramos dois caras magros, compridos e que viviam trocando de roupa, não é? (risos). Nos intervalos dos shows em que tocava no Golden Room do Copacabana Palace, eu saía para tomar um ar e sempre encontrava o João me esperando, no meio-fio da calçada. Eu sentava ao lado dele e jogávamos conversa fora”. Naquele tempo, João Gilberto aprimorava a batida do seu violão, um dos pilares da bossa nova.

Paulo Moura foi outra estrela do Beco das Garrafas que colocou seu instrumento (na época, um saxofone) a serviço dos hóspedes do Copacabana Palace, tradicionalmente um lugar onde sempre houve música de qualidade. Aliás, no quesito musical, o Rio de Janeiro é campeão. “Há quatro anos produzo shows de música instrumental pela cidade, sempre com casa cheia. Só aconteceu de ter casa vazia quando ocorreu dilúvio ou jogo do Brasil. E, mesmo assim, não era qualquer jogo não”, testemunha Carolina.

O pianista Osmar Milito se apresenta nos anos 1950

Por cerca de duas décadas – nos anos 50 e 60 –, o Beco reuniu músicos maravilhosos que tocavam por absoluto prazer até o dia raiar. Naquelas madrugadas, eles se divertiam e trocavam, avidamente, informações musicais. Todo aquele movimento resultou no samba jazz e na bossa nova. E resultou também numa mudança de posição dos instrumentistas. Explico: antes do Beco das Garrafas, eles se apresentavam em boates e dancings ambientando a dança e o namoro dos casais. No Beco e depois dele, os músicos passaram a tocar para serem escutados com atenção e admirados.

Sim, os instrumentistas eram as estrelas das boates Bacarat, Little Club e Bottle´s Bar, que ganharam fama de ‘templo da bossa nova’ quando o movimento do amor, do sorriso e da flor estourou nos anos 60. Havia uma infinidade de trios e quintetos (como Bossatrês, Tamba Trio, Sambalanço Trio, Quinteto Jazz Bossa…) se formando e fazendo música de gente grande apesar da pouca idade de seus integrantes, entre eles o baterista Edison Machado, o baixista Sérgio Barrozo, os pianistas Luiz Eça e Osmar Milito (na foto acima) e os supracitados Donato e Moura.

Zé Luis vem de NY para tocar no festival

O nome Beco das Garrafas tem uma origem ipsis literis. As casas eram pequenas e a garotada fazia a maior algazarra no lado de fora, esperando a vez de entrar. O barulho incomodava tanto que a vizinhança daqueles edifícios da Duvivier jogava garrafas pelas janelas. Inspirado nesse comportamento coletivo, o jornalista Sérgio Porto batizou o lugar de Beco das Garrafadas, apelido simplificado logo depois.

Músicos como o pianista David Feldman, o gaitista Gabriel Grossi, e o Pagode Jazz Sardinha’s Club vão mostrar, no Copa Fest, de que maneira o som do Beco influencia a atual música instrumental brasileira. O multiinstrumentista Zé Luis (acima, no saxofone) vem de Nova York especialmente para se apresentar no festival à frente da Banda Magnética, formada por novos talentos da música instrumental dos 14 aos 24 anos. O público conhecerá os arranjos que ele construiu por e-mail com a banda.

O Copa Fest tem patrocínio da Terna Participações S.A, produção da M´Baraká Experiências Relevantes e assessoria de imprensa desta que vos escreve com reforço da baiana Patt Simões.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA: www.copafest.com.br

* Fotos dos acervos de Osmar Milito e Zé Luis *

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3 respostas to “Festival reúne timaço no Copacabana Palace”

 
  1. monica! Taí!!!
    Evento pra se tirar o chapéu!
    Importante e necessário.
    Manter vivo o elo cultural de diferentes gerações é fundamental.
    Bjs e abs.
    Abs e bjs.
    paul

 

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Monica Ramalho

Monica Ramalho

Por Val Becker

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